Entre a comunidade, o futebol de domingo, a cooperativa e um sonho antigo, Fernanda Laís Hauth descobriu que ser ela mesma era o caminho mais curto até a coroa. Antes do título e dos compromissos que agora preenchem a agenda, ela já ocupava outros espaços.
Estava na cozinha da quermesse, ajudando em um torneio da comunidade, assistindo a um jogo de futebol no interior ou reunida ao redor de uma mesa de domingo com a família. Aos 25 anos, a princesa da 41ª Oktoberfest fala sobre si como quem percorre lugares muito familiares e cuja história quase sempre termina nas mesmas palavras: família, comunidade e pertencimento.
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Fernanda mora em Boa Vista, interior de Santa Cruz do Sul, comunidade que ajudou a construir a forma como enxerga o mundo. Cresceu em meio a uma família envolvida nas atividades locais, acompanhando os pais, avós e parentes em festas, encontros e iniciativas comunitárias. Participar nunca foi exceção; era rotina. E continua sendo.
Hoje, mesmo com uma agenda que promete ganhar outro ritmo a partir do reinado, ela segue ligada ao clube da família, o Aliança, do qual seu avô Fernando foi um dos fundadores. O envolvimento atravessa gerações: o primo é presidente, a prima atua na secretaria, o namorado ocupa a tesouraria e ela, oficialmente, responde pela divulgação. Oficialmente. Porque, na prática, faz um pouco de tudo. “Na copa, na cozinha, no que precisar.”
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A fala vem acompanhada de riso, mas ajuda a entender uma característica que aparece repetidas vezes ao longo da conversa: Fernanda gosta de estar onde as coisas acontecem. Ela se define como espontânea, expressiva e intensa. Ri ao dizer que tem “cara com legenda”. A expressão surgiu durante a entrevista e, em poucos segundos, parecia resumir algo importante sobre ela: sentimentos difíceis de esconder e um jeito de existir que ocupa espaço sem esforço.
“No início eu pensava: ser somente eu vai ser o suficiente?” A dúvida apareceu cedo. Veio acompanhada por inseguranças, exigências pessoais e aquela sensação comum a quem precisa subir em um palco levando sonhos grandes no peito. Até ouvir um conselho que passou a carregar durante todo o processo: não abandonar a própria essência. “Seja tu. Desse jeitinho.” A frase ficou.

Melhorar a fala, desenvolver habilidades e se preparar faziam parte do caminho, sem deixar para trás a menina que começou a sonhar muito antes. “Não perder o brilho no olho da Fernanda de seis aninhos.” A menina de seis anos aparece algumas vezes ao longo da conversa. É ela quem acordou cedo em um domingo chuvoso esperando pelo desfile da Oktoberfest. Quem insistiu para os pais irem até a festa, mesmo com o tempo fechado. Quem ficou triste ao ouvir no rádio que a programação havia sido cancelada. E quem, horas depois, comemorou quando a chuva parou e a família conseguiu ir ao parque. “Lembro daquele sentimento como se fosse hoje.”
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Fernanda trabalha desde 2020 em uma cooperativa de crédito, onde hoje atua como gerente de relacionamento e negócios. A emoção aparece rápido quando fala das pessoas. Da família, da comunidade e até das meninas que um dia podem enxergar nela a mesma inspiração que encontrou em outras soberanas.
Fernanda fala disso com a mesma simplicidade com que descreve um domingo perfeito: a mãe preparando galinhada com maionese, a família reunida, chimarrão, futebol e crianças correndo pela casa. É nessa cena que ela se reconhece. É nela, também, que mora uma das respostas para a pergunta que fez a si mesma durante o concurso. Ser só ela foi mais do que suficiente.
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