A Morte anda rodeando por aqui, dando sinais, levando parentes, vizinhos e amigos queridos. Também eu a estudo, interesso-me por ela, por sua família, desejo que sejamos respeitosas uma com a outra. Pergunto por seu irmão, o Sono, e por sua mãe, a Noite.
Quero que baixe a foice quando me abordar e, conhecendo todos os infernos e paraísos, me leve ao lugar onde estão meus pais e o irmão que ela arrebatou há pouco. Quero rever meus avós, tios, primos que lá estejam, não importando que alguns agora sejam árvores, flores, pássaros, frutos ou pedras. Quero senti-los apertados junto ao peito. Não precisamos falar e nem ouvir, somente sentir.
Mas, antes mesmo de ser octogenária, e antes das doenças que limitam, eu gostava de saber quais as últimas palavras — atribuídas ou verdadeiras — dos moribundos. O que revelam sobre a vida que viveram, a importância que deram a si mesmos, a modéstia, o realismo, a curiosidade, o medo, a vontade de ir-se, o desejo final, a esperança.
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Abaixo, listo parte da pesquisa que fiz e gostaria de saber como rebatem em você, essas palavras, mesmo só em pensamento. Vamos lá:
Tudo está cumprido. (Consummatum est)
Jesus Cristo, quando, na cruz, disse ter sede e deram-lhe vinagre.
O espetáculo terminou.
Augusto, Imperador Romano.
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A montanha foi ultrapassada, agora será mais fácil ir adiante.
Frederico, o Grande, rei da Prússia.
Ai de mim, creio estar me tornando um Deus!
Vespasiano, imperador romano.
Vou em busca de um grande talvez.
François Rabelais, escritor francês.
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Ou se vai aquele papel de parede, ou vou eu!
Oscar Wilde, escritor inglês.
Estou para realizar minha grande viagem, um grande salto no escuro.
Thomas Hobbes, filósofo inglês.
Mais luz!
Wolfgang von Goethe, escritor alemão.
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Tudo o que possuo por mais um instante.
Elisabeth I, rainha da Inglaterra.
Amei a justiça, odiei a iniquidade, e por isso morro no exílio.
Papa Gregório VII.
Ofendi a Deus e à humanidade porque meu trabalho não alcançou a qualidade que deveria ter.
Leonardo da Vinci.
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Senhor, ajude minha pobre alma.
Edgar Allan Poe, escritor estadunidense.
Até tu, Brutus?
Júlio César, senador romano, ao ver seu protegido entre os assassinos.
França, o exército, o comando do exército, Joséphine.
Napoleão Bonaparte.
Eu nunca deveria ter mudado do uísque para os martinis.
Humphrey Bogart, ator estadunidense.
Perdoe-me, senhor. Não foi de propósito.
Maria Antonieta, rainha da França, ao desculpar-se com o carrasco por ter pisado no pé dele, a caminho da guilhotina.
Por fim, Júlio Prates de Castilhos, importante político que governou, por duas vezes, o Rio Grande do Sul, respondendo ao médico que lhe pedira “Coragem”:
— Coragem eu tenho, o que me falta é ar!
Obrigada por estarem comigo!
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