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Foragido

Perfis falsos, ameaças e vídeos íntimos: a conclusão da Polícia Civil sobre crimes virtuais em Santa Cruz

Foto: Banco de Imagens/Gazeta do Sul

A conclusão de dois inquéritos da Polícia Civil trouxe novos detalhes sobre uma série de crimes virtuais investigados em Santa Cruz do Sul. Os casos, que inicialmente eram tratados de forma separada, levaram os investigadores da 1ª Delegacia de Polícia ao mesmo suspeito. A investigação foi comandada pelo delegado Guilherme Dill.

A apuração revelou um método baseado na criação de identidades falsas, aproximação das vítimas pela internet e posterior uso de conteúdo íntimo para obter dinheiro ou provocar situações contra elas.

Vítimas eram atraídas pela internet

O investigado criava perfis femininos falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens. Para dar credibilidade às contas, utilizava fotos e dados de mulheres reais sem autorização.

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Depois de estabelecer contato com os homens, conseguia obter vídeos, imagens e outras informações pessoais. O material passava a ser utilizado como instrumento de pressão.

As ameaças incluíam a divulgação do conteúdo para familiares, colegas de trabalho, instituições de ensino e outros círculos de convivência das vítimas.

Extorsão se prolongou por anos

Um dos casos chamou atenção pelo volume de dinheiro envolvido. Uma vítima realizou pagamentos que somaram cerca de R$ 35 mil. Parte das transferências foi feita diretamente e parte passou por contas de terceiros.

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A exigência não se limitou aos valores em dinheiro. Segundo a investigação, também houve cobrança para a compra de medicamentos controlados.

Quando a vítima deixou de pagar, o material íntimo foi divulgado em grupos de WhatsApp. As redes sociais dela também foram utilizadas para ampliar a exposição.

Outro caso investigado teve início em 2022. A vítima chegou a instalar um aplicativo de rastreamento no celular por determinação do suspeito.

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A situação se agravou após a interrupção dos pagamentos. Vídeos íntimos foram enviados a grupos relacionados ao trabalho da vítima, que também passou a sofrer perseguições e ataques à reputação. Em outra situação, uma videochamada íntima foi gravada sem consentimento e encaminhada a familiares.

Investigação encontrou outras fraudes

A Polícia Civil identificou ainda o uso das informações das vítimas para criar novas identidades e personagens na internet.

Os dados também teriam sido utilizados para provocar conflitos e formular denúncias falsas. Em um dos episódios, informações de uma vítima serviram para registrar uma denúncia falsa contra ela em uma instituição de ensino superior.

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A investigação avançou para além dos crimes relacionados ao conteúdo íntimo. Durante uma busca autorizada pela Justiça, os policiais encontraram materiais que indicavam possível fraude envolvendo medicamentos controlados.

Entre os itens apreendidos estavam um carimbo médico falso, receitas falsificadas, notificações de receita e receituários médicos em branco. Um celular, um notebook e chips também foram recolhidos.

Provas reunidas levaram ao indiciamento

A investigação cruzou diferentes informações para chegar ao suspeito. Entre os elementos analisados estão transferências bancárias, dados fornecidos por empresas de tecnologia e telefonia, números de telefone e contas utilizadas para recuperação de e-mails.

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Os aparelhos e documentos apreendidos durante a operação também foram incorporados ao conjunto de provas.

Ao final dos dois procedimentos, o investigado foi indiciado, de acordo com os fatos apurados em cada caso, por extorsão, divulgação de cena de sexo ou pornografia sem consentimento, perseguição, falsa identidade, falsidade ideológica, falsificação de documento público e uso de documento falso.

Prisão preventiva foi decretada

A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do investigado após a conclusão das apurações. O pedido foi aceito pelo Poder Judiciário, que decretou a prisão. Ele é considerado foragido.

Os dois inquéritos agora estão concluídos, com o encaminhamento das investigações para as demais etapas do processo judicial.

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