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MOBILIDADE URBANA

Transporte coletivo de Santa Cruz perde 16% dos passageiros em um ano

Foto: Banco de Imagens/Gazeta do Sul

O transporte coletivo urbano de Santa Cruz do Sul recebeu R$ 370 mil em subsídio referente ao mês de junho. O repasse foi analisado pela Agência Reguladora de Santa Cruz do Sul (Agerst) durante reunião nesta semana, mas a discussão foi além da avaliação do valor devido à concessionária. A queda no número de passageiros e a necessidade de uma reformulação do sistema também entraram em pauta.

O parecer jurídico apresentado durante a reunião considerou regular o pedido de complemento tarifário temporário e validou as tarifas técnica, de R$ 7,68, e pública, de R$ 5,80, utilizadas no cálculo do subsídio. A análise seguiu a metodologia prevista no contrato e no termo de acordo administrativo firmado entre o Município e o consórcio responsável pelo transporte coletivo.

Déficit supera limite previsto

O custo operacional do sistema em junho chegou a R$ 1,456 milhão. A arrecadação obtida com os passageiros equivalentes foi de R$ 982,7 mil. A diferença entre os dois valores resultou em um déficit operacional de R$ 473,2 mil. Como o acordo prevê um limite de R$ 370 mil para o complemento tarifário temporário, esse foi o valor autorizado para o repasse. O déficit total, portanto, ficou acima do teto previsto para o subsídio.

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Com o pagamento referente a junho, o saldo devedor acumulado do subsídio chegou a R$ 650,2 mil desde o começo do ano. O valor é integralmente suportado pela concessionária.

Número de passageiros cai 16%

A queda na demanda foi um dos principais pontos de preocupação levantados pelos integrantes da agência. De janeiro a junho de 2025, o sistema registrou 197.304 passageiros. No mesmo período de 2026, foram 165.417.

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A diferença representa uma redução de aproximadamente 16% em apenas um ano. O cenário foi considerado preocupante porque a comparação já é feita com um período posterior à pandemia, quando o transporte coletivo sofreu uma forte redução no número de usuários.

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Durante a reunião, os integrantes da Agerst destacaram que o problema não pode ser resolvido apenas com o aumento dos subsídios. A avaliação é de que parte dos usuários está encontrando outras formas de deslocamento e deixando de utilizar os ônibus.

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A percepção é de que o sistema precisa se tornar mais atrativo. Entre as possibilidades discutidas estão a revisão dos horários, a redução da tarifa em determinados períodos e a criação de estratégias para recuperar passageiros.

Agência defende estudo para remodelar serviço

Uma das sugestões apresentadas foi a diferenciação de tarifas conforme o horário. O modelo poderia manter um valor maior nos períodos de pico e oferecer preços mais baixos nos horários de menor movimento, quando os ônibus circulam com poucos passageiros.

Também foi discutida a possibilidade de atrair públicos que ainda apresentam maior estabilidade no uso do transporte coletivo, como aposentados. Campanhas específicas e ações voltadas à mobilidade urbana poderiam incentivar o deslocamento de determinados grupos em horários de menor movimento.

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A expansão dos aplicativos de transporte e o aumento do número de pessoas que optam por carros e motocicletas também foram apontados como fatores que pressionam o sistema. Para os integrantes da agência, o cenário exige uma análise mais ampla.

A avaliação é de que o transporte coletivo precisa passar por um estudo completo de remodelação. A ideia é analisar o serviço como um todo, em vez de apenas buscar soluções pontuais para cobrir o déficit financeiro.

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