Happy hour 18/03/2019 00h20 Atualizado às 07h45

O cobrador do sindicato

Alguns gostavam. Outros ofereciam um copo de água. E tinha aqueles que te mandavam voltar outro dia, de mal com a vida.

Minha primeira profissão foi de cobrador das mensalidades e do seguro do Sindicato dos Comerciários. Aprendi a compreender as manias de cada contribuinte. Alguns gostavam de conversar e contar algumas novidades. Outros me ofereciam um copo de água ou um suco gelado. E tinha aqueles que te mandavam voltar outro dia, resmungando sobre a falta de dinheiro e de mal com a vida. A cobrança foi um grande aprendizado. Isso aconteceu há 32 anos, em plena era do governo militar.

O presidente do Sindicato dos Comerciários era o seu Renato Melchiors, que trabalhava de balconista nas Lojas Roberto, a qual vendia as tintas Coral aqui no município e região.

A sede social da entidade localizava-se na Rua Fernando Abott, em uma garagem do dentista Müller, defronte ao atacado da família Seidel, vizinho do Hotel Brasil, administrado pela família Herbe.

A primeira tarefa do dia era organizar o roteiro das cobranças.  A maioria me pagava no caixa e no fim do mês descontava na folha de pagamento. Naquelas firmas onde o proprietário era avesso ao sindicato, fazia a cobrança individual e longe da vista do patrão. Levava muita bronca dos chefões.

No centro era barbada. Fazia todo itinerário a pé. As primeiras lojas na Marechal Floriano eram o Assmann e a Yamaha, dos Etges. Depois seguia para o Posto Texaco, atravessava a rua e na esquina visitava as Lojas Roberto (onde hoje há uma farmácia), da família Gruendling. O Elemar (Maçarico), sócio da empresa, elegeu-se prefeito pelo MDB, que fazia oposição à Arena.

Continuando meu itinerário, chegava à Agropecuária Bremm. Seguia para as Lojas Arthur Müller e cobrava o meu amigo Avelino Metzdorf, grande músico percussionista da Orquestra Jatibá da família Kothe. Logo após, chegava à Comercial Zimmer-Goettert, líder do mercado. Saía de lá com a pasta forrada de dinheiro.

Visitava a Relojoaria Gerhard, Feira de Calçados, Casa Kraehter, do saudoso Carlitos – que, antes do entardecer, tomava um aperitivo no seu Simon, ecônomo da Aliança. Na esquina localizava-se a Farmácia Cruzeiro; na Ramiro, chegava na Farmácia Peschel (hoje garagem do Itaú), na esquina da Floriano com a Ramiro, o Bazar do Frederico Rech (Edifício J. H. Santos).

Um pouco adiante chegava à Farmácia Evers, Joalheria Goettert, Joalheria Kothe, Casa Seleta (Multissom); na outra esquina, na Júlio de Castilhos, cobrava a Ferragem Mailaender (Edifício. Tipuanas), Imobel, seguia a Marechal Floriano e cobrava nas Casas Pernambucanas, Bazar Kuhn, Bazar Rex, Empório de Calçados, Farmácia Müller, Lojas Waechter, Casa Kirst, Drogaria Santa Cruz, Caçula e Wendland. Na 28 de Setembro chegava na Ferragem Baumhard, Theonilo Weiss e Casa Fuelber.

A cobrança rendeu. Amanhã cobro na Coronel Brito. Inicio pelo Helfer, Geiss (Lojas Renner).       

 


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