Coluna da Renata 08/05/2018 09h41 Atualizado às 08h13

A sexualidade muda ao longo da vida? Parte 1

Desde o início da vida, a sexualidade encontra-se associada às sensações e percepções de prazer

Foto: Divulgação

A sexualidade está presente no ser humano desde o nascimento até sua morte, apresentando formas diferentes conforme idade e está em  evolução constante. Este processo é dinâmico e se desenvolve constantemente, mas não é muito demarcado pela idade. É dependente da personalidade e das influências externas, família e sociedade. Varia muito de acordo com as experiências e vivências, principalmente na infância e adolescência.

Não podemos esquecer que a sexualidade é parte integrante do ser humano. Envolve os sentimentos e emoção podendo interferir na qualidade de vida. Por outro lado, a OMS, Organização Mundial da Saúde define:

“A sexualidade forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode    ser separado de outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita a presença ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais do que isto. É a energia que motiva encontrar o amor e a intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e  como estas  tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamento, sentimento, ações e interações e,  portanto, a saúde física e mental”.

Ainda mais, considera saúde sexual como a integração aspectos somáticos, emocionais, intelectuais e sociais, do ser sexual de maneira a enriquecer positivamente e fortalecer a personalidade, a comunicação e o amor.

A visão da sexualidade, nos últimos tempos, mudou muito. Cada vez mais é estimulada a ideia de que, para desfrutar de uma sexualidade satisfatória, é importante uma relação afetivo-sexual positiva desde a infância.

Desde o início da vida, a sexualidade encontra-se associada às sensações e percepções de prazer. O primeiro estágio corresponde àquele momento em que a boca é o foco primário de gratificação sexual. A criança usa a boca para sugar e explorar o que há em torno de si e assim ela se relaciona com o mundo. Há quem acredite que sexualidade da criança precede o nascimento, pois estudos ultrassonográficos mostram que bebês do sexo masculino apresentam ereção ainda no útero materno. Essa importante fase do desenvolvimento sexual está nitidamente relacionada com o senso de proximidade que os pais ou adultos substitutos desenvolvem com esses bebês. Essa interação se dá pelo contato, através dos cuidados, o trocar de fraldas, os banhos, e outras interações físicas. Chama atenção para o fato de que crianças que são privadas desses cuidados tendem, na adultice, a apresentar dificuldades com suas manifestações de sexualidade.

Na adolescência o despertar da sexualidade se caracteriza por alterações na imagem corporal que exigirá uma aprendizagem sobre o seu próprio corpo e suas necessidades sexuais. Nesta fase são construidos os valores, o comportamento e a capacidade em se relacionar. Tem forte influencia determinantes sociais e biológicos com inicio da produção hormonal. Demandas psicosociais são o desejo de independência dos pais, desenvolver relação com seu grupo, estruturar princípios éticos, chegar a um senso de responsabilidade social e pessoal.

É um período de muitos conflitos, dificuldades e “dores” que precisam ser entendidos pelos pais e adultos  Quanto ao comportamento sexual, este poderá incluir a masturbação (mais frequente nos meninos), carícias sem coito, sexo oral, intercurso sexual e experiências homossexuais. Masturbação é aprendizagem e representa etapa importante de aquisição de maturidade sexual.

Diante da iniciação de relacionamento sexual dos adolescentes, cada vez mais cedo, e falta de orientação e educação sexual, surgem aspectos indesejados como gravidez e doenças sexualmente transmitidas, especialmente Aids que não tem cura.

No adulto jovem, a identidade está estabilizada e a forma de se relacionar sexualmente é intensa, com muitas necessidades e continua em evolução e aprendizagem. A partir da revolução dos costumes, estabeleceram-se novos hábitos, linguajar, padrões de comportamento. Relações pré-matrimoniais e não a virgindade são a regra. Os meios de comunicação passaram a utilizar mensagens eróticas como veículo de publicidade ou imagem da jovem liberada que faz sexo quando e com quem quiser. Aparentemente ficou a mensagem de que tem que se ter sempre relacionamento sexual, tem que ter desejo, excitação e orgasmo, como se isso fosse obrigatório. Essa forma de se viver a sexualidade  acaba gerando muitas vezes insatisfação, disfunção e sofrimento. Por isso, aprender e entender a sexualidade como um todo é muito importante.