No espaço da Tribuna Popular da Câmara de Vereadores nessa segunda-feira, 5, a médica mastologista Leisa Gaspary, representante da Liga Feminina de Combate ao Câncer, chamou a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e da continuidade do cuidado às pacientes. A manifestação ocorreu no contexto das ações do Outubro Rosa, campanha mundial de conscientização sobre a doença.
Segundo os dados apresentados, apenas 30% das mulheres realizam mamografia bilateral no Brasil, enquanto muitas ainda chegam ao diagnóstico em estágios avançados. Leisa defendeu que o exame seja feito anualmente a partir dos 40 anos, mesmo quando não há sintomas. Ela também ressaltou que, embora o principal fator de risco esteja relacionado ao fato de ser das mulheres, homens podem desenvolver câncer de mama e devem investigar qualquer alteração mamária.
A médica explicou que a prevenção envolve duas frentes. A prevenção primária está relacionada à adoção de hábitos que contribuam para a redução de riscos, como alimentação equilibrada, atividade física, controle do estresse e prevenção do alcoolismo. Já a prevenção secundária está associada ao rastreamento por meio da mamografia bilateral, capaz de identificar alterações antes do surgimento de sintomas.
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Leisa destacou, no entanto, que rastrear e detectar a doença não são suficientes. Para que o diagnóstico precoce produza resultados, é necessário garantir a investigação completa, o estadiamento e o tratamento adequado, que pode incluir radioterapia, quimioterapia e, quando indicada, imunoterapia.
Ao abordar a realidade de Santa Cruz do Sul, a médica mencionou a qualidade dos mamógrafos disponíveis no município, o Hospital Ana Nery — apresentado como referência nacional em tratamento oncológico — e a oferta de serviços especializados. Ela também citou a atuação da Liga Feminina de Combate ao Câncer, que, no ano anterior, firmou contrato com recursos para disponibilizar exames e, em parceria com a prefeitura, contribuiu para zerar a fila de mamografias, ultrassons das mamas e outros procedimentos necessários ao estadiamento.
A estrutura existente no município foi comparada às dificuldades enfrentadas por pacientes de outras regiões do país. Em cidades do Norte e do Nordeste, conforme relatado, algumas mulheres precisam viajar 300 ou 600 quilômetros de ônibus para realizar exames. A falta de acesso à radioterapia e a exames de melhor qualidade também pode comprometer o tratamento e levar à necessidade de cirurgias maiores.
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A médica reforçou que o diagnóstico em fase inicial pode permitir cirurgias conservadoras, com bons resultados estéticos e preservação da mama sempre que possível. Para ela, o cuidado deve considerar também as diferentes condições enfrentadas por pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede privada, oferecendo o suporte necessário para que cada mulher consiga atravessar todas as etapas do tratamento.
Mobilização
Durante a manifestação, Leisa incentivou a mobilização da comunidade. Ela lembrou que cada pessoa pode orientar uma tia, avó, amiga ou outra mulher próxima sobre a importância de realizar os exames. A união entre entidades, poder público e população, segundo a médica, é fundamental para ampliar o acesso e melhorar o atendimento.
Como referência para políticas públicas, Leisa citou o Estado de Goiás, conhecido como “Estado Rosa”, onde pacientes do SUS teriam acesso inclusive a testes genéticos. A identificação de mutações em determinados genes pode influenciar a escolha do tratamento.
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Ao encerrar, a médica reforçou a mensagem da campanha da Sociedade Brasileira de Mastologia: é preciso cuidar cada vez mais, reconhecer a força da união e continuar avançando, sem desistir, na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama.
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