Em mais um e ainda que breve período de férias de julho, renovou-se a oportunidade de bem aproveitados momentos de convívio dos avós com os netos, uma realidade que já é mais corriqueira também no dia a dia dos tempos atuais, com maior longevidade dos avós e maiores ocasiões de presença dos netos, por diversas situações, inclusive separação dos pais, outra questão cada vez mais frequente.
E como todos têm direito hoje a seu dia especial, o dos avós não poderia faltar e coincidiu com este período. No domingo, 26 de julho, os netos (lá em casa são cinco) estavam todos em volta dos seus (ou de nós) e não se esqueceram de expressar seus sentimentos. Já não são mais os singelos desenhos e mensagens das escolinhas, mas netas mais sensíveis e com certa maturidade, nos seus tenros nove anos, tomam a liberdade de, por si só, e ainda valendo-se de figuras, manifestar em belas palavras o que sentem e que representam os pais dos pais na sua vida.
Sem dúvida, as emoções já mais envelhecidas afloram quando ela, por exemplo, diz à vó: “Obrigada por tudo, obrigada por me apoiar em todas as situações… Você é a luz do meu dia, e obrigada por botar minha mãe no mundo, porque sem ela eu não existiria”. Seguem os agradecimentos pelos agrados típicos de vó e a renovação do amor: “Você sempre faz o meu dia ser melhor”.
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E o vô recebe quase o mesmo carinho e gratidão, por gestos simples e por vezes não valorizados, como “encher o pneu da bicicleta para mim” e “por fazer o churrasco, é muito bom mesmo!”, o que faz lembrar logo dos quase 100 coraçõezinhos de frango que tiveram que ser espetados um a um, com toda paciência, “porque os netos pediram”. E também sou merecedor de considerações especiais, de “gostar muito de você”, de que “sempre faz eu me sentir bem”.
São injeções de amor e ânimo na veia dos mais velhos, que fazem aumentar também a tolerância, ou como diz a música de Lenine ouvida na 99,7 FM da Gazeta naquele mesmo Dia dos Avós – “Finjo ter paciência”. A frase mostrou-se tão válida quando ainda neste dia, ou outros de chuva, até o tabuão da sala, há pouco tempo com brilho renovado, virou campinho de futebol, para deixar a vó e o vô de cabelo em pé, a dar mil recomendações para maneirarem e se lembrarem que há lustres, vidros e outros perigos por perto nesse espaço nada recomendado para tais práticas, ficando ao final aliviados quando isso dura pouco e os danos foram menores do que poderiam ter sido.
Todos os avós têm histórias a contar na sua relação com os netos e netas, e os mais modernos fazem questão de divulgá-las em vídeos no celular, ou contar com orgulho, e muitas vezes com alguma preocupação, as suas peripécias e tiradas. Foi o caso de uma vó que relatou algumas de sua neta de nove anos, nas quais já aparecem lances de ousadia e pitadas de humor, o que fez a vó adverti-la que ela estava “muito passada” e a menina, já com ares de pré-adolescente, não titubeou em completar: “não, vó, eu tô no ponto”.
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Tudo isso evidencia que, além de curtir todas as manifestações de carinho e alegria que a proximidade com os netos propicia, não pode faltar o contínuo aconselhamento, que, na menor presença dos pais, cabe em maior escala aos avós, chamando a si também a responsabilidade de continuar a ajudar a educar os filhos dos filhos, diante dos riscos e perigos que o mundo oferece, sendo a luz que neles já reconhecem. É um permanente exercício de oferecer o amor mais profundo na medida certa, para que sigam da melhor maneira, com erros e acertos, mas com boa dose de segurança, os caminhos que a eles se abrem no seu futuro, renovando orações e esperanças para que seja o melhor possível.
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