A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan também tem reflexos em Santa Cruz do Sul. O imunizante era aplicado em profissionais da saúde da rede pública e fazia parte de uma estratégia nacional que previa ampliação gradual para outros grupos da população.
A decisão foi anunciada pelo Ministério da Saúde nessa segunda-feira, 8, após o registro de 42 casos de reações adversas graves em diferentes regiões do país. Três pessoas precisaram de internação e duas morreram. Os casos passam por investigação e, segundo o governo federal, ainda não é possível afirmar que os episódios tenham sido causados pela vacina.
Em entrevista à Rádio Gazeta FM 107,9 nesta terça-feira, 9, o coordenador do Setor de Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde, Róger Rodrigues Peres, confirmou que Santa Cruz utilizava o imunizante do Butantan em trabalhadores da atenção primária.
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Segundo ele, é importante diferenciar os dois imunizantes atualmente disponíveis contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS). “Nós temos também a vacina da dengue do laboratório Takeda, que vem sendo aplicada nos adolescentes de 10 a 14 anos. Não estamos falando desse produto. Estamos falando especificamente da vacina do laboratório Butantan”, explicou.
Vacinação alcançou profissionais da saúde
De acordo com coordenador da área, um número expressivo de trabalhadores da saúde recebeu a vacina em Santa Cruz. A aplicação ocorreu entre profissionais que manifestaram interesse e atendiam aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. “O município avançou nessa estratégia e vacinou os trabalhadores da saúde que tinham interesse e preenchiam os requisitos para receber o produto”, destacou.
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O responsável pelo setor ressaltou que foram registrados eventos adversos após a vacinação no município, mas todos dentro das reações já previstas na bula do produto, como febre, dores no corpo, cansaço e desconfortos articulares. “Ocorreram reações esperadas, descritas na bula e nas notas técnicas do Ministério da Saúde. Todos os casos foram notificados e avaliados conforme os protocolos”, afirmou.
Conforme ele, não houve registros locais semelhantes aos casos graves que motivaram a suspensão nacional da estratégia.
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Róger Peres explicou que a vigilância sobre vacinas é permanente e que todas as notificações realizadas pelos municípios são avaliadas pelos órgãos estaduais e federais responsáveis pelo monitoramento dos imunizantes. “Todos os produtos ofertados pelo Ministério da Saúde permanecem em constante observação. Alguns eventos são esperados e outros, quando fogem do padrão, exigem uma investigação mais aprofundada”, observou.
Dose seria oferecida para novos públicos
Antes da suspensão, Santa Cruz já se articulava para ampliar a vacinação contra a dengue entre outros profissionais da área da saúde. A Secretaria Municipal de Saúde mantinha contato com instituições como o Hospital Ana Nery, Hospital Santa Cruz e Hospital Monte Alverne, além de serviços especializados do município, para incluir novos grupos de trabalhadores na estratégia.
Segundo o coordenador do setor de imunizações, havia ainda a previsão de expansão futura para a população em geral, conforme planejamento do Ministério da Saúde. “Já estávamos buscando articulação com os hospitais e outros serviços de saúde do município para avançar na vacinação de mais trabalhadores. Também existia a previsão de ampliação para a população em geral em uma etapa posterior”, relatou.
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Com a interrupção temporária da campanha, as doses permanecem armazenadas em condições adequadas enquanto o município aguarda novas orientações do governo federal. “Nesse momento, a orientação é armazenar o produto adequadamente e aguardar as definições do Ministério da Saúde sobre os próximos passos”, acrescentou.
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Investigação segue em andamento
Até o fim de maio, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas no país. Entre os vacinados, 42 pessoas apresentaram sintomas considerados de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três evoluíram para quadros graves.
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O Ministério da Saúde informou que a suspensão não invalida a eficácia do imunizante nem retira a proteção já adquirida pelas pessoas vacinadas. A medida foi adotada para permitir uma investigação mais aprofundada sobre os casos registrados.
A recomendação é que pessoas imunizadas recentemente procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre persistente, dor abdominal intensa, vômitos contínuos, sangramentos ou piora do estado geral.
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