A candidata do PSTU ao Palácio Piratini é a ex-presidente do Cpers, Rejane de Oliveira. Em sua fala, ela estabelece um padrão entre seus principais adversários, segundo as pesquisas eleitorais, e critica desde o PT até os representantes do PL.
Confirma a defesa da agricultura familiar, incluindo os produtores de tabaco, mas acredita que seja possível o incentivo à diversificação da propriedade para uma eventual substituição desse cultivo. Enquanto isso, entende que os trabalhadores devam controlar os parques industriais, que hoje são administrados por multinacionais.
Sobre a necessidade de maior infraestrutura para transformar Santa Cruz do Sul em polo logístico estadual, a candidata acredita que seja possível por meio da contratação de trabalhadores da região. Essa coordenação seria feita por uma estatal, mas não com a gerência do Estado e sim dos cidadãos. “Nós achamos que esses tipos de obra não podem ser fonte de lucro para as grandes construtoras”, afirma.
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Entrevista – Rejane de Oliveira, candidata ao governo do Estado
- Gazeta do Sul – A economia do Vale do Rio Pardo é baseada na agricultura familiar, em especial, na produção de tabaco. De que forma o Estado pode auxilar o setor? A nossa posição é estarmos do lado dos pequenos agricultores, que sofrem com um lobby das indústrias – a maioria, multinacionais que exploram os agricultores e desvalorizam os produtos para pagar menos, enquanto os custos sobem todos os dias. Então, nós defendemos que as indústrias paguem pela matéria-prima aquilo que os agricultores colocarem como custo da produção.
Mas esse não é o grande problema que enfrentam os pequenos agricultores. As multinacionais colocam em xeque a qualidade do tabaco para poder baratear o serviço, para baratear o produto. E aí nós entendemos que a única forma de resolver isso é garantindo um órgão público sob o controle dos agricultores e que possa aferir essa qualidade. Porque as multinacionais vêm aqui com as suas supermáquinas, com seus supertécnicos, e dizem que essa matéria-prima não tem qualidade.
- Com quem ficaria a gerência desse órgão?
Não adianta botar gente do Estado, gente que está submetida aos grandes empresários, às multinacionais. Tem que ser uma equipe de agricultores que possa avaliar a qualidade e não permitir que as multinacionais venham para cá, peguem a matéria-prima do nosso Estado e a desvalorize. Se as grandes indústrias começarem a não comprar os produtos ou continuarem fazendo a chantagem de que “vamos embora, não vamos mais comprar os produtos”, acho que o Estado precisa iniciar um processo de tomada dessas indústrias, porque elas faturam milhões de dólares.
Nós defendemos que esse parque industrial seja controlado pelos próprios trabalhadores, com apoio e investimento nos pequenos agricultores, que são quem produz para a população do Rio Grande do Sul. Queremos debater com os pequenos agricultores – essa é uma discussão importante – sobre a substituição da cultura do fumo pela cultura do alimento.
- O que pensa sobre a produção do tabaco?
Queremos trabalhar ou fazer o debate sobre a substituição do fumo por alimento. E o governo tem que garantir a compra do que foi produzido. Tem que estar inserido em um projeto estatal de desenvolvimento combinado, organizado, com período de transição junto com os pequenos agricultores. É uma coisa que deve ser muito debatida e aprofundada, é necessário ouvir muito os pequenos agricultores.
Os trabalhadores têm abalos na saúde, com doenças causadas pela produção do fumo, como câncer, problemas respiratórios, saúde mental, distúrbio ósseo… Nós respeitamos muito a cultura da cidade, mas queremos debater essa questão com os pequenos agricultores. Achamos que um governo socialista dos trabalhadores e trabalhadoras precisa ouvir as decisões. Isso tem que ser a partir dos pequenos agricultores, dos trabalhadores, e é com isso que nós contamos.
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- De que forma a senhora entende que possa transformar Santa Cruz em polo logístico regional?
Defendemos um investimento muito pesado no retorno da ferrovia – não só para cargas, mas também para passageiros – porque é um meio de transporte barato e causa menos danos ao meio ambiente. E, para nós, é muito importante essa pauta do meio ambiente.
Se é um meio de transporte mais barato para a população, se causa menos danos ao meio ambiente, achamos que é necessário um investimento pesado nessa questão das ferrovias. Mas fazemos uma análise de que a precariedade de toda essa estrutura está ligada à falta de investimento. Os governos priorizam o pagamento da dívida pública, que todos nós sabemos que já foi paga. E se alguém duvidar disso, nós estamos propondo uma auditoria e a suspensão do pagamento da dívida.
Essa falta de investimento que Santa Cruz sofre é um quadro estadual, faz parte de uma política dos governos que já passaram aqui no Estado. E agora, com todo o desmonte e caos que o Eduardo Leite faz no Rio Grande do Sul. Veja o absurdo que aconteceu nessa área: a empresa Rumo deixou a ferrovia encolher em 75%. Não garantiu o investimento acertado no contrato. E mesmo depois de tudo isso, o contrato continua ativo. Ou seja, estamos dando dinheiro para o capitalismo, dinheiro para a iniciativa privada, e ele nem sequer dá o retorno que consta no contrato.
- De que forma pode ser feito esse investimento em infraestrutura?
Defendemos reestatizar todas as estruturas do Estado, restituir os recursos que o Estado investiu, porque não dá mais para os brasileiros, para os gaúchos e gaúchas continuarem sofrendo necessidades e não verem desenvolvimento nas suas cidades porque o dinheiro do Estado está indo para as mãos da iniciativa privada, para as multinacionais.
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