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VALE DO RIO PARDO

Dois anos depois da enchente, as marcas deixadas na memória das comunidades da região

Foto: Rodrigo Assmann/Banco de Imagens

A força da natureza foi implacável. A enchente devastadora de 2024 não marcou apenas a memória dos gaúchos, mas deixou um rastro de problemas estruturais em diversas cidades. No Vale do Rio Pardo, onde o impacto foi severo, municípios como Sinimbu, Candelária, Venâncio Aires, Rio Pardo e Santa Cruz do Sul ainda trabalham para recompor estradas e moradias.

Em todo o Rio Grande do Sul, a catástrofe resultou em 185 mortos, enquanto 23 pessoas permanecem desaparecidas. Ao todo, 478 cidades foram atingidas – 95 em situação de calamidade pública e mais de 300 em emergência.

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Sinimbu

Em Sinimbu, a fúria das águas destruiu dezenas de residências e atingiu a totalidade do comércio local. A devastação isolou comunidades do interior, cujos moradores enfrentam dificuldades de locomoção até hoje. Muitas pontes que conectavam a zona urbana à rural foram arrancadas; parte delas continua pendente de restauração.

As travessias Bismark (ligação entre Alto Sinimbu e Linha Rio Branco), Desidério (Linha Desidério) e Romaldo Fischer (Alto Rio Pequeno), além do pontilhão Ilório Backes (Linha São João), já foram restabelecidas.

Entretanto, outras quatro estruturas estão em obras. A Ponte do Centenário, no Centro, deve ser concluída ainda neste semestre. Já as unidades de Alto Rio Pequeno 01, Alto Rio Pequeno 02 e Rio Pequeno têm entrega prevista para a segunda metade do ano. Outros oito pontilhões (Getúlio Waetcher, Dopke, Cruzeiro, Alceu Bechert, Aldino Schulz, Heitor Schulz, Gamelão Pio XII e Linha Pintado) receberam recursos em março e também devem ser concluídos até dezembro. Já as pontes Casc, Gamelão e de Linha Inverno não têm previsão de início, pois estão no aguardo da liberação de recursos.

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Ponte do Centenário, no centro de Sinimbu | Foto: Rodrigo Assmann/Banco de Imagens

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Candelária

Em Candelária, dezenas de famílias ficaram desabrigadas após perderem suas casas para as cheias dos rios Pardo e Botucaraí, além de deslizamentos de encostas. Segundo a Prefeitura, quase todos os atingidos aceitaram deixar as áreas de risco e foram transferidos para locais seguros.

Pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida – Reconstrução Urbano, 11 famílias já ocupam as novas unidades. Na modalidade Rural, 42 grupos foram habilitados, mas o processo ainda não foi concluído.
Outro destaque é o projeto Seleção do Bem, liderado pelo capitão Dunga, que entregou 33 moradias em áreas municipais com apoio de infraestrutura do poder público.

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Além disso, o município foi habilitado no programa estadual A Casa é Sua – Calamidade 2 para erguer mais 40 residências. Destas, 20 unidades terão implantação imediata por já possuírem infraestrutura, enquanto as demais seguirão para a fase de loteamento.

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Entre os avanços em Candelária, a Coordenadoria de Defesa Civil Municipal criou o Plano de Contingência, que tem como objetivo facilitar as atividades de preparação para emergências e desastres e otimizar as atividades de resposta. Também foram instaladas na localidade de Costa do Rio câmeras de monitoramento de elevação das águas do Rio Pardo, que ficam ligadas 24 horas junto à sala de operações da Brigada Militar. Isso possibilita monitoramento constante e o tempo necessário para eventuais evacuações dos locais de risco em caso de desastre.

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Também está em fase de instalação uma estação meteorológica junto à ponte do Rio Pardo na RSC-287 com régua de nível, sensor de elevação do rio e câmera de monitoramento em tempo real. Ainda está programada a instalação, no Bairro Costa Norte, no Balneário Carlos Larger, de um sistema de sirenes que permitirá alertar a população local em caso de elevação do rio.

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Rio Pardinho

Na localidade de Rio Pardinho, em Santa Cruz, uma comunidade inteira foi devastada. A área de três hectares do Balneário Panke era ocupada por 32 famílias, que viram suas casas serem levadas pela correnteza. O lugar, denominado de Recanto do Sossego e criado na década de 1990, desde 2010 não registrava invasão de água. Hoje está interditado pela Defesa Civil. Agora uma nova propriedade, o Recanto dos Guerreiros, em Linha Molz, de 4,8 hectares, abriga 20 famílias em 23 lotes.

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Na localidade, estradas vicinais próximas ao rio, como as da Travessa Bohnen e Travessa Radtke, foram totalmente destruídas, mas refeitas pela Prefeitura. Da mesma forma, propriedades rurais e lavouras foram totalmente invadidas pela água e tiveram os solos e plantações prejudicados e recuperados nos últimos dois anos.

Ao longo do curso do Pardinho, desde 2024, são feitos trabalhos de desassoreamento e reconstruções de taipas e plantios de mudas de árvores nas margens.

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Vila Mariante

O transbordo do Rio Taquari arrasou Vila Mariante, em Venâncio Aires, deixando cerca de 2 mil pessoas ilhadas e mais de 300 casas destruídas. Por segurança, a Escola Estadual de Ensino Médio Mariante e o posto de saúde não foram reerguidos no mesmo ponto.

Cerca de 140 famílias foram atendidas via compra assistida, garantindo acesso a imóveis definitivos, enquanto cem recebem aluguel social. Um novo empreendimento em Estância Nova, com cerca de 72 casas, está em construção para quem preferiu ficar na região.

O principal gargalo no campo da infraestrutura está relacionado aos desvios da RSC-287, em Vila Mariante. O projeto para recuperação consta no plano de recuperação da Rota de Santa Maria. Atualmente, o tráfego segue por desvios que já registraram acidentes graves, inclusive com mortes.

Desvio na RSC-287 causa preocupação | Foto: Inor Assmann/Banco de Imagens

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