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SEGURANÇA E SAÚDE PÚBLICA

FOTOS: carne de abigeato apreendida em Sobradinho revela riscos do abate clandestino

As condições em que foram encontrados cerca de 260 quilos de carne apreendidos durante uma ação da Polícia Civil em Sobradinho chamaram a atenção da Inspetoria Veterinária para os riscos do abate e da comercialização clandestina de produtos de origem animal. Segundo o médico veterinário e técnico agrícola da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Maurício França, a carne estava sendo manipulada e armazenada sem condições mínimas de higiene e conservação.

A apreensão ocorreu na tarde de segunda-feira, 21, durante uma operação da Polícia Civil que resultou na prisão em flagrante de sete pessoas – cinco homens e duas mulheres. A investigação aponta que o grupo estaria envolvido em abigeato, abate clandestino e tráfico de drogas.

Em entrevista ao programa Giro Regional, da Rádio Gazeta FM 96.1, nesta quarta-feira, 23, França relatou as condições encontradas no local onde a carne era fracionada. “Deparei-me com uma cena horrível: carne sendo picada, mal acondicionada, carne no chão, em cima de tábuas, cachorro na volta, em cima de lençol, no freezer, embalada, balança nas piores condições possíveis e a serra fita em péssimas condições de higiene. Não há condição mínima para consumo”, relatou.

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França relatou as condições encontradas no local onde a carne era fracionada

O produto foi apreendido, transportado para a delegacia e posteriormente encaminhado para o descarte em uma empresa de graxaria em Cruzeiro do Sul, destinada à fabricação de ração animal.

Além das condições encontradas durante o fracionamento, outro fator de preocupação foi a forma como a carne teria sido transportada. Conforme o veterinário, os animais eram abatidos sem qualquer tipo de inspeção e o produto era levado em veículo sem condições adequadas para o transporte de alimentos.

“Como esses animais foram abatidos sem inspeção nenhuma, no meio do mato e no chão, a carne foi transportada de maneira totalmente irregular no porta-malas do carro, com sujeira, graxa e ferramentas”, relatou.

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A ausência de inspeção impede o controle das condições sanitárias do animal e de todas as etapas posteriores, desde o abate até a manipulação, conservação e comercialização da carne.

Conforme a delegada Graciela Foresti Chagas, parte da carne de um dos bovinos abatidos já havia sido comercializada antes da intervenção policial. Cerca de R$ 3,5 mil foram encontrados com três dos suspeitos abordados em um veículo, além de vestígios de carne crua e entorpecentes.

A Polícia Civil investiga agora quem adquiriu o produto. Uma das linhas de apuração é verificar se a carne foi vendida diretamente a consumidores ou se chegou a algum estabelecimento comercial da região.

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A investigação teve início a partir do monitoramento de suspeitos ligados a crimes patrimoniais e ao tráfico de drogas. Após a abordagem do veículo, os policiais chegaram até uma residência na estrada da Linha Carijinho, onde outras quatro pessoas foram encontradas enquanto, segundo a Polícia Civil, fracionavam a carne.

Abigeato em alta

O caso também ocorre em meio ao aumento das ocorrências de abigeato em Sobradinho. Conforme a Polícia Civil, o município já contabiliza 20 registros neste ano, número superior aos 17 casos registrados durante todo o ano passado.

A investigação aponta que os bovinos eram abatidos em propriedades rurais. Em uma das situações apuradas, o proprietário dos animais encontrou as vísceras ainda quentes de dois bovinos na localidade de Linha Tupi, informação que ajudou a investigação a confirmar a ocorrência.

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Além das suspeitas relacionadas ao furto qualificado e ao tráfico de drogas, os envolvidos também poderão responder por maus-tratos aos animais, em razão da forma como os bovinos teriam sido abatidos.

Cadastro ajuda na recuperação de animais

Além de atuar na fiscalização sanitária, a Inspetoria Veterinária tem papel importante na comprovação da propriedade de animais encontrados em situações relacionadas ao abigeato. Por isso, França reforçou a necessidade de os produtores manterem os cadastros dos rebanhos atualizados.

Um caso recente envolvendo quatro caprinos recuperados no interior de Passa Sete exemplifica a importância do registro. Duas cabras adultas e dois filhotes foram encontrados em uma propriedade após diligências realizadas com apoio do setor de inteligência da Brigada Militar. Bovinos localizados no mesmo endereço também foram recolhidos.

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Segundo França, os caprinos estavam registrados e declarados pelo proprietário há vários anos. Dessa forma, os registros oficiais serviram como comprovação de que os animais pertenciam ao produtor.

Em situações nas quais animais são encontrados em circunstâncias suspeitas e há indícios de que possam ser provenientes de furto ou abigeato, são adotados os procedimentos previstos pela legislação estadual. O responsável pelo local pode ficar como fiel depositário, enquanto os possíveis proprietários precisam apresentar documentação que comprove a propriedade dentro do prazo legal.

No caso dos bovinos encontrados em Passa Sete, segundo o veterinário, se não houver a comprovação da propriedade dentro do prazo estabelecido, serão adotadas as providências previstas na legislação.

Orientação aos produtores

Diante do número de ocorrências, a orientação da Inspetoria Veterinária é para que produtores comuniquem situações suspeitas às autoridades. Movimentações incomuns nas propriedades, pessoas rondando os locais ou circulando repetidamente nas proximidades podem ser informadas antes mesmo de um eventual furto.

França destacou que o registro formal de uma ocorrência é importante para documentar que o produtor está sendo lesado e pode auxiliar nas investigações.

A Inspetoria Veterinária também recebe denúncias, inclusive de forma anônima, relacionadas a situações que possam contribuir para o combate ao abigeato e à comercialização irregular de produtos de origem animal. O contato para denúncias é (51) 3742-1367.

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