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RICARDO DÜREN

Domingo de eleições

Nossa caçula, Ágatha, encontrou nova ocupação nesse período eleitoral. De tempos em tempos, checa a caixa de correio, em busca dos santinhos que cotidianamente aparecem ali. Quando os encontra, examina-os com cuidado, observa as fotos, recita os números e confere eventuais propostas. Contudo, logo os descarta, abatida ao constatar que nenhum traz ilustrações de unicórnios ou cavalos alados. Só raras vezes nos apresenta um ou outro panfleto, e pergunta-nos:

– Já escolheu em quem votar?

Ou comenta:

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– Olha quanta gente quer mandar em todos nós…

Creio, contudo, que esse exercício tem dado à caçula maiores noções sobre democracia e também sobre o que é um município. Até pouco tempo atrás, a traquinas tinha pouca noção acerca dos limites municipais e, quando viajávamos para alguma cidade vizinha, perguntava-nos se o lugar ficava no Brasil e se teríamos que passar por algum posto de fronteira guarnecido por policiais armados. Certa feita, quando planejávamos uma viagem a Gramado, alertou-nos que deveríamos providenciar seu passaporte.

– Passaporte?

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– Claro. Se o lugar fica a quatro horas de viagem, e se lá cai neve, certamente fica no estrangeiro.

Já a Yasmin, irmã um ano mais velha que a Ágatha, há pouco começou a compreender melhor as diferenças entre prefeito, governador e presidente da República. Certo dia, ao ver determinado político local em um evento da escola, veio perguntar-nos se era ele quem mandava no Brasil.

– Que coisa… uma autoridade como essa no meio de todo mundo, sem nenhum segurança de paletó para protegê-la… e ninguém foi pedir autógrafo…

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Em outra ocasião, quis saber: 

– Esse Bolsonaro, que tanto aparece na tevê, é tipo um rei? 

***
Talvez nesta coluna eu também devesse escrever sobre a importância do voto consciente neste domingo. Sobre a necessidade de avaliar bem as propostas dos candidatos, de tentar conhecer sua história, de não anular ou votar em branco. Mas creio que isso meus leitores assíduos, pessoas de bom gosto literário e muito inteligentes, já o sabem.

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Então, vou compartilhar com o amigo leitor situação pitoresca que foi-me apresentada nesta semana: um apelido de candidato que eu nunca imaginei ser possível.

Quem me mostrou foi o Otto Tesche, coordenador de pauta aqui da Gazeta e um dos principais organizadores da ampla cobertura eleitoral que levaremos a cabo neste domingo. Ao examinar a relação de postulantes à Câmara de certo município gaúcho – que manterei em sigilo – encontrou o inusitado apelido e também ficou surpreso.

Creio que não posso transcrever aqui o apelido, não só para evitar beneficiar esse candidato em detrimento dos demais postulantes daquela cidade, mas também porque a palavra, penso eu, não pode ser publicada em uma coluna tão acessada por pais e mães de família, ou mesmo por crianças. O que posso dizer é que o apelido em questão remete… como posso dizer?… a certo problema intestinal que nos acomete quando comemos em excesso, quando ingerimos alimento estragado, quando temos intolerância à lactose e saboreamos queijo, ou ainda, quando somos infectados por determinadas viroses.

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Não, não. O apelido não é Dor de Barriga. É o que vem junto com a dor de barriga, ou a sucede, e nos mantêm reclusos ao banheiro o dia todo, incapacitados para toda e qualquer atividade laboral ou desportiva. Sim, a palavra em questão tem um sinônimo, inclusive, aceito pela Medicina e publicável. Mas que semanticamente não me agrada também e que, por isso, não vou aqui reproduzir.

Enfim, só espero que o nobre candidato, se eleito, cumpra um bom mandato. E que eventuais problemas estomacais, se recorrentes, não o impeçam de estar presente às sessões da Casa Legislativa.

***
O Alexandre Garcia sugeriu em sua coluna desta semana que os norte-americanos deveriam assistir e aprender com as eleições brasileiras. Às vezes até discordo de certos apontamentos do Alexandre Garcia – o que certamente deve deixá-lo preocupadíssimo e insone –, mas creio que está coberto de razão em seu elogio a nosso sistema eleitoral. O Brasil dá exemplo ao mundo no dia das eleições.

Nossas eleições são rápidas e comprovadamente seguras. E, na noite deste domingo, já saberemos quem são nossos futuros prefeitos e vereadores, sem grandes margens à contestação, discussão ou dúvida. Sem a tensão de dias e dias de indefinição. 

Portanto, aos declarados eleitos na noite deste domingo, ficam meus sinceros votos de que façam um bom governo e bons projetos nas câmaras, com competência, sabedoria, coragem e, sobretudo, honestidade. 

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