Happy hour 29/10/2018 01h49 Atualizado às 10h09

Visita à Alemanha (III)

Saíram antes de nós. Notamos que a atendente estava contrariada. Reclamava, encarando-nos com olhar de reprovação

Escolhemos um restaurante no centro fervilhante de Berlim para almoçar. Pedi um joelho de porco (eisbein), acompanhado de um enorme copo de cerveja. Influenciei outros colegas, que solicitaram o mesmo cardápio. Arrependimento... Um joelho seria suficiente para quatro pessoas saírem satisfeitas do almoço.

Fizemos um tour completo nos ônibus turísticos de dois andares. Estava um dia ensolarado e quente. Os alemães gostam de aproveitar ao máximo possível esses dias maravilhosos levando seus familiares a fazer piquenique nos amplos gramados.

Preguiçosamente estirados nos gramados, saúdam a chegada da nova estação meteorológica, recém-findo o rigoroso inverno. Até os vendedores ambulantes, pedalando suas bicicletas, aproveitam o dia para vender lanches, refrigerantes e água. Algumas mulheres fazem topless, algo normal para os costumes da população.

Cansados, mas felizes, saltamos do ônibus perto da estação de trem. Faltavam algumas horas para o nosso trem retornar à Niemburg. Aproveitamos para fazer um lanche e tomar cerveja long-neck por apenas cinco euros a garrafa. Ora, ora, o que são cinco “pilas”!

Tivemos a companhia de um jovem brasileiro, sobrinho do nosso guia, que mora na Alemanha. Sua esposa faz um estágio no país e ele está aprofundando seus conhecimentos em tecnologias virtuais. Entre uma cerveja e outra, fizemos diversas indagações sobre como funcionam alguns costumes da maioria desse povo ordeiro e cumpridor dos seus deveres de cidadão, e em que entre o “sim” e “não” inexiste o meio-termo.

Perguntei como conseguem conservar as suas estradas asfaltadas perfeitas, sem buracos como no Brasil. Explicou que a empreiteira contratada para determinada obra tem um contrato de responsabilidade de cinco anos para quaisquer avarias. Um eventual buraco deve ser consertado e o remendo terá mais cinco anos de garantia, dentro dos padrões exigidos no contrato original. Essa responsabilidade está enraizada na cultura alemã.

No entanto, alguns alemães comentam que gostariam de mesclar a sua seriedade e rigidez com a espontaneidade do brasileiro, povo que admiram pela alegria de viver e essas pequenas irresponsabilidades no modo de levarmos a vida. Mas reprovam a malandragem.

Estava quase na hora de embarcar. Outro grupo de colegas de viagem ocupava outras mesas da lanchonete. Saíram antes de nós. Notamos que a atendente estava contrariada. Reclamava, encarando-nos com um olhar de reprovação. Haviam deixado o ambiente completamente desarrumado. Pratos, copos, guardanapos e cadeiras. Alemão nenhum admite que não entregue o ambiente em ordem. Ainda bem que o nosso guia e seu sobrinho nos salvaram do vexame. Fizemos a faxina. Reorganizamos a nossa bagunça e a dos colegas.