Happy hour 19/08/2018 23h10 Atualizado às 10h08

Futebol de mesa

Foi uma fase muito interessante da pré-adolescência e da adolescência. Movimentava a juventude daquele tempo.

Na década de 60, além das peladas de futebol em campos irregulares, outro esporte muito disputado na minha juventude era o futebol de mesa. O campo era uma mesa retangular montada sobre os cavaletes. Os jogadores eram confeccionados de material plástico, que chamávamos de botões de camada.

 Cada guri tinha um time formado por titulares e reservas, sendo que o Grêmio e o Internacional eram representados por aqueles amigos que tivessem mais habilidade. A bola era um botão minúsculo de camisa.

 O meu time era o Cruzeiro de Belo Horizonte, um time forte. Na camisa havia a cor azul do Grêmio. Lembro-me de alguns atletas: Wilson Piazza, Dirceu Lopes, Tostão, Nelinho. Em cada botão era colado o nome dos jogadores da equipe, recortados de alguma revista ou jornal.

 Os jogadores de botão tinham valor de troca ou de venda. Os goleadores eram os mais valorizados, sendo que um bom centroavante valia uma fortuna, praticamente inegociável. Hoje seria comparado aos grandes craques de futebol. Bastava ser goleador. Os craques do meu time eram os meio-campistas, que faziam gol a distância. Os meus jogadores inegociáveis eram Dirceu Lopes e Tostão.

 Se alguma transação acontecesse entre os guris e o jogador era considerado craque, em troca se recebia diversos atletas. Alguns se arrependiam do negócio. Sua equipe baixava de rendimento.

 Os jogos aconteciam sábados à tarde no porão da casa do Braun ou no pátio do Paulo Zimmer, sob as sombras das parreiras. A torcida era numerosa. Os jovens do bairro e mais aqueles das ruas vizinhas vinham assistir. Ficavam sempre de olho em algum jogador goleador, que se sobressaísse nos jogos.

 O juiz era escolhido na hora, tomando-se o cuidado de ser um cara equilibrado e neutro, preferencialmente, de outro bairro. Os campos, confeccionados por marcenarias, assemelhavam-se aos de futebol. Para os jogadores deslizarem melhor, passávamos parafina no tablado, na palheta e nos jogadores.

 As regras tinham como base as do futebol. Era uma jogada para cada um e se acertasse o passe, continuava jogando. Caso errasse a bola e atingisse um jogador, era falta. Se chutasse a gol, deveria anunciar ao adversário, para que pudesse posicionar o goleiro. O campeonato se estendia durante alguns meses e essa foi uma fase muito interessante da pré-adolescência e da adolescência. Movimentava a juventude daquele tempo.

 Não pense que os jogos transcorriam sem nenhum incidente. Os bate-bocas eram constantes entre os guris e os envaretados abandonavam os jogos. Não aguentavam a flauta do oponente. Ficavam dias de beiço caído e só o tempo se encarregava de fazer tudo voltar ao normal.