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VÍDEO: SIRC 2026 debate como mudanças sociais estão transformando a forma de morar

As transformações no comportamento da sociedade estão mudando também a maneira como as pessoas escolhem onde e como morar. Essa foi uma das principais reflexões apresentadas por Ricardo Franck, CEO da Rosacruz Incorporadora, na abertura do SIRC 2026 – Salão Imobiliário Rosacruz, realizada nesta terça-feira, 22, em Santa Cruz do Sul.

Com o tema “Evolução Social: a influência no morar”, Franck apresentou uma leitura sobre as mudanças demográficas, tecnológicas e comportamentais que vêm alterando a relação das pessoas com a moradia. A palestra abriu a programação do circuito, que neste ano tem como conceito “Imóveis além do agora”.

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Ao longo da apresentação, o empresário defendeu que aspectos tradicionalmente utilizados para avaliar um imóvel, como metragem e número de dormitórios, passam a dividir espaço com outros critérios. Entre eles estão localização, conveniência, tecnologia, áreas de convivência, serviços e, principalmente, a capacidade de o empreendimento contribuir para a qualidade de vida de seus moradores.

“A nossa matéria-prima não é tijolo e concreto, são pessoas”, afirmou Franck durante a palestra.

Para o executivo, o imóvel precisa ser entendido como parte de um ecossistema de vida, integrado às necessidades cotidianas dos moradores.

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Fotos: Karina Araújo

Da separação entre casa e trabalho à integração de diferentes rotinas

Franck iniciou a análise a partir das transformações provocadas pelo processo de urbanização. Com a Revolução Industrial, explicou, morar e trabalhar passaram a ocupar espaços distintos e o deslocamento se tornou parte importante da organização das cidades.

Décadas depois, a digitalização, o trabalho remoto e a oferta de serviços por aplicativos começaram a alterar novamente essa lógica.

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A residência, segundo ele, voltou a concentrar atividades que durante muito tempo permaneceram separadas. Trabalho, lazer, descanso, consumo e convivência passaram a dividir o mesmo espaço ou a depender de estruturas disponíveis a poucos minutos de distância.

Nesse contexto, o tempo passou a ocupar posição central nas decisões relacionadas à moradia.

“O maior patrimônio é o tempo”, resumiu Franck.

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Essa mudança ajuda a explicar, segundo o palestrante, a valorização de empreendimentos próximos a comércio, serviços e estruturas que possibilitem resolver parte significativa da rotina sem grandes deslocamentos.

Proximidade ganha espaço na decisão imobiliária

Outro conceito abordado foi o de caminhabilidade, utilizado para avaliar a possibilidade de realizar atividades cotidianas a pé a partir de determinada localização.

Durante a apresentação, Franck utilizou indicadores de Walk Score para demonstrar como empreendimentos próximos a serviços, comércio e equipamentos urbanos podem responder às mudanças no perfil de consumo e de mobilidade.

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A lógica também se estende para dentro dos condomínios. Espaços que antes eram considerados diferenciais passam, segundo ele, a integrar a própria proposta de funcionamento dos empreendimentos.

Lavanderias compartilhadas, mercados autônomos, ambientes de trabalho, academias e diferentes áreas de convivência aparecem entre os exemplos apresentados.

A ideia é reduzir deslocamentos e permitir que atividades recorrentes façam parte da estrutura disponível ao morador.

Envelhecimento e novos formatos de família influenciam projetos

Parte significativa da palestra foi dedicada às mudanças demográficas.

Franck apresentou dados e projeções sobre a redução do número de filhos por família e o crescimento da população idosa. A tendência, segundo ele, exige que o mercado imobiliário considere públicos com maior longevidade, autonomia e participação econômica.

O palestrante utilizou o conceito de “New Olders” para representar uma geração que envelhece mantendo vida social ativa, independência, interesse por saúde, tecnologia, bem-estar e experiências.

A mudança ocorre simultaneamente à diversificação dos arranjos familiares.

Pessoas morando sozinhas, casais sem filhos, famílias recompostas, idosos independentes e profissionais que dividem sua rotina entre diferentes cidades criam demandas distintas daquela família tradicional para a qual grande parte dos imóveis foi projetada nas últimas décadas.

Para Franck, esse cenário muda também a pergunta que deve orientar um empreendimento.

Em vez de começar exclusivamente por “quantos dormitórios o imóvel precisa ter?”, o setor deve procurar compreender como aquele público pretende viver.

Participação feminina também altera decisões de consumo

A transformação do papel da mulher na sociedade foi outro ponto apresentado durante a palestra.

Franck destacou o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho, a independência financeira e a presença cada vez maior das mulheres nas decisões relacionadas à aquisição de patrimônio.

Na avaliação dele, a transformação não afeta apenas o perfil do comprador. Também interfere na composição das famílias, na maternidade, na idade do casamento e nas características procuradas em um imóvel.

São mudanças que, combinadas, exigem do mercado uma leitura mais ampla sobre comportamento e consumo.

Moradia passa a incorporar serviços

Uma das teses apresentadas pelo CEO da Rosacruz é que o imóvel deixa gradualmente de ser compreendido apenas como produto físico.

Serviços, tecnologia, conveniência e gestão também passam a integrar a experiência do morador.

Franck citou empreendimentos com mercados autônomos, lavanderias, espaços de trabalho e estruturas compartilhadas como exemplos desse processo de servitização.

Essa mudança também está relacionada a outro comportamento observado pelo mercado: a procura por imóveis capazes de atender diferentes momentos da vida.

Um mesmo apartamento pode funcionar como residência permanente, locação de média duração ou hospedagem de curta temporada, dependendo da localização, da tipologia e da estratégia de utilização.

Santa Cruz apresenta demanda diversificada por hospedagem

O mercado de locação temporária de Santa Cruz do Sul também foi analisado durante o encontro.

Segundo os dados apresentados por Franck, a cidade reúne diferentes fontes de demanda ao longo do ano.

Viagens corporativas relacionadas às indústrias instaladas na região, eventos empresariais, calendário de festas, competições esportivas, atendimento médico, atividades universitárias e profissionais que permanecem temporariamente no município ajudam a compor esse fluxo.

Na avaliação do empresário, essa diversidade reduz a dependência de um único grande evento e abre espaço para ampliar a oferta de imóveis destinados a estadias de curta e média duração.

O palestrante apontou, entretanto, uma incompatibilidade entre parte da oferta disponível e o comportamento de quem permanece poucos dias na cidade.

Segundo os números apresentados na conferência, parte expressiva dos anúncios disponíveis trabalha com períodos mínimos de locação superiores à permanência média de visitantes de eventos ou viagens de negócios.

A leitura apresentada é de que existe espaço para unidades compactas e bem localizadas voltadas a modelos de short stay, mid stay e locação tradicional.

Imóvel como investimento

O tema também foi abordado sob a perspectiva de investimento.

Franck apresentou simulações envolvendo diferentes modalidades de locação e defendeu que localização, flexibilidade de uso e padrão do imóvel estão entre os fatores capazes de influenciar ocupação e rentabilidade.

Ao tratar do segmento premium, destacou que o imóvel não precisa ser analisado apenas como patrimônio, mas também como um ativo capaz de gerar receita recorrente.

Os percentuais e projeções apresentados durante a palestra, contudo, correspondem às bases e simulações utilizadas pela Rosacruz e podem variar conforme empreendimento, período, ocupação, custos e condições de mercado.

O futuro do morar

Ao sintetizar a visão apresentada no SIRC, Franck defendeu que as mudanças no mercado imobiliário serão determinadas menos pela evolução isolada dos edifícios e mais pelas transformações de quem irá ocupá-los.

“O futuro do morar não será decidido pela arquitetura. Será decidido pela evolução das pessoas.”

A frase resume um dos principais argumentos da apresentação: compreender comportamento, composição familiar, longevidade, mobilidade e novas relações de trabalho será cada vez mais importante para projetar os imóveis das próximas décadas.

Para Franck, conceitos aparentemente opostos também precisarão coexistir. O morador deseja privacidade, mas não isolamento; autonomia, mas também serviços; tecnologia, sem abrir mão de convivência e qualidade de vida.

Verticalização e requalificação urbana

Durante o período destinado às perguntas do público, a discussão avançou para outros desafios relacionados ao desenvolvimento de Santa Cruz do Sul.

Entre os temas estiveram o aproveitamento de imóveis antigos, a expansão urbana e a verticalização.

Franck defendeu que o menor crescimento vegetativo da população tende a ampliar a necessidade de requalificar estruturas existentes e buscar novas funções para imóveis que perderam a finalidade original.

Casas maiores podem, por exemplo, receber outras formas de ocupação, enquanto novos bairros e loteamentos precisam considerar serviços próximos às residências.

Ao falar sobre edifícios de maior altura, também comentou aspectos técnicos que tornam a construção mais complexa, especialmente em relação às fundações, estruturas e à influência do vento nos pavimentos superiores.

Uma discussão que ultrapassa o imóvel

A primeira palestra do SIRC 2026 colocou no centro da discussão uma questão que deverá acompanhar os demais encontros: o mercado imobiliário não pode ser analisado de forma isolada das mudanças econômicas e sociais.

Envelhecimento da população, novos formatos familiares, digitalização, mobilidade, turismo, trabalho remoto e procura por qualidade de vida acabam convergindo para a mesma pergunta: como as pessoas querem viver daqui para frente?

É a partir dessa leitura que Franck defende uma mudança de perspectiva no setor.

Mais do que projetar metros quadrados, o desafio passa a ser compreender as pessoas que irão ocupá-los.

Assista à palestra completa

A íntegra da palestra “Evolução Social: a influência no morar”, com Ricardo Franck, está disponível no canal do Portal Gaz no YouTube.

Assista ao SIRC 2026 no YouTube

O SIRC 2026 é realizado pela Rosacruz Incorporadora e tem a Gazeta Grupo de Comunicações como mídia partner.

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