As eleições deste domingo, 4 de outubro, produziram movimentos distintos entre as principais candidaturas ligadas ao Vale do Rio Pardo. Enquanto nomes já consolidados conseguiram renovar seus mandatos, novas forças ampliaram significativamente a votação e conquistaram espaço nos legislativos estadual e federal. Por outro lado, políticos com décadas de trajetória registraram perdas importantes de votos e, em alguns casos, ficaram fora das cadeiras que disputavam.
Entre os candidatos da região acompanhados durante a apuração, Marcelo Moraes (PL) e Covatti Filho (PP) garantiram novas passagens pela Câmara dos Deputados. Na disputa pela Assembleia Legislativa, Edivilson Brum (MDB), Kelly Moraes (PL), Bruna Molz (Podemos) e Nicole Weber Covatti (PP) conquistaram vagas. Os resultados também colocam lado a lado trajetórias bastante diferentes: há políticos chegando ao primeiro mandato estadual e outros que acumulam décadas de disputas eleitorais.
O desempenho de 2026 permite ainda identificar mudanças no tamanho das bases eleitorais. Bruna Molz, por exemplo, praticamente triplicou a votação obtida quando concorreu ao mesmo cargo quatro anos atrás. Marcelo Moraes também avançou em relação a 2022. Em sentido contrário, candidatos como Kelly Moraes, Heitor Schuch, Airton Artus e Adolfo Brito apresentaram redução.
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Marcelo supera marca de 100 mil pela primeira vez
Entre as candidaturas federais da região, um dos principais crescimentos foi registrado por Marcelo Moraes. O deputado do PL ultrapassou os 103 mil votos e conquistou mais um mandato na Câmara. É a maior votação nominal de sua carreira política até aqui.
Em 2022, Moraes havia recebido 84.247 votos. Considerando a marca de 103 mil em 2026, o crescimento é de pelo menos 18,7 mil votos, uma expansão superior a 22% em quatro anos. O resultado também amplia uma trajetória de crescimento que começou ainda na política municipal.
Marcelo foi eleito vereador de Santa Cruz do Sul em 2008, quando recebeu 1.579 votos. Dois anos depois, conquistou sua primeira cadeira na Assembleia Legislativa, com 32.535. Foi reeleito deputado estadual em 2014, já com 52.269 votos, e migrou para a Câmara dos Deputados em 2018, quando somou 69.904. Em 2022 chegou a 84.247, antes de ultrapassar a casa dos 100 mil neste domingo. A trajetória também registra uma mudança partidária. As primeiras eleições foram disputadas pelo PTB, legenda pela qual chegou à Câmara em 2018. Em 2022, já filiado ao PL, foi reeleito.
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A força eleitoral do parlamentar historicamente passa por Santa Cruz do Sul. Em 2022, 26.010 dos votos recebidos por Marcelo vieram do município — 31% de toda a votação obtida por ele no Estado naquele ano. Vera Cruz, Venâncio Aires, Candelária e Rio Pardo também apareciam entre seus cinco principais redutos. Com o novo resultado, Marcelo chega ao quinto mandato eletivo consecutivo desde 2008: um como vereador, dois como deputado estadual e, agora, três como deputado federal.
Covatti mantém trajetória de quatro eleições vitoriosas
Outro nome que retorna à Câmara é Covatti Filho. O progressista recebeu mais de 123 mil votos em 2026, superando os 112.910 registrados quatro anos atrás.
O acréscimo é superior a 10 mil votos, equivalente a um crescimento de aproximadamente 9%. Diferentemente de outros candidatos da região, Covatti apresenta uma trajetória marcada por estabilidade: desde que disputou pela primeira vez uma cadeira de deputado federal, em 2014, venceu todas as eleições.
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Na estreia, foram 115.131 votos. Em 2018, mesmo com uma redução para 102.063, conquistou o segundo mandato. A votação voltou a crescer em 2022, para 112.910, e alcançou a maior marca de sua trajetória em 2026, acima dos 123 mil. Com isso, serão quatro legislaturas consecutivas na Câmara dos Deputados, abrangendo o período entre 2015 e 2031, caso complete integralmente o novo mandato.
Heitor Schuch perde votos e fica fora após três mandatos federais
Se Marcelo e Covatti avançaram, Heitor Schuch viveu movimento contrário. O parlamentar recebeu mais de 68 mil votos e não conseguiu renovar o mandato. Em 2022, Schuch havia alcançado 77.616 votos. Tomando os 68 mil como referência, a perda se aproxima de 10 mil votos e de 12% de seu desempenho anterior.
O resultado interrompe uma trajetória de seis eleições consecutivas vitoriosas. Schuch chegou à Assembleia Legislativa em 2002, pelo PSB, com 39.886 votos. Foi reeleito deputado estadual em 2006, com 59.397, e novamente em 2010, quando chegou a 66.591 votos.
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A mudança para Brasília aconteceu em 2014. Foram 101.243 votos na primeira eleição para deputado federal. Em 2018, atingiu o melhor resultado de sua carreira, com 109.053. Quatro anos depois, caiu para 77.616 e, agora, sofreu nova redução.
Somados os períodos na Assembleia e na Câmara, Schuch acumula seis mandatos parlamentares consecutivos desde 2003 — três estaduais e três federais. O pleito de 2026 encerra, portanto, um ciclo de 24 anos seguidos de mandatos eletivos. Há também uma mudança partidária relevante. Ele construiu praticamente toda essa trajetória pelo PSB, mas chegou à eleição deste ano filiado ao PSD.
Estreante passa dos 48 mil votos
Entre as candidaturas sem histórico eleitoral anterior, Evandro Augusto, do Missão, chamou atenção ao superar os 48 mil votos em sua primeira disputa.
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Não há eleição anterior que permita uma comparação direta, mas o resultado coloca o estreante em um patamar expressivo para uma primeira candidatura a deputado federal. Natural de Santa Cruz do Sul, Evandro disputou o pleito pelo recém-criado Partido Missão. Mesmo sem conquistar cadeira, a votação estabelece uma base eleitoral que poderá servir de referência para futuras disputas.
Situação diferente ocorreu com Eduardo Wartchow, do Novo. O candidato ficou pouco acima de mil votos, desempenho consideravelmente inferior ao registrado em sua primeira tentativa para a Câmara. Em 2018, Wartchow havia conseguido 5.490 votos. Assim, a votação deste ano representa uma redução próxima de 80%. Entre as duas eleições federais, ainda concorreu à Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul: recebeu 768 votos em 2020 e 453 em 2024.
Edivilson cresce e confirma segundo mandato
Na Assembleia Legislativa, Edivilson Brum conseguiu renovar o mandato iniciado em 2023. O emedebista ultrapassou os 36 mil votos, desempenho superior aos 34.358 conquistados em 2022. A diferença passa de 1,6 mil votos, crescimento de aproximadamente 5%.
Antes de chegar ao Parlamento estadual, Brum construiu sua carreira principalmente no Executivo municipal de Rio Pardo. Foi eleito prefeito em 2000, com 8.630 votos, reeleito em 2004, com 8.949, e voltou ao cargo em 2020, quando recebeu 9.872. Dois anos depois deixou a prefeitura para concorrer à Assembleia e conquistou a vaga.
Em 2022, Rio Pardo respondeu sozinho por 8.622 votos da campanha, praticamente um quarto de todo o desempenho estadual. Naquele pleito, 43,6% dos votos registrados no município para deputado estadual foram destinados a Brum. A vitória deste domingo garante ao político o segundo mandato consecutivo como deputado estadual.
Kelly garante nova legislatura mesmo com recuo
Kelly Moraes também conquistou uma nova cadeira na Assembleia, mas com votação inferior à registrada há quatro anos. A deputada recebeu mais de 56 mil votos. Em 2022, haviam sido 62.621. A diferença fica próxima de 6 mil votos, o que representa um recuo em torno de 10%.
Mesmo assim, o desempenho foi suficiente para prolongar uma das trajetórias eleitorais mais extensas entre os nomes da região. Kelly iniciou sua sequência de cargos legislativos em 2002, quando foi eleita deputada federal pelo PTB com 61.637 votos. Em 2006, passou para a Assembleia Legislativa e recebeu 43.316 votos. Dois anos depois, venceu a eleição para a Prefeitura de Santa Cruz do Sul com 37.385.
Após não conseguir a reeleição para prefeita em 2012 e ficar fora da Assembleia em 2014, voltou às urnas em 2016 e foi eleita vereadora com 2.373 votos. Em 2018, retornou ao Legislativo estadual, somando 44.755, e avançou para 62.621 em 2022. A trajetória inclui ainda a troca do PTB pelo PL. Com a vitória de 2026, Kelly chega ao quarto mandato como deputada estadual, além de já ter exercido um mandato federal, uma passagem pela Prefeitura e outra pela Câmara de Vereadores.
Bruna Molz quase triplica votação em quatro anos
A maior transformação entre os candidatos com resultados comparáveis ocorreu com Bruna Molz. Em 2022, então filiada ao Republicanos, ela recebeu 13.582 votos e ficou como suplente na disputa estadual. Neste domingo, já pelo Podemos, passou dos 38 mil e conquistou uma vaga na Assembleia. O crescimento é superior a 24 mil votos. Percentualmente, significa uma expansão próxima de 180% — ou seja, a candidata chegou a aproximadamente 2,8 vezes a votação obtida quatro anos antes.
Bruna começou sua trajetória eleitoral em 2012, quando concorreu à Câmara de Santa Cruz do Sul pelo PP e recebeu apenas 90 votos. Quatro anos depois, já pelo PTB, foi eleita vereadora com 1.673. Em 2020, filiada ao Republicanos, alcançou 2.235 e terminou como a candidata mais votada do município naquele pleito.
A sequência continuou com os 13.582 votos estaduais em 2022 e com a reeleição para vereadora, em 2024, quando recebeu 2.766 votos. Agora, aos mais de 38 mil, conquistou o primeiro mandato estadual. Além do crescimento numérico, sua trajetória chama atenção pelas mudanças partidárias: PP, PTB, Republicanos e, atualmente, Podemos.
Nicole salta da Câmara municipal para a Assembleia
Outra novidade entre os eleitos é Nicole Weber Covatti. A progressista conquistou pouco menos de 43 mil votos e garantiu seu primeiro mandato como deputada estadual.
Não é adequado estabelecer uma comparação direta entre esse número e seus pleitos anteriores, porque as disputas ocorreram apenas em Santa Cruz do Sul, enquanto a eleição de deputado abrange todo o Rio Grande do Sul. Ainda assim, a sequência mostra uma ascensão rápida na carreira política.
Nicole foi eleita vereadora em 2020 pelo PTB, com 1.840 votos. Em 2024, já filiada ao Podemos, aumentou a votação para 3.749 e garantiu a reeleição. Dois anos depois, trocou novamente de partido, ingressou no PP e alcançou aproximadamente 43 mil votos na disputa estadual. Será, portanto, a primeira vez que a parlamentar deixa a Câmara de Vereadores para assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Adolfo Brito encerra sequência iniciada em 1998
Entre as mudanças mais simbólicas da eleição está o resultado de Adolfo Brito. Depois de sete eleições consecutivas para deputado estadual, o progressista não conquistou um novo mandato. Brito ficou com pouco menos de 21 mil votos. Em 2022, havia recebido 28.115. Mesmo considerando 21 mil como referência, a perda supera 7 mil votos e 25% do desempenho anterior.
Sua primeira eleição para a Assembleia ocorreu em 1994. Depois disso, foi reeleito em 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Foram, portanto, oito eleições consecutivas vencidas e 32 anos ininterruptos de mandatos na Assembleia entre 1995 e o início de 2027.
O desempenho máximo dessa trajetória ocorreu em 2002, com 50.062 votos. Desde então, Brito oscilou entre a casa dos 40 mil e dos 50 mil até cair para 28.115 em 2022 e para menos de 21 mil neste ano.
Artus perde 3,6 mil votos e anuncia afastamento
Airton Artus também não conquistou vaga. O ex-prefeito de Venâncio Aires terminou a eleição com 20.663 votos. Em 2022, havia recebido 24.319. Foram, portanto, 3.656 votos a menos — queda de aproximadamente 15%.
A redução também ocorreu em seu principal reduto. Venâncio Aires havia entregado 16.309 votos a Artus em 2022. Neste ano, foram 13.180, diminuição de 3.129. Ainda assim, o município respondeu por cerca de 64% de toda a votação obtida pelo candidato em 2026.
Artus já foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Venâncio Aires por dois mandatos. Na busca pela Assembleia, havia terminado como suplente tanto em 2018, com 24.408 votos, quanto em 2022, com 24.319. Após o resultado deste domingo, anunciou que pretende se afastar do cenário político.
Rabuske amplia alcance, mas não conquista cadeira
Rodrigo Rabuske também não chegou à Assembleia, apesar de superar os 26 mil votos. Com 98,6% das urnas apuradas, aparecia com 26.555 votos. Assim como no caso de Nicole, não é possível comparar diretamente esse resultado com as eleições anteriores porque Rabuske nunca havia disputado um cargo estadual.
Em 2020, foi eleito vereador de Santa Cruz do Sul pelo PTB com 1.449 votos. Quatro anos depois, já pelo PL, alcançou 4.786 e foi o vereador mais votado do município. Em 2026, concorreu pelo Republicanos, terceira legenda diferente em três eleições. Embora não tenha conquistado a cadeira, a votação estadual representa uma ampliação significativa de sua presença eleitoral para além da disputa municipal.
Dois legislativos, funções diferentes
Os candidatos analisados disputaram vagas em duas casas legislativas diferentes. Os deputados federais representam a população na Câmara dos Deputados, em Brasília. Juntamente com o Senado, a Câmara compõe o Congresso Nacional. São 513 deputados federais em todo o país, com mandatos de quatro anos. Cada estado possui uma bancada proporcional à população, respeitando o mínimo de oito e o máximo de 70 representantes. O Rio Grande do Sul continuará com 31 cadeiras.
Já os deputados estaduais representam a população gaúcha na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O Estado elege 55 parlamentares, também para mandatos de quatro anos. Entre suas atribuições estão a participação nas sessões de plenário e nas comissões, a elaboração e votação de propostas de competência estadual, a fiscalização do Executivo e o acompanhamento de demandas encaminhadas por municípios, entidades e pela população.
Renovação convive com permanência
Vista em perspectiva, a eleição de 2026 combina permanência e renovação na representação política regional. Marcelo Moraes e Covatti Filho ampliaram suas votações e seguem para novos mandatos na Câmara. Edivilson Brum cresceu e garantiu mais quatro anos na Assembleia. Kelly Moraes, mesmo com desempenho inferior ao de 2022, manteve a cadeira. Ao mesmo tempo, Bruna Molz transformou uma votação de 13,5 mil em mais de 38 mil votos e conquistou seu primeiro mandato estadual. Nicole Weber Covatti também deixará a política municipal para estrear no Parlamento gaúcho.
Do outro lado estão trajetórias que perderam força. Heitor Schuch, depois de seis mandatos parlamentares consecutivos, ficou fora da Câmara. Airton Artus teve nova redução e anunciou afastamento da política. Adolfo Brito, deputado estadual desde a metade da década de 1990, não conseguiu prolongar uma sequência de oito eleições vitoriosas.
Mais do que definir os ocupantes das cadeiras, os números deste domingo mostram uma mudança no peso eleitoral de lideranças da região. Alguns nomes chegaram a 2026 maiores do que quatro anos atrás. Outros encerram o pleito com bases menores — e, em determinados casos, diante do fim de ciclos que atravessaram décadas da política gaúcha.
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