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Medindo a felicidade

Em meio à pandemia, que se espera ter chegado ao final, e à nova e estúpida guerra, que se espera chegar ao término o mais rápido possível, um tema voltou a receber mais atenção: a felicidade das pessoas. E passaram a ser novamente medidos, por meio do Relatório Mundial da Felicidade 2022, do Instituto Gallup World Poll, os índices de bem-estar durante a ocorrência sanitária, que, por incrível que pareça, chegaram a se manter em muitos países, fato explicado pelo maior exercício, durante esse período difícil, da empatia e benevolência com os outros, o que de forma comprovada melhora o bem-estar de quem ajuda e de quem recebe apoio.

As medições, além de autoavaliações sobre qualidade de vida, incluem variáveis mais objetivas e mensuráveis, como produto interno bruto per capita, apoio social, experiências de vida saudável, liberdade, generosidade e corrupção, e tiveram como inspiração a iniciativa de um rei do Butão, país entre China e Índia, que ainda no século passado media a “Felicidade Interna Bruta” e inseria aspectos como espiritualidade e acesso à cultura. Países nórdicos, conhecidos por sua sólida estrutura social, econômica e institucional, continuaram a aparecer no topo, enquanto o Brasil teve queda de posição (de 29ª para 38ª, entre a pesquisa de 2017 e a última), em que teria influído “aumento de miséria nas ruas, sinônimo de desigualdade social e atalho para tristeza”, conforme se divulgou, enquanto os mais baixos índices estão nos países em conflito.

Por isso mesmo, é sempre triste verificar que o mundo não evolui para valer e continua a guerrear, o que leva a recorrer a pensadores de outros tempos que refletiam sobre a enorme dificuldade humana em buscar a paz. Da própria Rússia e seus grandes escritores, vale lembrar o que diz Leon Tolstói, em Guerra e paz: “Desde que o mundo é mundo e os homens se matam uns aos outros que ninguém comete crime algum para com o semelhante sem tratar de apaziguar a consciência apelando para aquilo que se chama o interesse público, aquilo que se supõe ser o bem dos outros”.

Nosso consagrado escritor gaúcho Erico Verissimo, em Olhai os lírios do campo, lembrava que “é mais fácil arrastar um povo acenando-lhe com uma bandeira de ódio do que com uma bandeira de amor. Há mais ímpeto, mais força no ódio (…) É mais fácil levar os homens à guerra do que à oração”. Já autor famoso dos tempos atuais, Yuvah Noah Harari, em Sapiens – Uma breve história da humanidade, evidencia que ”a história não considera a felicidade dos seres humanos. E os indivíduos, por sua vez, costumam ser ignorantes e fracos demais para influenciar o curso da história em benefício próprio”. Ainda o russo Tolstói, em outro livro, afirma: “as pessoas não aspiram a fazer na vida o que consideram bom, mas a chamar de ‘minhas’ o maior número de coisas (…) Aquele que diz ‘meu’ para o maior número de coisas é considerado o mais feliz”.

Valho-me de mais um escritor, Henry Miller, de Colosso de Marússia, por concordar com sua opinião de que “a alegria vem através da paz, que não é estática, mas dinâmica. Nenhum homem pode dizer que sabe o que é a alegria antes de ter experimentado a paz”. Diante dessa realidade, parece oportuno o recado de Leandro Teles, ao abordar novos desafios do cérebro e saúde mental, de que “trazer o espírito de volta ao corpo é o desafio cotidiano”. Ao que ainda se pode acrescer o alerta da nossa querida santa-cruzense Lya Luft, há pouco falecida, em A riqueza do mundo: “Não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar nossa postura nele”. Eis o que desejo reforçar neste espaço e no pequeno mundo em que vivemos, onde precisamos buscar a felicidade dentro de nós e no encontro positivo com o outro, em ambiente melhor que é preciso construir a cada momento.

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