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DA TERRA E DA GENTE

Pensamentos infantis (ou adultos?)

Pais e avós convivem e se impressionam com o que, não raras vezes, ouvem dos filhos e netos ainda pequenos. Muitas vezes gostariam inclusive de lembrar frases e tiradas engraçadas, inspiradas e até filosóficas que pronunciaram em determinado momento (tanto que dá até para qualificá-las de adultas), mas bate o esquecimento. Assim que, em certos momentos, procurei anotar algumas delas vindas de dois netos que ficam mais próximos e, por isso mesmo, já são alvos de eventuais referências neste espaço, ainda mais neste mês em que as crianças recebem uma atenção especial.

Pois o neto Bernardo, de três anos, já mencionado em cinco de outubro, seguidamente sai com alguma pérola, como a que disse à vovó quando quis agradá-lo afirmando que ele era lindo: “Ah, não, vó! Eu sou Bernardo Kist Cardoso, três anos”. Já ao vô, quando perguntava ao menino onde estava indo quando passava por ele com seu patinete, ele simplesmente respondeu: “Pra lugar nenhum, pô!”. Ainda para a vó que lhe oferecia bolo para comer após o almoço: “Não quero. Hoje tô de folga”, querendo referir-se à folga da escolinha, onde a iguaria entra como sobremesa. E ao reclamar dele por rasgar pacote de bolacha: “Não rasguei, vó. Eu abri!”.

Com os pais, ele amplia ainda mais o repertório. O funcionamento do planeta lhe causa desconforto: “Ah, que chato, tá escurecendo de novo!”. Ou ao responder à saudação de “bom dia” da mãe: “Bom dia por quê, se nem clareou ainda?”. Por outro lado, quando está em bom astral, também não deixa de dizer o que sente: “Tô feliz!”, ao que o pai lhe faz uma pergunta difícil: Mas o que é ser feliz? Ele pensa um pouco e tasca: “É eu te amo!”, o que não deixa de traduzir uma grande verdade, pois é difícil imaginar a felicidade sem amor.

O pequeno “filósofo” e observador também faz suas indagações ao pai, que está olhando o horizonte ao final de mais um dia de pandemia, em “home-office” na nossa casa: “O que você tá fazendo: tá pensando na vida?”, por certo repetindo observação feita pelo genitor em ocasiões onde encontra o filhote concentrado em outro mundo. Após a volta ao trabalho normal, o pequerrucho cobra também ao paizão que não fique muito além do horário (“antes de escurecer”), pois deixa claro que ainda quer brincar com ele. E ao ver o pai ir ao trabalho e justificar que precisa fazer isso, o pequeno, afinal conformado, diz, não sem deixar uma recomendação de adulto: “Tá bom! E vai trabalhar bem, tá pai!”.

Quem também já filosofava, ou pelo menos manifestava pensamentos expressivos na infância (um pouco mais avançada, aos seis/sete anos), é a neta Isadora, a primeira, que me chamava de “pai-avô” e já completou os inquietantes 15 anos neste mês. Pois, “naquele tempo”, já mostrava uma personalidade forte, em seus traços sensíveis: “A mulher manda porque é delicada”, afirmava, o que, apesar da aparente contradição, dá o que pensar, pois o erradamente considerado “sexo frágil”, usando o seu jeito todo especial, pode conquistar e mandar muito.

Quando lhe informavam de que iria junto a passeio na bisavó, ela reagia: “E vocês já perguntaram qual é a minha opinião”. Quando a “bisa” insistia, e até chantageava, para comer, respondia: “Você tá me provocando”. E ainda quando lhe pediam para decidir o que queria comer, mesmo não sendo muito de falar, tinha resposta pronta: “Eu quero é ser feliz!”. Pois é o que mais posso desejar a ela neste momento especial e neste mês das crianças, às quais o livro sagrado cristão indica que nós, adultos, devemos nos equiparar, justamente para sermos felizes.

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