Na semana passada, enfocamos a escolha de São João Batista como patrono da Igreja Católica de Santa Cruz. Com base nas pesquisas de João Bittencourt de Menezes, publicadas em 1914, vamos destacar fatos que envolveram a construção da capela em louvor ao santo.
O orçamento da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, publicado em dezembro de 1851, destinou 4 contos de Reis para a edificação de uma capela na futura Povoação de São João de Santa Cruz, no local onde hoje está a Catedral.
Mas o assunto arrastou-se e só em julho de 1855 a obra começou. O arrematante foi o inglês Wilhelm (Guilherme) Lewis, considerado o primeiro morador da nossa cidade. Ele e a esposa Carlota de Albuquerque (Dona Carlota) eram muito ricos.
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O prazo para a conclusão da obra foi estipulado em dois anos. No entanto, os serviços sofriam percalços, pois o governo promovia alterações no projeto, como a construção da torre, que não estava no orçamento inicial. Em maio de 1857, o empreendedor foi chamado a Porto Alegre e assinou novo contrato.
Ele recebeu os adendos na planta, reforço no orçamento e um prazo de mais 24 meses para a conclusão. Mesmo assim, as dificuldades continuavam. Materiais como argamassa, tijolos, vidros, ferros e outros vinham de barco de Porto Alegre a Rio Pardo. Dali eram trazidos de carroça até a povoação. Quando chovia, os serviços paravam.
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Para tentar amenizar os problemas, o contratante criou uma olaria, na sua fazenda em Linha São João da Serra, e passou a fabricar os tijolos. De lá também vinha a madeira que usava. Mas as carroças, puxadas por parelhas de bois, sofriam nas picadas.
Em maio de 1859, foi realizada vistoria na obra (que estava atrasada) e feitas novas solicitações, como a instalação de para-raio na torre, colocação de ladrilhos e canalizações para escoamento de água. O governo reconheceu as dificuldades de Lewis, que foi dispensado de pagar a multa pelo atraso e ganhou mais um prazo para os serviços.
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Naquele ano, ainda foi criada a Paróquia de São João Batista e a capela foi elevada à Igreja Matriz. Finalmente, em dezembro de 1861, o governo deu por concluída a construção. No início, o templo era pouco usado, pois não havia vigário residente na freguesia. Em 24 de junho de 1863, no Dia de São João Batista, a matriz dedicada ao santo foi instalada e passou a ser atendida pelo padre José Stüer.
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