Em cartaz nos cinemas de Santa Cruz do Sul, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” equilibra o espetáculo visual dos filmes de super-herói com uma jornada humana e emocional centrada em seu protagonista. Ao colocar os dilemas do personagem no centro da narrativa, o filme mostra por que o Amigo da Vizinhança é espetacular.
Na nova aventura, Peter Parker mergulha de vez na vida sob a máscara após os acontecimentos de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa. Isolado depois da morte da Tia May e do feitiço que fez o mundo esquecer sua identidade, ele dedica seus dias ao combate ao crime nas ruas de Nova York como o Amigo da Vizinhança, enquanto acompanha à distância a vida de Ned e MJ. Ao mesmo tempo em que enfrenta uma metamorfose provocada pelos poderes aracnídeos, um reflexo físico do estado emocional do herói, Peter vê surgir uma nova ameaça que colocará à prova não apenas suas habilidades, mas também as escolhas que fez.
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A expressão popular “pés no chão” define a ideia de “Um Novo Dia” – o que chega a ser irônico, já que o personagem vive nas alturas: apesar de o filme contar com participações especiais do universo Marvel, a jornada é sobre Peter Parker. Isso devolve ao personagem aquilo que definiu por décadas as melhores histórias dos quadrinhos: os problemas pessoais maiores do que as ameaças.
Desta maneira, Hulk e do Justiceiro são meros coadjuvantes que contribuem para a trama, sem roubar o protagonismo do Homem-Aranha. Aliás, as interações entre eles e o Cabeça de Teia tornam-se momentos memoráveis sem atrapalhar o desenvolvimento da trama.
O diretor Destin Daniel Cretton (“Shang Chi e a Lenda dos Dez Anéis”), dá continuidade ao universo estabelecido nos filmes anteriores (dirigidos por Jon Watts) à medida que traz novas ideias para a franquia. Sua assinatura fica mais evidente na estética do filme: determinado em desenvolver uma história focada no jovem por trás da máscara, evidenciando as vulnerabilidades do herói e a importâncias das conexões, o cineasta expõe os conflitos enfrentados pelo personagem na jornada por meio das escolhas visuais e técnicas. A fotografia é mais escura, com cores menos saturadas para evidenciar a solidão de Peter.
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Cretton também deixa a sua marca na ação. Sem ameaças multiversais ou mundiais, as lutas são mais contidas e mais físicas, dando a elas mais peso e tornando-as mais memoráveis. Ainda que haja efeitos digitais, o filme recupera a sensação de impacto físico que havia se perdido nas produções mais recentes do estúdio. E recria fielmente quadros clássicos dos quadrinhos, demonstrando seu carinho pelo herói.
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No entanto, o coração do filme está em Tom Holland. Completando dez anos no papel do teioso, o ator entrega um Peter Parker mais maduro e ainda mais fiel à criada por Stan Lee em 1962, traumatizado pelas perdas pessoais, consequência das suas escolhas, e lutando para conciliar sua vida com os sacrifícios de ser um herói. Isso fica expresso não apenas nos diálogos, mas também no olhar e na expressão de quem carrega culpa. Assim, o lema clássico “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” segue sendo o compasso moral do personagem, que está disposto a fazer sacrifícios pessoais para salvar Nova York.
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Mais contido e humano, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” é a adaptação que muitos fãs esperavam há 22 anos, desde a trilogia de filmes de Sam Raimi, trazendo de volta às telas o Amigo da Vizinhança em uma aventura literalmente espetacular. É a salvação para o desgaste enfrentado pelos filmes de super-heróis – especialmente a Marvel que têm dificuldade de encontrar sua trajetória desde “Vingadores: Ultimato”.
A fraqueza exposta
Embora a escolha de dar destaque a Peter Parker seja um dos pontos altos de “Um Novo Dia”, a decisão acaba comprometendo um aspecto importante da narrativa: o desenvolvimento dos antagonistas. A trama tenta esconder até o terceiro ato o verdadeiro vilão, ainda que o público tenha descoberto isso ainda nos primeiros minutos de filme, de modo suas motivações não são devidamente exploradas e fazem com que ele caia no esquecimento antes mesmo do filme terminar.
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Porém, a subtrama com as fragilidades mais evidentes é a introdução de uma nova personagem ao Universo Cinematográfico da Marvel. Ainda que sirva como uma excelente nêmesis para o herói em seu momento atual, o roteiro se esforça e consegue achar espaço para desenvolvê-la, mas fica a impressão de que, para uma primeira aparição, precisaria de mais tempo. Contudo, uma vez que a veremos nas próximas produções da Marvel, ela terá seu devido protagonismo.
Apesar da falta de um vilão mais memorável, “Homem-Aranha: Um Novo Dia” ainda é espetacular. Ao equilibrar a jornada pessoal do humano por trás da máscara com diversos personagens e as cenas de ação, Destin Daniel Cretton evidencia as características do super-herói que encantam leitores há mais de seis décadas, proporcionando um entretenimento digno para se conferir nos cinemas.
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