Fala Rafi!
Estava caminhando domingo passado pela bela Darmstadt e mais uma vez me chamou à atenção o silêncio nas ruas dos bairros residenciais. Isso é algo que não me canso de admirar… e apreciar. Uma quietude, quase como se não houvesse alguém morando ali. Sabes bem, né Rafi, que o domingo na Alemanha é sagrado, literalmente. Ouse um vizinho inventar de cortar a grama ou ligar o som alto num domingo e podes contar até vinte, a polícia estará lá para dar uma dura. Para ser bastante honesto, essa é uma das virtudes da sociedade alemã de que mais gosto, este apreço e respeito pela paz e silêncio aos domingos. Cá entre nós, nas vezes em que fico tentado a pensar em retornar um dia ao Brasil, logo puxo na memória o quanto já sofremos, eu e a minha família, por causa de som alto, buzinas, cachorros latindo, vizinhos barulhentos, chatos falando alto ao celular, discussões em altos brados… que a vontade de voltar passa bem rapidinho.
Alguns dirão “ah, mas o brasileiro é um povo alegre e o alemão é triste e chato”… Estes, que assim pensam, nunca foram em festas aqui, como nós. O alemão é super animado e festeiro, mas eles – assim como eu – amam e cultuam estrutura e organização. Bagunça, farra e barulho têm hora e local. Ai de quem reclame de um bêbado chato vir puxar conversa durante uma Oktoberfest de Karlsruhe, ou de Bad Cannstatt, por exemplo (a de München não é mais uma boa referência, ficou grande e internacional demais)… aquele ali é o local e o momento de fazer festa, cantar alto e azucrinar os outros, e os incomodados que se retirem, ou nem venham. Que o momento da zorra seja respeitado!
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Mas o fato é que, realmente, boas ideias vêm mais fácil tendo o silêncio como canvas da sua criação. Assisti ao filme que indicaste, aquele do grupo de jovens que colocou em prática operar um navio para resgatar refugiados à deriva no Mediterrâneo. Muito tocante. Em especial porque tive a oportunidade de acompanhar essa dentre outras iniciativas pelas notícias, na época, lá por 2016 e 17. Ideia que surgiu na cabeça do garoto, mentor do projeto, e foi delineada com os amigos numa mesa de bar, a partir da discussão sincera de opiniões, fatos, necessidades e, principalmente, senso de responsabilidade.
A maioria das pessoas pensa “não é problema meu ou que eu possa resolver”, mas alguns acham que, sim, é problema de todos e algo pode ser feito. E vão lá e fazem. E o mais fascinante é a forma pela qual essas ideias viram um projeto. Ali, numa mesa. Poderia ser na reunião na empresa, ou durante uma viagem de trem, ou ainda numa conversa com novos amigos nas férias de verão, não importa. O que conta é o momento, o papo, o engajamento, a ideia sendo montada, o entusiasmo crescente e finalmente aquele “vamos nessa, vamos em frente”.
Exatamente como surgiu essa nossa ideia de troca de cartas e como surgirão uma série de próximas ainda por vir.
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Grande abraço und bis nächste Woche!
– Armando
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