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DIA DOS NAMORADOS

Em meio a tantas dúvidas, a certeza do amor

Foto: Alencar da Rosa

Casal Rafaela e Thalis renovou compromisso à beira do mar

Muitas coisas mudaram neste mais de um ano em que o mundo vive o contexto atípico ocasionado pela pandemia e pelo distanciamento social. A forma de conhecer e se aproximar de pessoas mudou, o jeito de cumprimentar conhecidos ficou mais frio e o início dos relacionamentos humanos precisou de um empurrãozinho da internet. Se houve pessoas que passaram a trabalhar em home office, ou que passaram a realizar reuniões virtuais, os namoros também contaram ainda mais com o impulso das redes sociais. Afinal, festas e eventos com grande quantidade de pessoas já não podem ocorrer e era nesses lugares que muita gente acabava se apaixonando por um outro alguém.

Além de começar a namorar em meio à pandemia, há histórias de quem noivou e até se casou, mesmo sem poder realizar grandes festejos. Aliás, por que esperar para celebrar o amor? É o caso de Jason e Ana Paula, que começaram a namorar, noivaram e casaram há menos de um ano. Outros dois casais – Thalis e Rafaela, e Sara e Rafaela – já se conheciam, mas foram auxiliados pela internet, que ajudou a iniciar o contato, mesmo sem poder se encontrar em festas. Entretanto, nem tudo são rosas vermelhas – o produto mais procurado no 12 de junho. No período pandêmico, há também problemas a serem enfrentados pelos casais, que precisam lidar com a convivência ainda mais frequente, além de exercitar a tolerância, o diálogo e a paciência.

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Três decisões durante a pandemia

Foi por ter a certeza do que queriam que Ana Paula Rodrigues Schenkel e Jason Schenkel, ambos de 24 anos, começaram a namorar, noivaram e se casaram durante a pandemia. Os dois, que já eram amigos há cinco anos, em 5 de julho de 2020 iniciaram o namoro, ficaram noivos em 6 de fevereiro de 2021 e oficializaram o matrimônio em 7 de maio. As coisas aconteceram rápido, não por impulso dos dois, mas sim pelo amadurecimento e também pela clareza que tinham em manter uma vida juntos.

“Geralmente, as pessoas acham que têm que namorar um bom tempo para se conhecer e ver se vão querer casar. Mas a gente se conhecia bastante, conversava muito. Não teve nada em que a gente se espantou depois de ter casado, já sabíamos muito um sobre o outro. Ao nosso ver, é importante ter certeza do que tu vai fazer. Imagina se eu começo a namorar com ela e acho que não vai ser, iríamos nos magoar”, comenta Jason.

Em um caderno, Ana anotou datas possíveis para o casamento, todas posteriores à escolhida. “Nos programamos para casar no final do ano, porque eu já estaria formada, mas aí veio a bandeira preta e pensamos: ‘Por que juntar dinheiro? Vamos casar antes!’ Programamos casar bem depois e casamos antes. E deu certo”, relembra a jovem.

Mesmo com as adversidades, tudo parece ter sido favorável ao casal. Pouco antes de oficializar a união, Jason testou positivo para o coronavírus. “Em uma sexta-feira eu saí do isolamento e na outra eu casei”, conta. Com as restrições impostas pela pandemia, organizar uma festa com mais convidados ficou inviável. Assim, Jason e Ana decidiram casar na manhã do dia 7 de maio de 2021, no cartório. Depois houve uma celebração com no máximo 20 pessoas na igreja que frequentam e, após, reuniram-se em um almoço com limitação de convidados na casa da avó dele, em Vera Cruz.

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Este dia 12 de junho será a primeira data comemorada pelos dois, como namorados e como marido e esposa. “Eu tenho certeza que foi muito da vontade de Deus as coisas que a gente fez, do jeito que a gente fez. Por isso tem dado certo e vai dar certo para o resto da vida”, conclui Jason.

Ana Paula Rodrigues Schenkel e Jason Schenkel

Cumplicidade, amizade e amor

A internet e as redes sociais também foram aliados na união dos estudantes Thalis Luís Bolfe, de 25 anos, e Rafaela Thaís Lange, de 20. Dois anos antes de começar o namoro, o casal já havia se conhecido em uma partida de vôlei na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Porém, apenas em setembro de 2020 começaram a se conhecer melhor, conversando através de mensagens. “Nós retomamos o contato e foi questão de alguns meses para assumir o namoro”, relata Thalis.

No dia 12 de dezembro de 2020, ele conheceu a família de Rafaela e já aproveitou e formalizou o pedido de namoro. Após, no final do ano, quando foram ao Litoral juntos, Thalis resolveu tornar o momento ainda mais inesquecível, fazendo novamente o pedido à jovem, na beira do mar.

Thalis Luís Bolfe e Rafaela Thaís Lange

Para Rafaela, manter um namoro tem muitos significados. “Um dos princípios para se manter um namoro, na nossa opinião, é a cumplicidade, a parceria um com o outro, a amizade e principalmente o amor. Ambas as características têm papel fundamental nisso”, pondera. Neste 12 de junho, eles pretendem comemorar o Dia dos Namorados em uma pizzaria. A data também marca os seis primeiros meses desde que Thalis foi apresentado oficialmente como companheiro de Rafaela.

Com o isolamento, internet colaborou

A pandemia dificultou um pouco os encontros para fazer acontecer o namoro de Rafaela Santos Sehn, de 21 anos, e Sara Spiegelberg, de 24. As duas se viram pela primeira vez em novembro de 2019, em uma festa, quando estas ainda eram permitidas. Mas somente em abril se reencontraram através de redes sociais e começaram a conversar e se conhecer. Em 4 de dezembro, elas marcaram um encontro. “Nos encontramos na internet, mas não saímos por causa da pandemia. Depois houve uma melhorada e resolvemos marcar. Eu sugeri a próxima semana, mas a Rafaela quis marcar no mesmo dia. Resolvemos sair, os bares estavam com essa questão de limitação”, relembra Sara.

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Como se viam quase todos os dias e não ficavam sem conversar uma com a outra, Sara pediu Rafaela em namoro no dia 12 de dezembro. “Eu brinco com ela que foi amor à primeira vista”, salienta. Junto ao pedido, vieram também as alianças. Depois, em fevereiro, resolveram morar juntas.

Rafaela Santos Sehn e Sara Spiegelberg

Rafaela conta que no início foi difícil a aceitação da família, mas agora está tudo bem. Porém, ainda precisam conviver com o preconceito de desconhecidos. “Notamos alguns olhares. Teve um dia em que fomos jantar e uns guris começaram a dar risada, mas eu os encarei e depois eles pararam”, relata.

Este dia 12 de junho, quando elas também comemoram seis meses de namoro, será celebrado com uma lembrança que uma produziu para a outra. “Estamos confeccionando o presente, eu ainda não fiz o meu, a Sara já fez o dela pra mim”, contou Rafaela, na quinta-feira. “Combinamos de cada uma fazer algo, não comprar. Temos a mania de fazer o presente, porque comprar é muito fácil, mas fazer tem o trabalho de pensar, correr atrás, de produzir algo criativo”, observa Sara.

Palavra profissional: tolerância, diálogo e resiliência

No contexto atual, casais estão precisando lidar com mais elementos além dos comuns à união. Segundo o psicanalista e professor da Unisc Eduardo Saraiva, a pandemia intensificou problemas que casais já tinham e pode ter favorecido o surgimento de novas adversidades. “O convívio e a proximidade aumentaram. É preciso o exercício da paciência, tolerância, diálogo e escuta. Os casais que estão conseguindo manter um equilíbrio entre esses elementos e suportar a pressão do isolamento social, do medo e dos riscos, conseguiram se fortalecer e estão passando bem por isso”, salienta.

Foi um desafio a mais para os companheiros com filhos que ficaram sem escola. “Os pais tiveram que acompanhar diariamente a atividade escolar e muitos ficaram bem estressados porque alguns seguiram trabalhando em home office e acompanhando os filhos. Foi uma avalanche, os casais tiveram que fazer essa reorganização familiar e em pouco tempo se adaptar a essa alteração que exigiu novos hábitos.”

Eduardo Saraiva

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Saraiva destaca que, relacionado à saúde mental, notou-se o aumento do estresse, da ansiedade e do medo. “A pandemia é uma prova de resistência e resiliência. Ela potencializou fragilidades, mas também a capacidade de resiliência dos casais; os que vinham desenvolvendo boas habilidades de interação, comunicação e convívio estão passando bem por toda essa prova, os que já tinham pontos muito frágeis aproveitaram o contexto de pandemia e fizeram a reflexão sobre se queriam continuar juntos ou não”, completa o profissional.

Contudo, há diferenciações entre como cada classe social foi impactada pela pandemia. “Famílias pobres sofreram com outros elementos, o desemprego, o medo da fome, o medo da falta de dinheiro. Nessas o impacto teve outra dimensão de violência, que atingiu bolso de pai e mãe. Não foram só questões emocionais, mas também de sobrevivência.”

Embora o período limite os encontros em eventos, Saraiva percebeu em seus atendimentos que os solteiros não ficaram em completo silêncio e seguiram fazendo contatos via aplicativos, por exemplo. “Há pessoas que iniciaram namoros na pandemia, ficaram um bom tempo falando só de forma virtual, mas deram um jeito de ficar em contato e a tecnologia ajudou muito nesse sentido”, diz. Ele não acredita que a falta de convívio social deixe marcas que possam dificultar relacionamentos futuros.

O psicanalista também acompanhou pacientes que tinham casamento marcado e precisaram replanejar. “Também tem uma dimensão econômica, porque alguns já tinham pago e foi um processo de renegociação, alguns adiaram a festa mas não deixaram de viver a dimensão do casamento. Exercer a paciência, sem que isso crie fraturas no casal, foi um exercício de muita maturidade e também de muito fortalecimento do amor que une as pessoas. Elas perceberam que a festa é uma das partes do casamento, mas não é a única e nem é fundamental. As pessoas ressignificam e recriaram esses ritos e formas de fazer casamentos”, completa.

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