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ELENOR SCHNEIDER

Dois gigantes do desenvolvimento

O termo colono, ao longo do tempo, assume várias acepções. Dicionários latinos registram colonus, traduzido como cultivador. Há quem define colono como aquele que emigra para explorar terra estranha, desabitada. Terras distantes, conquistadas pelos europeus, eram chamadas de colônias. O Brasil, por exemplo, era Colônia de Portugal. Nem todos os portugueses vieram aqui para cultivar a terra, senão que para explorar minas, levar açúcar, pau-brasil, enriquecer e depois sumir. Eram aventureiros. Dos que ficavam, poucos se dedicavam à agricultura, sendo antes administradores, militares, comerciantes, entre tantas outras ocupações.

Percebendo o imenso território desabitado, o Império incentivou fortemente a imigração europeia. Como em boa parte do século dezenove as pessoas, no Velho Continente, viviam em grande penúria e vendo a propaganda atraente sobre o Brasil, muitas apostaram em vida melhor longe de suas pátrias. Vieram, assim, alemães, italianos, poloneses, suíços, ucranianos, japoneses e outros mais. Vieram na condição de livres, ao contrário da multidão de negros, subjugados, que os antecederam.

O primeiro grupo consistente que aqui aportou foi de alemães. Fixaram-se em várias regiões do país, mas principalmente no Sul. Data de julho de 1824 a chegada de um grupo a São Leopoldo, experimentando desde cedo que nem todas as promessas do governo se concretizavam em sonhos de felicidade. As conquistas se davam com muita luta, muita renúncia e muito trabalho, como bem escreve Josué Guimarães em seu romance A ferro e fogo.

Bem mais adiante foi fixada a data de 25 de julho para celebrar a vinda desses desbravadores. Poderia ser o Dia do Imigrante, mas a homenagem do dia remete a quem se dedica ao cultivo da terra, produzindo o alimento que nos sustenta em cada dia de nossa vida. É o Dia do Colono.

Nem todos os imigrantes se dedicam à agricultura. São urbanos, o que os diferencia dos interioranos, que lidam na terra, sob o sol ou sob a chuva, na incerteza da colheita, da renda no fim do mês, mas jamais perdendo a esperança e sempre acreditando no sucesso do seu labor. Ao contrário de muitos urbanos, vestem-se de forma simples, usam chapéu de palha, têm as mãos calejadas, andam meio desengonçados, atrapalham-se ao atravessar as ruas, falam do jeito que aprenderam. E tudo isso os transformou tantas vezes em motivo de chacota, de humilhação, até mesmo por parte de quem não tinha onde cair morto.

Felizmente, essa pecha preconceituosa foi-se desgastando e hoje os colonos são vistos com respeito e consideração. Resgatada a sua estima, o que se percebe é o orgulho de todos eles e até mesmo a opção de muitos jovens ao fazer do trabalho na terra a sua forma de viver. Não é mais vergonha ser cultivador da terra, da vida.

Assim como os colonos são homenageados, no mesmo dia os motoristas recebem seu reconhecimento. São Cristóvão é seu padroeiro, aquele que os protege nas longas e muitas vezes penosas jornadas pelos caminhos deste imenso território. Cristóvão, Cristóforo vem do grego Cristós (Cristo) e foro (aquele que carrega, que conduz). Padroeiro bem escolhido, então. Ao observar seus desfiles, percebe-se o quanto amam a sua profissão, apesar das agruras do seu trabalho, da solidão das horas, do distanciamento das pessoas queridas, das incertezas econômicas, da insegurança de tantas rotas que percorrem.
Colonos e Motoristas merecem a gratidão e o reconhecimento de todos nós.

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