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LITERATURA

Trio de autores lança livro “Semeares” em Santa Cruz

Uma amizade marcada pelo entusiasmo em torno da literatura materializa-se… em livro! Foi o gosto compartilhado pela contação de histórias e pela formação de leitores que aproximou os três autores: Sonia Luz, Roger Castro e Eleonora Medeiros. Eles concretizam a parceria em “Semeares: entre leituras e histórias, vivências com afeto”, que será lançado neste sábado, 4, em Santa Cruz do Sul, com sessão de autógrafos entre 10 e 12 horas na Livraria e Cafeteria Iluminura, no Centro.

Na verdade, eles cumprem roteiro pelo interior gaúcho para apresentar o volume em três cidades com as quais estão identificados. Nessa sexta-feira, 3, estiveram em Caxias do Sul para lançamento no ambiente em que reside Castro (embora ele seja natural de Cruz Alta). O sábado prevê parada em Santa Cruz, onde reside Sonia (natural de Passo do Sobrado); e na segunda-feira, 6, estarão em Uruguaiana, onde mora a professora, escritora e contadora de histórias Eleonora, natural de Alegrete.

Juntos, são habitués de feiras e encontros literários, e colaboradores assíduos em ações artísticas e culturais. Sonia, por exemplo, foi personalidade incentivadora da leitura da Feira do Livro de Santa Cruz, na qual Castro também marca presença com frequência. A partir de agora, estarão em eventos para, juntos, semearem conhecimento com sua obra conjunta.

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Serviço

  • O quê: lançamento do livro Semeares: entre leituras e histórias, vivências com afeto, de Eleonora Medeiros, Roger Castro e Sonia M. D. Luz e ilustrações de Ana Thomas, com sessão de autógrafos
  • Quando: neste sábado, 4, a partir das 10 horas
  • Onde: na Livraria e Cafeteria Iluminura, no centro de Santa Cruz
  • Para adquirir: exemplares estarão à venda no local por R$ 48,00

Expressão humana

A partir de suas vivências na educação e nos eventos literários, os três autores de Semeares buscam salientar a importância da leitura, considerada em sentido amplo, em todos os espaços sociais. Mais do que via para a aquisição de conhecimentos ou aperfeiçoamento, como enfatizam, os livros são ferramenta preciosa para a humanização. Com suas reflexões, apontam a pertinência e as vantagens da literatura, do exercício da escrita e da leitura, para que a sociedade se desenvolva com qualidade de vida, física e psíquica.

Os autores têm em comum a atuação junto a públicos de todas as idades, em especial com a contação de histórias, num esforço a fim de cativar crianças e adolescentes para o universo literário, em sala de aula, em encontros ou seminários. A argumentação é clara, como expõem: a literatura é uma das formas mais profundas de expressão humana.

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A partir da exposição de ideias, sonhos, memórias, fantasias ou histórias (reais ou da imaginação), a literatura torna-se uma das mais eficazes maneiras de compartilhamento de saber, de sentimento, de descobertas. Desde séculos no passado chega ao presente um legado em forma de texto (com palavras ou imagens), e do mesmo modo se projeta ao futuro; a esse manancial são agregados os livros dos tempos atuais, ajudando a formar e a conformar a sociedade das novas gerações. A essas obras, de leitura necessária, urgente e recorrente, soma-se também Semeares, como uma potente e vigorosa semente do amanhã.

Três mosqueteiros em favor da leitura

O escritor francês Alexandre Dumas (1809-1870) eternizou um lema em seu clássico romance Os três mosqueteiros, de 1844: “Um por todos, e todos por um”. Os escritores Eleonora Medeiros, Roger Castro e Sonia Luz reafirmam essa expressão: a favor do livro. E é uma batalha que eles, ao lado de uma legião de educadores, travam há muitos anos.

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Sonia Maria Dettenborn Luz, em especial, tem longa e profícua vivência no ambiente educacional, artístico e de formação de leitores. Aposentada, permanece como colaboradora assídua em equipes de organização de feiras e eventos culturais variados, em Santa Cruz e na região, e também em níveis estadual e nacional.

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Não por acaso, no início de 2024 foi agraciada, em Brasília, com um certificado de honra ao mérito pelo trabalho de contadora de histórias. Foi uma entre uma série de distinções e de condecorações, como o Troféu KeKeKê, que recebeu no mesmo ano na Feira do Livro de Porto Alegre, à qual igualmente é muito ligada.

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Até então, já havia marcado sucessivas gerações com seu entusiasmo pela leitura difundido em escolas das redes privada (foi professora e diretora da Escola Educar-se e professora da Universidade de Santa Cruz do Sul) e pública (como a Escola José Mânica e o Colégio Luiz Dourado). Com os estudantes, compartilhou seus conhecimentos nas áreas de letras e de literatura, a partir de ampla formação, com especializações em Literatura Comparada, Literatura Brasileira e Literatura Africana e o mestrado em Letras, na área de Literatura Infantojuvenil, pela PUCRS.

Com a Feira do Livro de Santa Cruz, sua ligação é umbilical. Além de integrar a comissão organizadora do evento, acompanha de perto as atividades, auxiliando na recepção a escritores e a autoridades, e contribuindo em atividades como contações de histórias, bate-papos e mediações. Em 2019, foi homenageada como a personalidade incentivadora da leitura, o que fortaleceu de vez sua relação com o evento.

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Se a feira de Santa Cruz está sempre no radar de Sonia, não é diferente com os grandes encontros nacionais. Prestigiou a Jornada de Literatura de Passo Fundo e com regularidade viaja para conferir a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, e eventos similares. Em todas essas ocasiões, ao mesmo tempo em que estabelece contato com expoentes nacionais e internacionais, divulga Santa Cruz do Sul e a sua cena literária e cultural.

Sonia Luz é professora, incentivadora da leitura e contadora de histórias. Foto: Rodrigo Assmann

Entrevista — Eleonora Medeiros, Roger Castro e Sonia Luz — autores do livro Semeares

Gazeta do Sul — O que a experiência comum da elaboração desse livro representa para a tua trajetória?

Eleonora Medeiros – Dividir a escrita deste livro com amigos tão queridos e sábios foi uma experiência única, memorável e muito desafiadora! Este é o primeiro livro sobre a arte de contar histórias em que tive a oportunidade de contribuir com minhas ideias. Foi muito prazeroso pensar e estruturar textos sobre esse tema, que estudamos há tanto tempo. 

Roger Castro – Eu poderia destacar a relevância da publicação de obras literárias que apontam caminhos, compartilham experiências e debatem a prática na formação de leitores. Nosso livro, humildemente, convida a fazermos esses movimentos. Mas gostaria, especialmente, de registrar a minha alegria em escrever um livro com duas parceiras tão comprometidas com o seu ofício; nos fortalecemos com essa semeadura, como amigos, mediadores de leitura e amantes do universo literário.

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Sonia Luz – A experiência representa uma oportunidade de rever meus caminhos, as experiências com os alunos, a alegria dos encontros. E, com a Eleonora e o Roger, compartilhar memórias que fundamentam minha vida profissional, sempre referenciada pelo amor à educação, à arte, ao livro, à leitura e à literatura. É uma trajetória que me orgulha pelo olhar dos meus pares, sem os quais não teria evoluído, meus pequenos alicerces, na construção de quem sou.

Se tivesses de enumerar uma única vivência ou experiência inesquecível de sala de aula ou de feira de livro, qual seria?

Eleonora Medeiros – Difícil.  Cada momento de contação de histórias é distinto, cada um marca de um jeito nossa alma. Mas, pensando, lembrando entre tantos, acho que um momento foi muito marcante para mim, pois vi que ali estava meu destino, minha missão. Entrei em uma sala onde as crianças corriam, gritavam desorganizadas, teimavam, não queriam sentar para iniciar o momento. A responsável por elas me disse que eu nunca conseguiria contar histórias para elas. Com medo, mas sabendo que deveria tentar, comecei a contar. Primeiro foi um menino, que viu o livro sair da sacola. Sentou-se e perguntou o que eu estava fazendo ali. Comecei a falar baixinho com ele e, um por um, aqueles meninos foram sentando e querendo saber o que ia acontecer. Quando a história terminou,  os olhinhos deles todos estavam ancorados em mim, e eu neles. 

Roger Castro – No início da minha trajetória como animador cultural, na Feira do Livro de Candelária, um adolescente, com seus prováveis 16 anos, ficou maravilhado com um livro de contos infantis. O jovem corria os olhos pelas páginas e me disse que não estava acostumado a ler, mas havia encontrado um livro fascinante. Acreditei ainda mais na importância do acesso aos eventos literários e culturais como um todo, para toda a comunidade.

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Sonia Luz – Primeiro momento, quando fui homenageada como “Personalidade Incentivadora da Leitura”, da 32a Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, por ser um reconhecimento do meu fazer em sala de aula e na comunidade de Santa Cruz do Sul. E, em 2024, quando recebi o Troféu KeKeKê na Feira do Livro de Porto Alegre, como destaque entre os contadores de histórias, pela descoberta de um reconhecimento que nunca imaginei.

O que ler representa para ti?

Eleonora Medeiros – É um momento especial, mesmo que seja comum, que faça parte da minha rotina. Ler uma história é como ter um travesseiro de sonhos, é como ter uma espada que corta o mal pela raiz, é como ser um pássaro que voa alto sobre as montanhas, é como sentir o gelo de um glaciar, o calor de um deserto, a frescura de um oásis. Ler é permitir-se sentir, é entrega total, é perder-se de si, mesmo que só por uns instantes.  

Roger Castro – Ler é a minha própria construção do meu “eu” na sociedade, da possibilidade contínua da descoberta e da interação com o inusitado. Não conseguiria me compreender ser presente sem a leitura em minha vida; sou quem sou e estou onde estou graças a essa prática. Ação contínua, por vezes programada, premeditada e, em tantas outras, despretensiosa e nunca menos prazerosa.

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Sonia Luz – Ler significa a liberdade de descobrir o mundo, evolução e autoestima. Constituindo quem sou, memória, identidade e cultura. 

Se tivesses de sintetizar toda a tua vida na leitura de um único livro, qual seria?

Eleonora Medeiros – Por mais que eu ache impossível responder a essa pergunta, vou tentar, escolhendo um livro que tocou minha alma com muita profundidade. “Arroz de palma”, do romancista Francisco Azevedo. Fica a dica!

Roger Castro – “A montanha e o rio”, de Da Chen.

Sonia Luz – “O livro dos abraços”, de Eduardo Galeano. “Abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas, seja como for, como a própria vida, vale a pena.” Os editores.

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