A safra de tabaco 2025/2026 apresentou redução de 1,3% no volume produzido nos três estados da região Sul. De acordo com os dados apresentados nessa quarta-feira, 26, pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), diminuiu de 719.891 toneladas para 710.229 toneladas.
O presidente da entidade representativa dos produtores, Marcilio Drescher, avaliou os números e apontou necessidade de cautela em relação à próxima safra. “Muitos já entenderam que menos é mais. Quanto menos oferta de produto, há maior possibilidade de o preço aumentar. Isso já ocorreu em outros períodos”, ressaltou.
O Rio Grande do Sul registrou a maior queda do período. O resultado decorreu mais do impacto climático, que reduziu a produtividade, do que da aplicação do conceito econômico de oferta e procura – fator determinante na formação dos preços pagos aos produtores. Os gaúchos encerraram a safra com 286.603 toneladas, um recuo de 5,5%, em uma área cultivada de 132.076 hectares (apenas 0,2% menor que a do ciclo anterior).
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A análise da Afubra aponta que a safra apresentou comportamento diverso entre as regiões produtoras. Em algumas áreas as lavouras tiveram bom desempenho vegetativo, sanidade adequada e resposta favorável às chuvas. Em outras, frio prolongado, geadas, excesso de umidade, ventos, chuvas intensas, granizo e períodos de estiagem comprometeram parcialmente o rendimento. “Foi uma safra bastante heterogênea, por isso a realidade não foi a mesma para todos produtores”, afirma.

Presidente da Afubra, Marcilio Drescher (ao microfone), apresentou dados e alertou o setor sobre a quantidade de tabaco | Foto: Marcio Souza
Em números

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Na safra atual, o número total de famílias no setor produtivo passou de 138.020 para 135.972. Além disso, houve redução da produtividade, de 2.322 quilos por hectare para 2.299, enquanto teve acréscimo o tamanho das áreas dedicadas ao tabaco nas propriedades, que passaram de 2,5 hectares por produtor para 3,1.
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Esse aumento, alerta Marcilio Drescher, pode impactar o custo da produção, porque exige mais mão de obra terceira. “É o que mais influencia na definição do valor. Representa 40%do custo por hectare produzido”, explica.
Assim, aumentar a produtividade vira desafio. Um exemplo é Venâncio Aires, que já liderou o ranking dos maiores produtores e hoje está em quinto. Atrás de Rio Azul, no Paraná, e Itaiópolis, Santa Catarina, que têm áreas de produção menores. A liderança neste ano foi assumida pelo município paranaense de São João do Triunfo, que destronou o gaúcho Canguçu.
A safra 2026/2027 inicia-se com sinal de alerta. Persistem os fatores que influenciam na diminuição dos preços pagos: a valorização do real, fazendo com que o dólar perca valor (a maior parte das negociações são em dólar, pois são destinadas à exportação); os tamanhos das safras brasileiras e dos principais países produtores; e o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os produtos brasileiros.
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A questão climática também é motivo de atenção na cadeia produtiva. A força do El Niño pode prejudicar a produtividade.
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