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FALANDO DE DINHEIRO

Francisco Teloeken: “Vivendo mais, mas poupando menos”

Foto: Divulgação

Segundo o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas (ONU), a expectativa de vida dos brasileiros aumentou 40% nos últimos 60 anos. De cerca de 53 anos, atualmente se vive em torno de 76 anos. Nesse ritmo, daqui a 60 anos ou menos, a expectativa de vida dos brasileiros tende a superar os 100 anos.

Um estudo recente da Mayo Clinic, publicado na JAMA Network Open, revelou que as pessoas estão vivendo uma década a mais, mas enfrentando problemas crônicos e limitações de saúde. Com a expectativa de vida média global aumentada significativamente, ao longo do tempo, é necessário pensar em longevidade financeira. É uma forma de planejar o futuro e adequar-se a um bom padrão de vida após a aposentadoria, o que exige mudanças estruturais, tanto na área da saúde, para prevenir e combater doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e transtornos neurológicos, quanto na financeira.

Entretanto, ter longevidade com qualidade devida está longe de ser uma realidade para a maior parte dos brasileiros e de outros países. Na área financeira, juntar uma reserva para aposentadoria é um desafio que envolve hábitos culturais, econômicos e demográficos. A falta de uma cultura de poupança entre os brasileiros e o impulso pelo consumo imediato, além da baixa média de renda, criam um cenário que dificulta a preparação adequada para o futuro, dificultando ou mesmo impedindo que muitas pessoas construam uma reserva financeira capaz de garantir conforto e estabilidade nas fases mais avançadas da vida.

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Com relação à poupança, a cultura ainda é pouco enraizada entre os brasileiros. Isso porque duas ou três gerações inteiras não foram educadas muito menos se preocuparam em poupar porque viveram parte das suas vidas em ambientes de inflação elevada. Tão logo as pessoas recebiam seu salário ou sua renda, tratavam de gastá-la logo para não perder poder de compra. Desde os anos 1980, as taxas anuais eram muito altas, tendo chegado a mais de 1.000%  ao ano, o que foi quebrado, depois de muitas tentativas, às vezes até mirabolantes, com o Plano Real, no ano de 1994. Desde aquele ano, a inflação, pelo menos a oficial, tem-se mantida em torno de 4% ao ano.

Além dessa mentalidade de gastar logo o dinheiro recebido, principalmente entre as pessoas que viveram os anos de inflação alta e descontrolada, o comportamento reforça as dificuldades financeiras para o futuro. Muitas pessoas gastam seu dinheiro e até contraem dívidas para satisfazer seus desejos imediatos, o que compromete a formação de reserva financeira.

Querer jogar no colo do atual governo que mais de 80% das famílias brasileiras estejam endividadas é pura demagogia ou má fé. Além dos juros altos, das facilidades de crédito, dos gastos com apostas nas Bets, da falta de educação financeira, muitas pessoas não querem abrir mão de possuir aquele objeto, de contratar aquele serviço, de realizar aquela vontade de maneira imediata. Esse padrão faz a pessoa gastar o que recebe e mais um pouco, apelando para o cartão de crédito, empréstimos, crediários, etc., sobrando pouco ou nada para investimentos.

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Quem se aposenta hoje já enfrenta uma queda na renda mensal, o que, por si só, não seria um problema, se a redução fosse proporcional ao corte de despesas, mas, na prática, algumas despesas até aumentam, principalmente em saúde. O fato é que, conforme especialistas, o Brasil gasta muito com aposentados e a previdência pública está ficando insustentável. A saída é uma só: pensar em alguma forma de poupança e investimento por conta própria para gerar uma renda passiva, no futuro, e, mais importante, começar a fazer isso o quanto antes.

Embora o brasileiro poupe pouco ou nada, isso não significa que ele não se importe com o futuro. Muitas pessoas investem em imóveis para ter uma renda extra, na aposentadoria, o que requer, evidentemente, recursos financeiros maiores. Outras alternativas são aplicações em fundos de investimento, poupança, Tesouro Direto, criptomoedas e a previdência privada aberta, na modalidade de VGBL (para pessoas que fazem a declaração de renda simplificada) e PGBL (para quem faz a declaração de renda completa); basicamente, a diferença entre ambos está na forma de incidência do Imposto de Renda. Para  se planejar para a aposentadoria, a sugestão é seguir alguns passos:

1)  Fazer um diagnóstico da situação financeira: de 30 a 60 dias, anotar todas despesas realizadas, principalmente as de valores menores que facilmente são esquecidas, aproveitando para diminuir, substituir e eliminar itens

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2) Preparar um orçamento e segui-lo com disciplina

3) Decidir quando quer se aposentar

4) Projetar o valor que deseja receber mensalmente

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5) Calcular quanto precisa aportar, mensalmente, para formar o fundo de investimento

6) Escolher onde aplicar o dinheiro poupado

7) Não perder o foco.

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O aumento da longevidade é uma conquista decorrente da adoção de cuidados e hábitos mais saudáveis, além dos avanços da medicina. Em contrapartida, também traz consigo desafios em relação aos gastos adicionais que surgem com o envelhecimento. À medida que as pessoas vivem mais, é preciso estar preparado. Mesmo com a inevitável realização de mais reformas, o que os candidatos à presidência omitem em suas propostas de governo, o sistema público terá dificuldades para garantir o pagamento das aposentadorias e pensões, no futuro. Por isso, planejar a aposentadoria e investir em previdência privada, com base na educação financeira, são assuntos urgentes para quem ainda está em atividade profissional.

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