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MARCIO SOUZA

Profissionalismo de Tadeu

Oscar Schmidt marcou época no basquete mundial

O Brasil, pelo menos aqueles que amam os esportes, entrou em período de luto, na última sexta-feira, com a morte de Oscar Schmidt. O cestinha do basquete nacional, referência mundial de profissionalismo e de humanidade, arremessou sua última bola. E, como sempre treinava até o esgotamento, foi de três pontos.

Ficou como legado a capacidade de vencer seus desafios, encarar o impossível, como foi a partida contra os invencíveis dos Estados Unidos, sem perder a capacidade de se emocionar. Permitiu-se ser visto chorando nas vitórias e nas derrotas, mostrando que até os heróis têm seus momentos de emoção e aparente fragilidade.

Mas como imaginar fragilidade em um “armário” de 2,05 metros? Como pensar que poderia ter alguma fraqueza aquele tanque capaz de lançar a bola laranja como míssil teleguiado para chegar à cesta e transformar-se em três pontos? Fez isso tantas vezes que se aproximou dos 50 mil pontos.

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Esse perfil vencedor, com persistência, muito treinamento e obstinação certamente tem uma origem. E serve de inspiração para muitos outros. Talvez, no caso de Oscar, esteja no DNA. Mas o que leva cogitar essa possibilidade? O exemplo dado pelo seu irmão, o apresentador do Big Brother Brasil, Tadeu Schmidt.

No dia em que perdeu seu ídolo, o cara em quem tentava se espelhar, aquele que lhe puxava a orelha quando estava errado e o aplaudia nas conquistas, quando se esperava vivenciasse o luto com os seus familiares, Tadeu compareceu ao trabalho. Estava, por óbvio, emocionado, com a fala embargada, mas com a sensação de que agia como Oscar agiria, que cumpria sua obrigação profissional assim como o irmão, que chegou a jogar com a mão quebrada para não abandonar seus colegas.

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Em um momento em que o Brasil discute se quer uma lei que permite o regime 6×1 ou determina a redução para 5×2, vemos um profissional superar sua maior dor para cumprir suas obrigações. Lembrei da vez em que trabalhava em uma emissora de rádio e tive que ler a nota de falecimento de minha saudosa avó. Dona Nena era ouro para mim, mas, assim como Oscar, tenho certeza que ela gostaria que eu cumprisse com minha responsabilidade, depois pudesse vivenciar o luto como era esperado.

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Por certo, muitos dos que estão lendo esse texto pensarão que teve atitude errada, porque a relação da empresa com o funcionário é resultado de interesse, que amanhã ou depois ele pode ser dispensado sem importar se ele enfrentou ou não esse desafio. Não importa. Se isso ocorrer, ele terá honrado seu compromisso com o irmão, com sua consciência, e será um grande profissional em outra empresa.

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É claro que, muitas vezes, é possível melhorar essa troca de suor e conhecimento por dinheiro. Darcy da Mangueira desenhou essa vontade na letra interpretada por Martinho da Vila, Samba do Trabalhador: “Eu não vou trabalhar, eu só vou, eu só vou se o salário aumentar”. E Raul Seixas mostrou que todas as funções estão interligadas, que o mundo é uma corrente em que a “dona de casa não saiu pra comprar pão, pois sabia que o padeiro também não estava lá”.

A presença do padeiro ou de Tadeu, na condição em que estava, é uma questão pessoal. Se não comparecesse, tudo bem. Mas o fato de ter ido mostra que é uma pessoa diferenciada. Por mais Tadeus nas empresas e na sociedade.

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