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BENNO BERNARDO KIST

Um novo cenário

Chama atenção dado trazido no dia primeiro do corrente mês de julho, por pesquisador da área, de que nesta data o Rio Grande do Sul passou a interromper o crescimento da sua população (hoje de 11,2 milhões de pessoas) e iniciou período de diminuição gradual dos seus habitantes. A informação baseou-se em projeções do IBGE já divulgadas em 2024, justificando então o organismo federal que a desaceleração decorreria da redução das taxas de fecundidade e nascimento, bem como da mortalidade infantil. Ao mesmo tempo, aumentaria a esperança de vida ao nascer e a idade média da população.

O Estado lideraria a mudança, enquanto o País a alcançaria somente em 2041 e outros países já a vivem. O cenário, se por um lado gera preocupação em vista de possíveis repercussões em mercado, arrecadação, previdência, por outro traz oportunidades, como avaliou Martin Henkel, fundador da Senior-Lab Consumo 60+, salientando que podemos liderar o desenvolvimento de soluções, produtos e serviços para esse consumidor, onde hoje se enquadram 22% dos gaúchos (2,4 milhões de pessoas), que movimentaram R$ 75 bilhões em renda no ano passado.

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Diante da nova realidade que chega a nós, resta-nos cada vez mais precisar aprender a conviver com ela e enxergar, em especial, os aspectos positivos que traz consigo. Já se notam iniciativas nesse sentido, ao valorizar mais a experiência e o conhecimento acumulados, buscar maior preparo e cuidados para viver melhor, incluindo exercícios e hábitos alimentares e gerais mais adequados, e manter-se ativo, também no trabalho, já que se verifica menor disponibilidade de mão de obra. Até no futebol, a que estamos expostos todo dia na Copa do Mundo, é possível observar que vários jogadores, com idades que em outras épocas já não atuariam mais, continuam fazendo sucesso.

A experiência pessoal de septuagenário plenamente ativo, trabalhando, ratifica que isso é perfeitamente possível. Se há algumas limitações naturais de um lado, de outro se oferecem reais possibilidades de contribuir com resultados de indiscutível retorno, que só vêm a somar, havendo a devida valorização, o reconhecimento e a oportunidade. É sensível que a trajetória percorrida traz ensinamentos e informações que só muitos anos de vida, atividade e envolvimento social agregam à bagagem profissional e cultural, o que não pode ser desconsiderado, sob pena de perdas significativas e injustificáveis.

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É evidente que se torna indispensável, também, uma efetiva conscientização dos mais jovens de que é preciso chegar à idade mais avançada com reais condições para se inserir nesse contexto. Para tanto, se requer, cada vez mais cedo e de forma efetiva, a preocupação com exageros e descuidos que afetam a saúde e a qualidade de vida, não se direcionado apenas ou em demasia para o foco econômico, que é essencial, mas não pode ser exclusivo e justificar tudo.

A notícia que marca o Estado nos meados deste ano deve, pois, servir de alerta e motivação para atitudes que se coadunem com a nova situação demográfica que vivemos e que interfere diretamente em nossas vidas. Que saibamos tirar dela as melhores lições e inserir as melhores práticas, em termos pessoais e como sociedade, para que possamos avançar na idade sempre com mais qualidade, sem gerar problemas evitáveis, mas soluções que venham ao encontro e para o proveito de todos.

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