Há quase três séculos, em Rio Pardo, um soldado teria recorrido à oração durante uma ameaça de invasão espanhola e, depois de sobreviver, prometeu construir uma igreja. A primeira capela, de barro e dedicada à Sagrada Família, ficava junto à Fortaleza Jesus, Maria, José.
A capela deu lugar a outras construções até a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, em 1769. A Matriz foi inaugurada em 3 de outubro de 1779, em uma procissão que levou imagens da antiga capela de Santo Ângelo. O templo que hoje marca a paisagem de Rio Pardo, porém, ainda passaria por muitas mudanças.
A construção se estendeu por décadas. Em 1801, a igreja era considerada concluída, embora ainda faltassem partes das torres e do consistório. A configuração atual só foi alcançada em 1885, com a finalização da segunda torre e intervenções no interior. A arquitetura reúne marcas de diferentes períodos, assim como os altares e as imagens sacras.
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O tempo também deixou sinais no prédio. Há partes do assoalho danificadas por cupins, pontos de deterioração no forro e perdas na pintura. Quadros e elementos decorativos também precisam de cuidados. A recuperação da Matriz depende de novas etapas de restauração, que serão realizadas conforme a disponibilidade de recursos.
O dia 7 de outubro, que marca o aniversário de Rio Pardo e a celebração de Nossa Senhora do Rosário, padroeira da Matriz, também é uma oportunidade para refletir sobre a importância de preservar um patrimônio que faz parte da identidade do município. O desafio é recuperar a estrutura sem perder as marcas de sua história. O projeto prevê obras graduais, começando pelos pontos que precisam de intervenção e avançando conforme a captação de recursos. A luta agora é para restaurar a fé e a história.
Valor é orçado em R$ 3,5 milhões
Na tarde de 30 de setembro, representantes da comunidade e da equipe responsável pelo projeto de restauração da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário reuniram-se para apresentar as próximas etapas do trabalho. Estavam presentes o padre Maurizan Nascimento; a historiadora Dariane Labres; Glaci Braga e Suzana Guimarães, sócias da Cult Assessoria e Projetos Culturais; Carolina Baumann, responsável pela captação de recursos; e Terezinha Müller, presidente da Associação Zeladora da Igreja de São Francisco.
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A primeira etapa, voltada à cobertura da nave, foi concluída em 2025 com R$ 2 milhões do Fundo de Apoio à Cultura do Estado. Agora o projeto prevê a recuperação do telhado, do forro e do assoalho da capela-mor e da nave. São intervenções em áreas que apresentam problemas diferentes e exigem trabalho especializado.
A nova fase foi aprovada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, mas ainda depende de captação. A meta inicial é reunir pelo menos R$ 750 mil até o fim de dezembro. A Cooperativa Dália Alimentos é a primeira patrocinadora confirmada. O valor destinado pela empresa não foi divulgado.
O projeto de restauração da Matriz tem orçamento estimado em R$ 3,5 milhões. A equipe dividiu o trabalho em etapas por causa do tamanho do prédio e do custo das intervenções. Durante a obra, também podem aparecer problemas que não estavam visíveis nas primeiras avaliações, o que alteraria o planejamento.
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A recuperação completa poderá levar até dez anos, segundo a previsão apresentada pela equipe. A próxima etapa tem duração estimada de um ano, desde que os recursos sejam captados. Como a igreja é tombada, as intervenções precisam ser acompanhadas e autorizadas pelos órgãos de preservação.
O projeto prevê visitas mediadas e a produção de um livreto sobre a história e a conservação da Matriz. As atividades fazem parte do trabalho de educação patrimonial, que acompanha as obras e aproxima o público do prédio e de seu acervo.
A restauração também pode revelar detalhes que hoje estão escondidos. Durante a prospecção dos altares, a equipe identificou cores originais sob a camada de tinta que cobre as peças. A descoberta ajuda a orientar o trabalho e mostra que a recuperação não se limita à estrutura do prédio. “Não é só restaurar a igreja matriz em si, mas também aquilo que se perdeu da história”, resume o padre Maurizan.
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Representantes da comunidade e da equipe que é responsável pelo projeto reuniram-se na Matriz | Foto: Rodrigo Assmann
Uma história centenária
A primeira capela de Rio Pardo, possivelmente construída em 1753, integrava a Fortaleza Jesus, Maria, José e era dedicada à Sagrada Família. Anos depois foi erguida a capela de Santo Ângelo, na atual Rua Andrade Neves. Em 1769, a criação da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário marcou uma nova etapa para a comunidade. A construção da Matriz começou no fim do século 17 e em 1801 foi considerada concluída, apesar de ainda faltarem partes das torres e o consistório. A configuração atual só foi alcançada em 1885, com a conclusão da segunda torre e a decoração interna, realizadas pelos arquitetos italianos Corso Serafim e Vicente Prado. O templo reúne elementos neoclássicos e ecléticos e abriga importantes peças de arte sacra, como os altares de Nossa Senhora das Dores e o altar-mor.
Sinais do tempo
A deterioração da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário é visível em diferentes partes da construção. O assoalho apresenta danos provocados por cupins, que também atingem outras estruturas de madeira. As paredes têm manchas de mofo, e as pinturas – incluindo a do Anjo da Guarda e da Santa Ceia – estão apagadas em alguns pontos, comprometendo a preservação dos detalhes artísticos.
O forro e o telhado também precisam de reparos. A umidade causou danos em diferentes partes da estrutura, o que exige intervenções para evitar o avanço da degradação.
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Além disso, os altares demandam atenção. Durante a prospecção, a equipe identificou cores originais escondidas sob camadas de tinta. A descoberta permite conhecer melhor a aparência original das peças e orienta o trabalho de restauração.
A recuperação de um prédio histórico exige procedimentos específicos. Cada intervenção precisa respeitar os materiais e as características arquitetônicas e artísticas da construção. Por isso, o trabalho é acompanhado por profissionais especializados e órgãos de preservação do patrimônio. O responsável pelo projeto é o arquiteto Lucas Volpatto, da Studio 1 Arquitetura.
Diante desse cenário, a mobilização da comunidade e das empresas busca viabilizar a restauração e preservar a Matriz, um marco religioso e cultural de Rio Pardo.

Estrutura bicentenária da Matriz apresenta sinais dos desgastes provocados pela ação do tempo | Foto: Rodrigo Assmann
Um marco importante para o município
A historiadora Dariane Labres vê na Matriz um lugar que reúne diferentes partes da história de Rio Pardo. A igreja está ligada à ocupação militar, à formação religiosa da cidade e à vida social de diferentes períodos. Também guarda elementos artísticos que ajudam a contar essa trajetória.
O padre Maurizan Nascimento frisa que a importância da Matriz não se limita à religião. O prédio faz parte da memória da cidade e é referência para quem vive em Rio Pardo.
A relação com a comunidade também aparece no valor afetivo do templo. Além das celebrações, a igreja recebe visitantes interessados em conhecer sua arquitetura, seus altares e as imagens que preserva.
Preservação depende de todos
A restauração depende de recursos que ainda precisam ser captados. A Cooperativa Dália Alimentos é a primeira patrocinadora confirmada da nova etapa, aprovada pela Lei Rouanet. A captação busca envolver outras empresas, especialmente da região.
Para a historiadora Dariane Labres, a Matriz também pode ser conhecida por meio de visitas e ações de educação patrimonial. O projeto prevê visitas mediadas e um livreto gratuito sobre a história e a conservação do prédio.
A participação da comunidade ajuda a manter a igreja ligada à vida da cidade. Além de espaço de celebração, a Matriz guarda documentos da arquitetura, da arte e formação de Rio Pardo. A restauração pretende conservar esse conjunto para que continue sendo conhecido. Empresas podem apoiar a preservação por meio da captadora Carolina Baumann, pelo contato (51) 98418 4315.
Os desafios do trabalho
- Teto da capela-mor está descaracterizado após a substituição das madeiras originais, que caíram
- Dano no teto onde está a padroeira, no altar-mor
- Assoalho da igreja afetado pela ação dos cupins
- Arcos de madeira da capela-mor danificados
- Pinturas que decoram as paredes se apagaram
- Avanço do tempo resultou em diversos problemas no piso do templo bicentenário, com danos visíveis
Fotos: Rodrigo Assmann
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