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MARCIO SOUZA

A polêmica virilha

A apresentadora Maria da Graça Xuxa Meneghel iniciou a turnê O Último Voo da Nave, que vai marcar o encerramento de suas apresentações nos palcos. A eterna Rainha dos Baixinhos prepara-se para a aposentadoria, após mais de 40 anos de carreira com cantoria, muita dança e uma fortuna conquistada. É o exemplo de dedicação ao trabalho, abrindo mão de boa parte da sua vida para cumprir a agenda de shows, realizando o sonho das crianças e, mais tarde, em algumas tentativas, também dos adultos.

A informação sobre a turnê talvez tivesse espaço no Magazine, que se dedica à cultura nacional e internacional, ou mesmo na coluna do Ike, registrando a presença de algum santa-cruzense nos espetáculos da última viagem da famosa nave que aterrissou na sala dos brasileiros durante as décadas de 1980 e 1990. No entanto, em um moralismo descabido, a dança derradeira da loira de Santa Rosa virou polêmica. Consideraram exagerada a roupa que usou, com a virilha e o bumbum à mostra.

Os comentários tomaram proporções absurdas, questionando o título Rainha dos Baixinhos, por causa da roupa considerada indecorosa. Uma ou outra resposta foi dada por Xuxa no próprio palco, quando comenta que, aos 63 anos, poderia estar em casa, como tantas pessoas fazem, curtindo a vida, de chinelinho de lã e jogando baralho. Quis dar essa última oportunidade para o público, quis viver essa última interação com aqueles que a transformaram no fenômeno que sempre foi.

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A Maria da Graça, durante esse tempo todo, foi absorvida pelo poderoso nome Xuxa, que gera muita inveja e faz com que seja difícil as concorrentes, que deveriam ser colegas, aceitarem. Mas até aí tudo bem. Elas disputam o mesmo público, é natural que sintam um pinguinho de cobiça do sucesso alheio. Agora, quando a crítica vem do público, quando as pessoas questionam se o maiô é pequeno ou grande, é pura hipocrisia. Ela construiu sua carreira como Rainha dos Baixinhos com muito menos pano do que tinha o maiô criticado.

A diferença entre o período em que fazia programas infantis e o momento da turnê é que ela não tem mais 20 e poucos anos; tem 63. É cruel o etarismo, porque quando as articulações não doíam, quando os olhos enxergavam em plenitude, não existiam críticas ao minúsculo figurino. Tudo era festa porque “todo mundo está feliz! Todo mundo quer dançar! Todo mundo pede bis, quando para de tocar”, como cantou tantas vezes em Tindolelê.

A virilha da Xuxa e qualquer outra parte do corpo não são mais as mesmas. Mas queremos chegar aos 63 anos com a disposição de viajar o país e fazer as apresentações gigantescas programadas, sem nenhuma necessidade financeira como motivo para isso – é claro que ela vai ganhar muito dinheiro com os shows, mas nesta altura da vida, o que lhe importa é essa adoração que recebe dos antes baixinhos, agora altinhos. Enquanto medem o tamanho de seu bumbum, Maria da Graça percebe como é imensurável o carinho daqueles que compartilham do sentimento expresso por Chico Buarque: “Sei que está em festa, pá. Fico contente”.

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