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SÉTIMA ARTE

Santa Cruz destaca economia do audiovisual no Festival de Gramado

Santa Cruz do Sul volta a marcar presença no Festival de Gramado e mostra a força do audiovisual. Na quarta-feira, 12, o Município apresentou as ações do setor durante o 1º Encontro Internacional de Cidades, evento que integra a 10ª edição do Conexões Gramado Film Market.

O painel “Audiovisual como economia e marca territorial: a experiência de Santa Cruz” reuniu a secretária municipal de Turismo, Jaqueline Marques de Souza; a diretora-geral da Santa Cruz Film Commission, Natália Corrêa; a presidente da Associação Santa Cruz de Cinema, Marcela Schild; e o criador e diretor artístico do Festival Santa Cruz de Cinema, Diego Tafarel.

A participação teve como foco mostrar como o município tem estruturado um ecossistema audiovisual e utilizado as produções como uma possibilidade de diversificação econômica. Além da cadeia formada por produtoras e profissionais, a proposta envolve a atração de filmagens, que resulta na movimentação de hotéis, restaurantes, comércio e prestadores de serviços e, posteriormente, na transformação das locações e imagens da cidade em atrativos turísticos.

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“O audiovisual, além de sua relevância cultural, é uma ferramenta estratégica para o turismo e o desenvolvimento econômico: projeta nossas paisagens, nossa identidade e nossos atrativos, ao mesmo tempo que movimenta a hotelaria, a gastronomia, o comércio e diversos prestadores de serviços”, destacou Jaqueline.

Uma nova fase para o audiovisual

Durante o painel, também foi apresentada a trajetória que levou Santa Cruz a formar um polo audiovisual no interior. A cidade possui o curso de Audiovisual mais antigo do Rio Grande do Sul; o Festival Santa Cruz de Cinema, que chegará à 10ª edição em 2027; e um ecossistema com mais de 50 produtores associados e mais de 100 profissionais atuando diretamente no setor. A Film Commission, por sua vez, está em atividade há três anos e trabalha na atração e no suporte a produções.

Um dos pontos destacados foi o modelo de atuação da comissão, que combina a articulação do poder público com o conhecimento técnico do setor privado. A estrutura auxilia em autorizações, articulação com secretarias e preparação da cidade para receber equipes, além de atuar na prospecção de produções e na divulgação de possíveis locações. O trabalho também envolve a participação em eventos do setor e o mapeamento de espaços, com fotos, vídeos e imagens aéreas disponibilizados para produtores interessados.

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A estratégia já começa a apresentar resultados. Em um dos exemplos apresentados, uma produção que inicialmente previa quatro semanas de gravações em Uruguaiana acabou por realizar três semanas em Santa Cruz após a atuação da Film Commission e dos produtores locais. O caso foi citado como uma mudança em relação a situações do passado, quando a cidade perdeu oportunidades por não contar com uma estrutura preparada para receber produções. Entre os exemplos lembrados esteve “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello, que teve Santa Cruz considerada como locação, mas acabou sendo realizado na Serra Gaúcha.

A participação no encontro, que segue até sexta-feira, 14, também busca ampliar a rede de contatos de Santa Cruz e aproximar o município de novas produções e parcerias. Para a Secretaria de Turismo e a Film Commission, a iniciativa faz parte de um trabalho de médio e longo prazo para consolidar a cidade como um território preparado para o audiovisual e, com isso, gerar negócios, movimentar a economia e ampliar o interesse turístico pelo município.

Uma atuação que vai além das filmagens

A atuação da Santa Cruz Film Commission não se limita ao atendimento de produções que chegam ao município. O trabalho envolve a prospecção de projetos, o mapeamento de possíveis locações e a apresentação da estrutura disponível na cidade. Para isso, são mantidos materiais com fotos, vídeos e imagens aéreas dos espaços, facilitando o contato com produtores de diferentes regiões.

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A preparação também envolve a comunidade e o setor de serviços. A intenção é mostrar a hotéis, restaurantes, estabelecimentos comerciais e prestadores que uma produção audiovisual pode representar circulação de pessoas e recursos durante o período de filmagens. A proposta, portanto, é fazer com que o impacto econômico ultrapasse a equipe diretamente envolvida na produção.

Outra frente é a participação em eventos e encontros do setor, como o próprio Conexões Gramado Film Market. A presença nesses espaços permite criar contatos, apresentar Santa Cruz como opção de locação e aproximar produtores da estrutura local. O objetivo é que as filmagens sejam também uma porta de entrada para que o público conheça a cidade e, posteriormente, tenha interesse em visitá-la.

Exemplo

Ralfe Cardoso, coordenador do Conexões Gramado Film Market, destacou a participação de Santa Cruz como um exemplo de como municípios que não são capitais podem desenvolver a economia criativa a partir de suas próprias características. Segundo ele, a experiência apresentada no encontro demonstra que o movimento audiovisual da cidade, com o Festival Santa Cruz de Cinema, a Film Commission e as ações do poder público, cria um ambiente inovador e pode contribuir para projetar o Rio Grande do Sul nos próximos anos. Para Cardoso, Santa Cruz se consolida como um case importante dentro do Festival de Cinema de Gramado e mostra a outros gestores o potencial dos municípios do interior.

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