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AUDIOVISUAL

Evento de Negócios debate desafios e oportunidades durante o Festival Santa Cruz de Cinema

Painel “O Futuro Audiovisual Independente: arranjos regionais e lei do streaming” | Foto: Julian Kober

O 2º Evento de Negócios, um dos momentos mais aguardados do 9º Festival Santa Cruz de Cinema, reuniu profissionais de diferentes segmentos da cadeia audiovisual para debater os desafios e oportunidades do setor. O encontro, realizado em parceria com o Santa Cruz Polo Audiovisual e com apoio institucional do Sebrae, iniciou-se nessa quinta-feira, 18, pela manhã e seguiu até o fim da tarde, no salão de conferências do Hotel Aquarius.

Ao longo de três painéis, o público pôde interagir e entender as perspectivas de produtores, gestores culturais, representantes de instituições públicas e especiais sobre temas que impactam o desenvolvimento do audiovisual brasileiro.

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Mesa 1

O Futuro Audiovisual Independente: arranjos regionais e lei do streaming

A sustentabilidade do audiovisual independente ganhou destaque na primeira mesa, composta pelo diretor gaúcho Henrique de Freitas Lima, que tem uma extensa atuação no mercado brasileiro; a deputada federal Denise Pessoa e o diretor de fotografia Edu Rabim, presidente da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul.

No debate, o trio abordou os desafios enfrentados por profissionais para garantir continuidade às atividades, além da necessidade de ampliar mecanismos que permitem melhor aproveitamento das obras produzidas.

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A regulamentação das plataformas de streaming foi um dos pontos discutidos pelos integrantes. Foi apontada como estratégia para a produção audiovisual brasileira, estimulando investimentos e fortalecendo a presença de conteúdos nacionais e independentes. Além disso, os especialistas salientaram a importância de políticas públicas na manutenção do mercado e na ampliação de oportunidades para diferentes regiões do Brasil.

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Também ganhou evidência a relevância da descentralização da produção audiovisual e da preparação dos territórios para abraçar projetos. Nesse contexto, o trio afirmou que o Festival Santa Cruz de Cinema é um evento importante para o fomento da troca de experiência, a qualificação do debate sobre o setor e o fortalecimento das iniciativas regionais ligadas à economia criativa e à cadeia produtiva do audiovisual.

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Mesa 2

Onde o Audiovisual Independente encontra as Grandes Plataformas? 

A segunda mesa trouxe ao debate as oportunidades e desafios para inserir projetos independentes nas plataformas de streaming. Ela foi formada por Carla Domingues, gerente-executiva da Vitrine Filmes, distribuidora independente responsável pelo lançamento de O Agente Secreto; Isabella Vidal, produtora-executiva da Gullane, uma das principais produtoras audiovisuais do País, responsável por filmes como Carandiru; e Rodrigo M. Boecker, responsável pela área de criação e conteúdo da Glaz, produtora independente que tem em seu portfólio grandes títulos para cinema e televisão, incluindo O Caso Evandro e De Volta aos 15.

Durante o painel, o trio apresentou um panorama sobre o funcionamento das plataformas, além dos critérios de avaliação de projetos e as exigências do mercado para que obras audiovisuais avancem nas etapas de desenvolvimento e captação. Para os profissionais, foi unânime que não basta ter uma ideia, mas um projeto consistente.

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Eles destacaram que os realizadores precisam de planejamento, maturidade dos projetos e construção de relações profissionais para chegar aos grandes nomes do setor. Nesse processo, parceria com produtoras e a busca por coproduções são apontadas como estratégias para ampliar oportunidades, compartilhar conhecimento e facilitar o acesso a mercados mais consolidados.

Ainda reforçaram a importância de eventos como o festival para aproximar pessoas, incentivando a profissionalização dos projetos e o fortalecimento de conexões que podem resultar em futuras parcerias ou negócios.

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Painel “Onde o Audiovisual Independente encontra as Grandes Plataformas?” | Foto: Julian Kober

Mesa 3

Política e Relacionamento para Negócios no Audiovisual 

A última mesa do 2º Evento de Negócios do Festival Santa Cruz de Cinema discutiu a construção de políticas públicas e a formação de redes de relacionamento voltadas ao desenvolvimento do audiovisual. O debate reuniu Zeca Brito, secretário de Cultura de Bagé, diretor artístico do Noronha2B e Festival da Fronteira; Nicolas Piccato, adido audiovisual da França no Brasil; Jaqueline Marques de Souza, secretária de Turismo de Santa Cruz; Cesar Miranda Ribeiro, presidente do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ); e Sofia Ferreira, diretora do Instituto Estadual de Cinema (Iecine-RS).

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O grupo discutiu os desafios do fortalecimento da cadeia produtiva, a ampliação de oportunidades e a consolidação de ambientes favoráveis à atividade audiovisual. Abordaram também a importância da cooperação entre a iniciativa pública e privada, além da necessidade de não pensar só a produção, mas também a circulação e o consumo das obras. 

A formação de público, uma das bandeiras do festival, ganhou destaque, uma vez que contribuiu para a sustentabilidade do setor a longo prazo. Na avaliação dos especialistas, a valorização do cinema como ferramenta cultural e educacional é um elemento fundamental para estimular novas gerações de espectadores e realizadores.

Além disso, ressaltaram a importância de iniciativas como o evento para promover o diálogo entre diferentes integrantes do setor para o amadurecimento do audiovisual regional. Para eles, a troca de experiências amplia as oportunidades e contribui para a consolidação de polos audiovisuais fora dos grandes centros, mencionando Santa Cruz como exemplo.

“Política e Relacionamento para Negócios no Audiovisual” | Foto: Julian Kober

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A última sessão

A terceira e última noite de exibição dos curtas-metragens iniciou com o documentário E se fosse você?, dentro da Mostra Olhares Daqui. Dirigida por Gabriela Tassinari, a obra foi acolhida pelo público com emoção ao trazer um olhar sensível e necessário sobre saúde mental por meio de relatos da comunidade atendida pelo Caps.

A Mostra Competitiva Nacional iniciou-se com Brasa (SP), sobre uma jovem de 16 anos que vive no interior do Brasil e faz planos para fugir com o rapaz que namora escondido. O filme de Diane Maia, que inclui Bárbara Colen no elenco, chamou atenção pela estética e fotografia marcantes, além de uma atmosfera melancólica. O gaúcho O Jogo, de Alexandre Mattos Meireles e Chico Maximila, veio na sequência. Premiado nos festivais de cinema de Gramado e da Fronteira, o curta mergulha no cotidiano de dois empregados domésticos, revelando as relações de poder e abusos.

Em seguida veio Tapando Buraco (AL), de Pally e Laura Fragoso. A produção escancarou o tabu da pobreza menstrual em um cenário árido e de cores quentes, destacando a busca por dignidade em meio à precariedade, conquistando o público. Já Cabeça de Boi (MG) mistura documentário e fantasia com uma curiosa narração em francês, transformando Uberaba em um personagem místico.

O cinema gaúcho voltou à telona com o documentário Na sombra do Set. A obra de Bella Bauer tornou-se um retrato importante ao ampliar o horizonte da acessibilidade e dar protagonismo a profissionais com deficiência que criam o cinema por trás das câmeras. A última produção foi FrutaFizz (SP), de Kauan Okuma Bueno, melhor filme na Mostra Competitiva de Curtas-metragens em Gramado. Trouxe leveza e nostalgia ao auditório com uma trama centrada em diálogos e na memória afetiva, cativando o público com seu final cômico.

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Troféu Tipuana será entregue em 14 categorias | Foto: Amanda Bredow/Divulgação

Sobre o festival

Homenagens e premiações

A última noite do Festival Santa Cruz de Cinema começará com a tradicional homenagem aos artistas pelo trabalho e contribuição ao audiovisual. A nona edição reconhecerá a carreira do ator e diretor Reginaldo Faria, que, por questões de saúde, será representado por Fernanda Etzberger, distribuidora do filme Perto do Sol é mais Claro, no qual é o protagonista. Já a atriz Pilly Calvin receberá o prêmio Tuio Becker pela sua passagem no cinema, teatro e televisão gaúcho. Nascida em Valência, na Espanha, ela mudou-se ainda na infância para Santa Cruz do Sul.

A sexta-feira também será marcada pela premiação dos vencedores da Mostra Olhares Daqui e da Competitiva Nacional em 14 categorias. O júri responsável por escolher os vencedores é composto pela roteirista e coordenadora de cinema da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, Juliana Botelho; o jornalista, escritor, produtor, diretor e roteirista Renato Dornelles e a professora e pesquisadora do cinema brasileiro Miriam de Souza Rossini.

Rodada de negócios

Esta sexta-feira, 19, é o último dia do Evento de Negócios, que será marcado pela apresentação de projetos audiovisuais. Oito foram selecionados: Lança filmes, Vento Leste, Akom Studio, Mamaliga Films, Umbra Filmes, Bactéria Filmes, Sala Filmes e Osso do Peito Filmes. Eles serão analisados por Leo Garcia, roteirista e diretor-geral do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre (Frapa); Camila Agustini, roteirista e consultora de roteiros graduada pela EICTV (Cuba); e Roger Lerina, jornalista cultural e integrante da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

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