A renovação da parceria entre a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e a Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa) – mantenedora da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc) e da Escola Família Agrícola de Vale do Sol (Efasol) – reafirma um modelo de educação que aproxima o campo da universidade. O novo termo, válido para 2026, foi assinado em solenidade realizada nessa quinta-feira, 23, na sala 101 da Unisc e marca a continuidade de uma relação iniciada em 2009.
O convênio garante às escolas o acesso à estrutura da universidade, como laboratórios, bibliotecas e salas de aula, condição essencial para o funcionamento das instituições junto aos órgãos educacionais. “O aporte que fazemos é a cedência de espaço, porque a escola, para poder funcionar junto à Secretaria Estadual de Educação e ao Conselho Estadual de Educação, precisa de espaços de laboratórios, bibliotecas”, explica o reitor da Unisc, Rafael Henn. Segundo ele, toda a cedência dos espaços é disponibilizada pela universidade há 16 anos.
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Para as famílias agricultoras, a parceria representa mais do que infraestrutura. É a possibilidade de acesso qualificado à educação. Vice-presidente da Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa), Marcio Luis Manske destaca o impacto direto na formação dos jovens. “Para nós, agricultores e agricultoras, é um orgulho muito grande hoje a gente ter universidade parceira da nossa escola, da nossa associação, que traz uma formação diferenciada, uma formação de qualidade para nossos filhos”, afirma.
“Também incentiva eles ao acesso à universidade, são filhos e filhas de agricultores acessando a universidade com qualidade, com dignidade.” A renovação da parceria ocorre anualmente, mas mantém o mesmo significado simbólico ao longo dos anos.
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Iniciativa ajuda a transformar trajetórias
Ao longo das falas, um ponto comum se destacou: o impacto da educação na vida das famílias. Manske resumiu esse processo ao compartilhar sua própria experiência. “Eu não tenho vergonha de dizer a vocês que ainda estou em formação. Porque não é só o filho e a filha que aprende, é o pai e a mãe, é a comunidade”, disse. “A escola transforma vidas.”
A presença dos estudantes no campus também reforça a aproximação com o ensino superior, quebrando uma lógica histórica de distanciamento. “Muitos alunos acham que ou ficam na propriedade ou estudam. Não é isso”, salientou Henn. “Vocês podem continuar estudando, qualificar cada vez mais as propriedades de vocês através da educação e permanecer no campo.”
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Para o presidente da Efasol, Alessandro Trarbach, a experiência é concreta. “Eu sou a prova viva disso. Tenho um filho formado na Efasol que hoje já se tornou agrônomo. Se não fosse a universidade, de repente eu nem teria entrado aqui”, relatou.
Embora a cedência de espaços seja o eixo central do convênio, a relação entre as instituições se estende para outras iniciativas, como projetos de pesquisa, extensão e eventos conjuntos. “A cessão de uso do espaço é um pontapé, mas muitas outras ações a gente está desenvolvendo”, destacou Pozzebon, ao citar atividades vinculadas ao Observatório de Educação do Campo e programas de pós-graduação da universidade.
Ao final da solenidade, além da assinatura do termo de parceria para 2026, as escolas também entregaram seus relatórios de atividades à universidade, oficializando mais um ciclo de atuação conjunta.
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Conexão entre escola e família
Um dos principais diferenciais das Escolas Famílias Agrícolas é a chamada pedagogia da alternância, em que os estudantes dividem o tempo entre a sala de aula e a vivência nas propriedades rurais. Para o reitor da Unisc, esse modelo representa uma resposta a desafios estruturais da educação.
“A forma como a escola funciona efetivamente envolve as famílias. E hoje um dos grandes problemas na sociedade brasileira é a ausência da família”, avalia Henn. “Aqui é bem diferente. Eu acho que é um projeto maravilhoso.”
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Durante a solenidade, o coordenador da Efasc, Adair Pozzebon, reforçou o papel da parceria na própria existência das escolas na região. “As datas não se confundem, elas se fundem. O tempo da parceria é o mesmo tempo da existência das Efas, porque as Efas nasceram aqui na universidade”, afirmou. “Se não fosse lá em 2009 a universidade dizer ‘aceitamos’, não teria Escola Família Agrícola na região.”
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A Efasc conta com 145 estudantes de 11 municípios do Vale do Rio Pardo, e continua operando com alta demanda. “Estamos sempre no limite do atendimento. Tivemos no ano passado cem inscrições para 50 vagas, chegamos a 59 para tentar acolher mais jovens”, detalhou.
Já a Efasol, que utiliza a estrutura da universidade desde 2014, atende hoje 102 estudantes e projeta expansão. “Com a nossa área nova, a gente consegue aumentar em torno de 20% a 30% o número de vagas”, explicou o coordenador Regis Solano, ao mencionar a nova sede em construção, com previsão de início das atividades em 2027.
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