Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

ORIGENS ALEMÃS

Produção filmada no interior de Santa Cruz estreia em Boa Vista

Foto: Rodrigo Assmann

O ginásio de Linha Boa Vista se transformou em Hollywood na noite dessa sexta-feira, 31, para a estreia do filme “Milena – Resgatando Nossas Origens Alemãs”. Cerca de 700 pessoas acompanharam a primeira exibição pública do média-metragem gravado no interior de Santa Cruz do Sul, produção independente que reúne moradores da comunidade em frente às câmeras e resgata costumes e tradições da imigração alemã por meio de uma história contada quase inteiramente no dialeto local.

Com 58 minutos de duração e classificação livre, a obra acompanha Milena, interpretada por Milena Back, uma menina de 10 anos que, após uma conversa com a avó, passa a imaginar vivências dos antepassados. As filmagens ocorreram em Boa Vista, Linha General Osório e Linha Sete, mobilizando mais de 350 moradores entre elenco e figurantes, além de dezenas de voluntários que cederam casas, galpões, animais e objetos utilizados nas cenas.

O filme nasceu do sonho da família Back, conhecida pelos vídeos em dialeto alemão publicados nas redes sociais. Para o diretor e roteirista Sergio Rosa, porém, a produção vai muito além de uma adaptação desse conteúdo. “É um projeto que nasce da essência da comunidade e da vontade de preservar a própria história.”

Publicidade

LEIA MAIS: Gincana do Alemão reúne equipes para primeiro desafio da terceira edição

O roteiro, segundo Rosa, foi sendo moldado durante as próprias gravações, acompanhando a participação dos moradores. “O acolhimento e o afeto que recebemos deram tranquilidade para escrever e produzir. As pessoas queriam fazer parte do filme e isso fez toda a diferença.”

Durante uma das diárias de gravação em Linha General Osório, ficou evidente o envolvimento da comunidade, quando cerca de 110 moradores aguardavam a equipe dentro da igreja para participar de uma única cena. “Eles respeitaram todo o processo do cinema, repetindo cenas quantas vezes fosse necessário. O resultado passa pelas mãos de cada uma das mais de 350 pessoas que estiveram diante das câmeras e também daqueles que ajudaram emprestando casas, galpões, animais, ferramentas e tantos outros elementos da produção.”

Publicidade

Quase toda a narrativa é falada no dialeto alemão, com exceção das cenas de abertura e encerramento. Para o diretor, essa escolha torna a produção pioneira. “Não existe outro filme brasileiro de ficção produzido no dialeto alemão. É um projeto que representa comunidades de origem germânica de diferentes regiões do Sul do Brasil.”

LEIA TAMBÉM: “A palavra, para mim, sempre foi motivo de encantamento”, afirma Rossyr Berny

Ao acompanhar a estreia, Rosa destacou que o momento teve um significado especial por reunir na plateia justamente as pessoas que ajudaram a construir o filme. “Grande parte das pessoas que assistiu ao filme também estava na tela. Agricultores, estudantes e donas de casa passaram a se enxergar como artistas. É uma noite histórica.”

Publicidade

Uma cena para Loni

Entre os muitos personagens que aparecem em “Milena – Resgatando Nossas Origens Alemãs”, uma participação tem um significado especial para o diretor Sergio Rosa. Dona Loni Schmidt, de 78 anos, proprietária da casa que serviu como principal locação do filme, já havia cedido o imóvel para outra produção audiovisual anos antes. No entanto, segundo Rosa, ela nunca teve oportunidade de assistir ao resultado daquele trabalho. “Quando cheguei à casa dela, percebi que havia uma frustração por nunca ter visto o filme que foi gravado ali. Aquilo me marcou muito”, contou.

A partir disso, o diretor decidiu criar uma cena especialmente para que ela também integrasse o elenco. Para Rosa, episódios como esse sintetizam o espírito da produção, construída lado a lado com a comunidade e marcada pelo envolvimento dos moradores em todas as etapas das gravações. 

LEIA MAIS: Caça-fantasmas fazem investigação no Colégio Dom Alberto em Santa Cruz

Publicidade

“Quis que ela pudesse se ver na tela e guardar essa lembrança. Tenho certeza de que, se um dia a casa voltar a ser cenário de outro filme, a história que ela vai contar será diferente. Ela deixa um lugar de dor para viver uma experiência de alegria e pertencimento.” Na estreia, Loni aguardava ansiosa para se ver na tela. “Foi a primeira vez que participei de um filme. Gostei muito. Quando perguntaram se poderiam gravar lá em casa, eu disse que sim. Fiquei muito feliz.”

Diretor Sérgio Rosa e Loni Schmidt. Foto: Rodrigo Assmann

Sonho da família Back que ganhou nova vida nas telas 

O sonho de transformar os vídeos produzidos para as redes sociais em um filme começou dentro da casa da família Back. Segundo o agricultor Edson Back, a iniciativa surgiu depois que a filha Milena passou a chamar atenção ao cantar e gravar vídeos em dialeto alemão.

“Os vídeos começaram a ter muita visualização e surgiu a ideia de fazer uma coisa maior. Sempre tivemos esse sonho, mas faltava encontrar as pessoas certas para colocar o projeto em prática”, afirmou.
O encontro com o diretor Sergio Rosa aconteceu depois que Edson assistiu a uma reportagem sobre o trabalho desenvolvido pelo cineasta e sua equipe. “Conversamos, marcamos uma reunião e tudo foi se encaixando.”

Publicidade

LEIA TAMBÉM: Evento em Santa Cruz orienta artesãos sobre como vender com segurança na internet

Para Edson, produzir o filme quase inteiramente em dialeto alemão foi uma escolha natural. “A ideia era justamente mostrar que essa língua não pode se perder. Hoje são poucas as crianças que ainda falam alemão, e as pessoas mais velhas gostam de ouvir isso. É uma forma de preservar as nossas origens.”
Ver o resultado pronto também emocionou a família. “Foi fantástico. Teve momentos para rir e outros para se emocionar. Ficou um trabalho muito bonito”, comentou.

A protagonista Milena Back, de apenas 10 anos, também resume a experiência como inesquecível. Embora já aparecesse nos vídeos publicados pela família, ela conta que atuar em um filme foi uma experiência diferente. “Eu nunca tinha atuado, mas não foi tão difícil.” Ela conta que falou apenas alemão até os 4 anos de idade e precisou reaprender algumas palavras durante as gravações. “Tinha palavras que eu não conhecia muito bem, então a gente gravou várias vezes até dar certo.”

Depois de assistir ao filme duas vezes antes da estreia, Milena disse que ainda se emociona ao se ver na tela. “É muita emoção. Tem nervosismo, alegria… tudo misturado.” Ao ver o ginásio lotado para acompanhar a primeira sessão, ela acredita que o filme também desperta lembranças em quem viveu aquela época. “Os idosos vão reviver muitas histórias e lembrar de quando tudo era em alemão.” Sobre o futuro, a menina encara a experiência como apenas o começo. “A minha mãe sempre brinca que eu sou uma atriz que a Globo ainda não conhece. Quem sabe eu faça mais filmes?”

Filme surgiu dos vídeos de Edson e Rosemeri para evidenciar talentos de Milena. Foto: Rodrigo Assmann

LEIA AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO PORTAL GAZ

QUER RECEBER NOTÍCIAS DE SANTA CRUZ DO SUL E REGIÃO NO SEU CELULAR? ENTRE NO NOSSO NOVO CANAL DO WHATSAPP CLICANDO AQUI 📲. AINDA NÃO É ASSINANTE GAZETA? CLIQUE AQUI E FAÇA AGORA!

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.