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Resident Evil transforma a experiência dos jogos em um terror brutal no cinema

Foto: Divulgação

Bryan (Austin Abrams) é um entregador de órgãos que recebe uma notícia que irá mudar sua vida: a namorada está grávida. Ele mal consegue processar a novidade quando aceita uma última entrega naquela noite, em Raccoon City. O que parecia apenas mais um trabalho se transforma em luta pela sobrevivência quando descobre que a cidade foi atingida por um vírus que provocou mutações na população. Agora, precisa atravessar uma noite de terror para sobreviver e terminar o serviço.

Essa é a premissa de Resident Evil, nova adaptação dos jogos, dirigida por Zach Cregger. A franquia, iniciada nos videogames em 1996, redefiniu o horror de sobrevivência e influenciou o gênero. Cregger demonstra conhecer bem essa essência: mais do que adaptar uma história conhecida, tenta reproduzir a experiência de jogar.

O roteiro não é ambicioso – e isso é uma qualidade. Bryan tem um objetivo claro e o filme não se perde em subtramas desnecessárias. A história avança de maneira objetiva, concentrando sua atenção no personagem e no terror. A progressão também remete diretamente aos jogos: Bryan começa com uma pistola, encontra novas armas, precisa procurar recursos, administrar munição e superar obstáculos cada vez maiores.

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A ambientação reforça essa sensação. Casas fechadas, campos abertos, florestas isoladas e a própria cidade são transformados em espaços ameaçadores. Não importa onde Bryan esteja, sempre existe a possibilidade de alguma ameaça surgir. Cregger trabalha muito bem essa expectativa, criando tensão a partir daquilo que o personagem e o público ainda não consegue enxergar.

Essa escolha fica ainda mais interessante porque Bryan está muito longe do protagonista tradicional de Resident Evil. Não é policial ou militar. É um homem comum, sem habilidade com armas e despreparado para aquela situação. Ele sente medo, erra e reage de maneira humana. Austin Abrams entende isso muito bem e sustenta boa parte do filme praticamente sozinho, fazendo com que seja fácil criar empatia pelo personagem.

Cregger também utiliza a linguagem dos jogos de maneira bastante evidente. Em vários momentos, a câmera acompanha Bryan como se estivéssemos observando um personagem em terceira pessoa. A sensação é de vivenciar uma partida de Resident Evil, mas com humanos no lugar dos personagens digitais. O humor nasce principalmente das reações desesperadas de Bryan. Algumas funcionam muito bem; outras acabam se repetindo mais do que deveriam.

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Quando o assunto é horror, porém, Creg-ger não economiza. Depois de mostrar sua habilidade com o grotesco em Noites Brutais e A Hora do Mal, ele encontra em Resident Evil um universo perfeito para explorar o horror corporal. O sangue e as vísceras são usados sem parcimônia, com cenas que chegam a ser genuinamente nauseantes. É uma brutalidade que aproxima o cinema da experiência mais visceral dos jogos.

A principal ressalva está no terceiro ato. Cregger faz novamente aquilo que já se tornou uma característica de seus filmes: quebra as expectativas e muda radicalmente o tom. É uma escolha que pode funcionar para alguns espectadores, mas também pode tirar outros da experiência construída até ali. Ainda assim, isso não tira o mérito do que funciona tão bem no restante da produção.

Resident Evil é, acima de tudo, um filme de terror eficiente e que sabe o que quer proporcionar: divertir e chocar. E deve ser visto no cinema, onde o som, a escuridão, a atmosfera e os sustos ganham força.

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O fator fidelidade

Resident Evil chega aos cinemas provocando uma discussão entre os fãs: afinal, onde estão os elementos clássicos da franquia? Zach Cregger causou polêmica ao criar uma história original e suas próprias criaturas, em vez de simplesmente recontar tramas conhecidas dos jogos.

A escolha funciona dentro da proposta, especialmente no horror corporal, mas pode frustrar quem esperava referências mais familiares. Os monstros clássicos, por exemplo, fazem falta para quem conhece os jogos. E, justamente porque Cregger reproduz tão bem a experiência de jogar, a ausência desses elementos torna-se frustrante.

Contudo, Resident Evil nunca foi sinônimo de fidelidade nas adaptações para o cinema: os filmes anteriores também levaram personagens e criaturas dos jogos para a tela, mas frequentemente se afastaram da essência do horror de sobrevivência. Já Cregger faz um caminho diferente: é mais fiel à experiência de jogar do que aos elementos que os fãs associam à franquia.

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