O resultado das urnas consolidou o predomínio da direita no Vale do Rio Pardo, mas também expôs diferenças importantes entre os municípios. Flávio Bolsonaro (PL) foi o mais votado para a Presidência em 24 das 28 cidades nas eleições de domingo, 4. Lula (PT) venceu em quatro: Encruzilhada do Sul, Pantano Grande, Rio Pardo e Lagoão.
Em outros municípios a disputa foi apertada, como em Tunas, onde Bolsonaro marcou 47,82% contra 47,25% de Lula; e em General Câmara, onde a diferença foi de 5,49 pontos percentuais.
A vantagem foi ainda mais nítida na disputa pelo governo do Estado. Zucco (PL) liderou em todos os 28 municípios, com percentuais acima de 60% em grande parte deles. Os melhores desempenhos ocorreram em Passa Sete, com 71,22%, Passo do Sobrado (69,50%), Arroio do Tigre, (68,56%), Venâncio Aires (67,07%) e Candelária (67,76%). Mesmo nas cidades onde Lula venceu para presidente, Zucco conseguiu manter a dianteira, embora com margens menores em Rio Pardo, Pantano Grande e Lagoão.
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O Senado apresentou quadro mais equilibrado. Sanderson foi o mais votado em 15 municípios, enquanto Marcel Van Hattem liderou em outros 12. A exceção foi Pantano Grande, onde Paulo Pimenta terminou na primeira colocação.
Em diversas cidades, a disputa entre os dois candidatos da direita foi decidida por diferenças mínimas. Em Vera Cruz, Sanderson teve 33,19%, apenas 0,02 ponto percentual à frente de Van Hattem. Em Sobradinho, Van Hattem venceu por 34,02% a 33,92%; em Candelária, Sanderson marcou 34,94%, contra 34,72% do adversário.
O mapa eleitoral, portanto, combina uma tendência regional clara com diferenças locais relevantes. A direita mostrou força nos maiores colégios eleitorais, como Santa Cruz e Venâncio Aires, enquanto o campo de esquerda preservou posições importantes em Rio Pardo, Pantano Grande, Encruzilhada do Sul e Lagoão. Nas eleições proporcionais, candidatos ligados à região tiveram desempenhos expressivos, como Marciele Rosa e Edivilson Brum em Rio Pardo e Airton Artus em Venâncio Aires. O resultado deixa um Vale politicamente alinhado à direita na maior parte do território, mas longe de ser eleitoralmente uniforme.
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» Confira os números da votação por município
Zucco transforma vantagem em domínio
A votação para governador foi a mais homogênea entre os principais cargos. Zucco venceu nos 28 municípios, superando 60% em uma parcela significativa deles. Em Passa Sete, chegou a 71,22%, o maior percentual registrado na região.
Também foram expressivas as votações de Zucco em Passo do Sobrado, Arroio do Tigre, Candelária, Venâncio Aires, Vale do Sol, Santa Cruz do Sul e Vera Cruz. Em Santa Cruz, o candidato do PL obteve 64,39%; em Venâncio Aires, 67,07%; e em Vera Cruz, 64,83%.
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As exceções em termos de margem ocorreram nos municípios onde a eleição presidencial foi mais equilibrada. Em Rio Pardo, Zucco teve 43,74%, contra 36,81% de Juliana Brizola (PDT) e 18,29% de Gabriel Souza (MDB). Em Pantano Grande, foram 46,14% a 37,28%, enquanto em Lagoão o placar foi de 48,50% a 36,35%.
Votação a presidente tem quatro exceções
O desempenho de Flávio Bolsonaro revela uma distribuição territorial muito consistente. O candidato do PL superou Lula em 24 municípios, com percentuais particularmente elevados em Arroio do Tigre, Mato Leitão, Passa Sete, Candelária, Venâncio Aires e Cerro Branco.
O maior contraste aparece nos municípios em que Lula conseguiu vencer. Em Rio Pardo, maior cidade entre os redutos petistas fora dos principais centros, o candidato do PT alcançou 48,52%, ante 43,47% de Bolsonaro. Em Pantano Grande, foram 47,28% a 44,35%. E em Lagoão, a diferença foi de 45,98% a 44,61%.
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Encruzilhada do Sul apresentou um dos confrontos mais equilibrados: Lula ficou com 46,60%, enquanto Flávio Bolsonaro chegou a 45,61%. Tunas teve diferença ainda menor, embora favorável a Bolsonaro: 47,82% contra 47,25%. O cenário indica que a polarização nacional se reproduziu no Vale do Rio Pardo, mas com uma intensidade muito desigual entre os municípios.
Disputa ao Senado se divide entre Sanderson e Van Hattem
A eleição para o Senado destoou do padrão observado nas disputas majoritárias. O resultado mostra que, apesar da divisão quase equilibrada entre Sanderson e Van Hattem, que terminaram à frente em 15 e 12 municípios, respectivamente, houve um município onde o candidato do PT rompeu esse padrão: Pantano Grande, que teve Paulo Pimenta como o mais votado.
Sanderson teve desempenhos fortes em Arroio do Tigre, Candelária, Passo do Sobrado, Venâncio Aires, Vale do Sol e Cerro Branco. Em Passa Sete, ele foi o primeiro colocado com 1.905 votos, ou 36,73%. Foram apenas 20 votos à frente de Van Hattem, que recebeu 1.885, equivalentes a 36,35%.
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Van Hattem, por sua vez, liderou em Santa Cruz do Sul, Rio Pardo, Sobradinho, Sinimbu, Mato Leitão, Vera Cruz, Herveiras e outros municípios. Em Santa Cruz, alcançou 34,04%, contra 33,34% de Sanderson. Em Rio Pardo, ficou com 23,01%, à frente de Sanderson (22,64%) e de Manuela D’Ávila (21,18%).
A única ruptura nesse equilíbrio aconteceu em Pantano Grande. Paulo Pimenta foi o candidato mais votado, com 22,40%, seguido por Van Hattem (22,30%), Sanderson (21,56%) e Manuela (21,12%). O resultado mostra que, apesar da força regional dos dois nomes de direita que acabaram eleitos no Estado, houve municípios onde a disputa permaneceu aberta até o fim.
Mais votados no Vale do Rio Pardo

Senado concentra maior volume de votos inválidos
Os votos brancos e nulos tiveram peso considerável, especialmente na disputa pelo Senado. Como cada eleitor podia escolher dois candidatos, o comportamento nessa etapa apresentou diferenças relevantes em relação à eleição presidencial.
Em Encruzilhada do Sul, os votos brancos chegaram a 14,47%, enquanto os nulos somaram 8,05%. Em Rio Pardo, foram 11,15% de brancos e 6,40% de nulos. Em Pantano Grande, os percentuais chegaram a 9,74% e 6,39%, respectivamente.
Também chamam atenção os índices em municípios como Vale do Sol, onde brancos e nulos somaram 19,15% na disputa pelo Senado, e Segredo, com 18,50%. O fenômeno reforça a necessidade de analisar separadamente a eleição senatorial, que teve mais candidatos e duas vagas em disputa.
Votação proporcional revela a força de líderes regionais
As eleições para deputado federal e estadual apresentaram um mapa mais fragmentado, no qual o vínculo territorial e a atuação política local tiveram peso evidente. Marcelo Moraes (PL) aparece entre os principais nomes para a Câmara em vários municípios, com votações especialmente expressivas em Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Vera Cruz, Vale do Sol e Sinimbu.
Em Rio Pardo, o resultado foi particularmente singular. Marciele Rosa (Podemos) foi a candidata mais votada para deputada federal, com 5.212 votos, enquanto Edivilson Brum (MDB) teve uma votação excepcional para deputado estadual, chegando a 8.546.
Em Venâncio Aires, Airton Artus (PDT) foi o destaque para a Assembleia Legislativa, com 13.203 votos, mais do que o dobro da segunda colocada, Kelly Moraes (PL), que recebeu 4.863. Já em Sobradinho, Adolfo Brito (PP) liderou a disputa estadual, com 1.315 votos.
Tunas e General Câmara tiveram disputa apertada
Embora o predomínio de Flávio Bolsonaro tenha sido amplo, alguns municípios apresentaram equilíbrio muito maior do que a média regional. Tunas foi o caso mais extremo: 47,82% para Bolsonaro e 47,25% para Lula, diferença de apenas 0,57 ponto percentual.
General Câmara também apresentou uma das menores diferenças, com 47,83% para Bolsonaro e 42,34% para Lula. Em Lagoão, Lula venceu por 1,37 ponto percentual. Em Pantano Grande, a vantagem petista foi de 2,93 pontos, enquanto em Rio Pardo chegou a 5,05 pontos.
No sentido oposto, Passa Sete teve uma das maiores diferenças: Flávio Bolsonaro alcançou 64,43% ante 27,80% de Lula. Arroio do Tigre também registrou forte vantagem bolsonarista, de 65,43% a 27,58%, assim como Candelária, com 62,58% a 29,24%.
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