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ECONOMIA

Inadimplência atinge 83,9 milhões de brasileiros em julho

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Brasil encerrou o mês de julho com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, um avanço de 0,23% em relação ao mês anterior. Segundo o mais recente Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, ao todo, mais de 348,3 milhões de dívidas estão em aberto, somando R$ 586,4 bilhões em débitos.

No Rio Grande do Sul a inadimplência cresceu 0,54% em julho e atinge 46,76% dos gaúchos. São mais de 4.158 milhões de consumidores inadimplentes que juntos devem mais de R$ 34.1 bilhões, sendo que o tíquete médio por inadimplente é de R$ 8,2 mil. Entre os inadimplentes, 34,5% estão na faixa entre 41 e 60 anos, seguidos por consumidores entre 26 e 40 com 31,9% das dívidas e os acima de 60 anos, com 26,1% dos débitos. Ainda no estado, 27,3% são débitos são com bancos e cartões de crédito, 18,71% com financeiras e 13,87% com serviços. Em Porto Alegre são 597.545 mil inadimplentes que possuem R$ 2,2 milhões de dívidas que somam R$ 5,1 bilhão. 

Em média, entre os meses de maio, junho e julho de 2025, houve uma média de diminuição de 0,65% na inadimplência, já nos mesmos meses de 2026, a média foi de 0,08%.  Em ambos os casos a inadimplência sofreu queda. No entanto os números de acordos seguem altos, com um aumento de 40%, mostrando que os brasileiros seguem buscando renegociar suas dívidas.

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Nesse contexto, cresce também a preocupação dos brasileiros em reorganizar a vida financeira. Pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que metade dos consumidores (50%) afirma ter gastado mais do que planejava no primeiro semestre de 2026, reforçando a necessidade de revisar o orçamento e estabelecer novas prioridades para os próximos meses.

O estudo revela que 54% dos brasileiros costumam revisar o planejamento financeiro no meio do ano para avaliar as metas estabelecidas em janeiro e definir os próximos passos para o restante de 2026. Apesar dos desafios, os resultados indicam uma mudança positiva na relação dos consumidores com as finanças: em comparação com o mesmo levantamento realizado em 2025, aumentou em seis pontos percentuais o número de pessoas que têm como principal objetivo manter as contas em dia, alcançando 55% dos entrevistados. 

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“O meio do ano é um momento importante para refletir sobre o planejamento financeiro e ajustar a rota quando necessário. Mesmo diante de um cenário de inadimplência ainda elevado, percebemos que os consumidores estão mais conscientes sobre a importância de reorganizar o orçamento e estabelecer metas compatíveis com sua realidade financeira”, afirma Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.

Esse movimento também aparece nas prioridades para o segundo semestre. Quase metade dos brasileiros (49%) pretende quitar dívidas até o fim do ano, enquanto outros 32% querem limpar o nome e 29% planejam formar uma reserva para emergências — indicadores que cresceram seis e quatro pontos percentuais, respectivamente, em relação ao ano anterior. Além disso, a intenção de economizar mais passou de 64% para 69%, enquanto 33% afirmam que pretendem investir com maior frequência. 

Renegociação de dívidas avança no país

Mesmo diante dos desafios, 74% dos entrevistados seguem otimistas em relação à própria situação financeira até o fim do ano e a maior preocupação com a organização financeira já se reflete na busca pela regularização das dívidas. Entre maio e julho de 2026, mais de 14 milhões de acordos foram fechados no Serasa Limpa Nome, um crescimento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior. No intervalo, mais de 7 milhões de consumidores renegociaram seus débitos na plataforma.

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Segundo a Serasa, o avanço das renegociações coincidiu com uma desaceleração no ritmo de crescimento da inadimplência. Enquanto entre maio e julho de 2025 o aumento médio mensal foi de 0,7%, no mesmo período de 2026, a média caiu para 0,2%.

“Regularizar os débitos reduz o peso dos juros, melhora o acesso ao crédito e abre espaço para que objetivos financeiros, como formar uma reserva ou investir, se tornem mais viáveis”, reforça Aline. “Ao revisitar as metas neste meio de ano, esse pode ser o primeiro passo para retomar o controle das finanças ainda em 2026”.

 

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