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Chuva recorde em 13 anos coloca a região em alerta

As previsões indicam que a chuva dará uma trégua hoje, mas o Vale do Rio Pardo ainda sofre as consequências da instabilidade dos últimos dias. As áreas mais baixas dos municípios, principalmente nas margens dos rios e arroios, deixam as equipes da Defesa Civil em alerta. O responsável pela estação meteorológica da Unisc, Marcelino Hoppe, informa que o acumulado em uma semana foi de 211 milímetros em Santa Cruz do Sul, sete vezes mais que o normal. Somente na última sexta-feira foram 102 milímetros. 

A média de maio fechou em 225 milímetros, muito além dos 155 que estariam dentro da normalidade. “É o maio mais chuvoso em 13 anos”, afirma Hoppe. Na história, segundo ele, o mês de maio com maior precipitação foi o de 1941, quando 404 milímetros despencaram do céu. “Somente no dia 4 de maio de 1941, choveu 112 milímetros. A enchente histórica em Rio Pardo seria registrada quatro dias depois”, destaca.

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A Defesa Civil de Rio Pardo retirou até agora quatro famílias de suas residências por causa de problemas em consequência das chuvas. Duas foram removidas ontem do Balneário Porto Ferreira de barco com a ajuda do Corpo de Bombeiros. Uma foi para a casa de parentes, enquanto a outra está abrigada na Casa de Passagem da Prefeitura. Além dessas, uma idosa teve que sair da sua residência na segunda-feira. Conforme o secretário de Trânsito e Serviços Essenciais e também coordenador da Defesa Civil de Rio Pardo, Jair Francisco da Silva Rodrigues, uma das paredes da casa desabou em razão da umidade. Ela também está na Casa de Passagem. Na Praça da Ponte, área próxima à antiga Estação Férrea, as cheias do Rio Pardo fizeram uma família sair de casa, buscando abrigo na residência de parentes.

Segundo Rodrigues, um monitoramento constante é feito nas áreas vulneráveis, como a Várzea do Camargo. Ele aponta que pelo menos 30 famílias residem nas margens da ERS–403. Lonas já foram distribuídas para amenizar problemas como goteiras e infiltrações. “Estamos preparados para remover as famílias a qualquer momento. O ginásio Guerinão terá estrutura, com alimentação e roupas. Já acionamos o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar e uma assistente social. Ficaremos em alerta”, explica. 

No fim da tarde de ontem, o Rio Jacuí atingiu a marca de 15,66 metros – 8,66 acima do nível normal na jusante da Barragem do Anel de Dom Marco. Os balneários Santa Vitória e Porto Ferreira estão sem acesso com veículos, pois a água tomou conta das estradas e das principais ruas. Na Praia dos Ingazeiros, o nível da água sobe em direção à Avenida Perimetral.

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Venâncio Aires

Já em Venâncio Aires, o coordenador da Defesa Civil, Dário Martins, destaca que o nível do Rio Taquari ainda não apresenta risco às famílias ribeirinhas. A medição de ontem pela manhã em Estrela apontava a marca de 16,40 metros. Martins afirma que para alagar a Vila Mariante, o nível da água em Estrela deve atingir 23 metros. Em Mariante, o nível chegou a 9,80 metros. Ele salienta que alguns trechos da ERS–130, entre Cruzeiro do Sul e General Câmara, estão interditados. Segundo Martins, o Rio Taquari-Mirim e o Arroio Castelhano não saíram do leito e apresentam uma situação mais tranquila. “Estamos em alerta, monitorando o nível do Rio Taquari. Mas acredito que a chuva dará uma trégua e não provocará maiores transtornos”, resume Martins.

No Estado, 899 pessoas estão desalojadas

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A Defesa Civil estadual indica que 74 municípios sofreram algum tipo de dano em função da chuva. Deste total, 30 já entraram com o pedido para receber recursos emergenciais. Do Vale do Rio Pardo, Boqueirão do Leão e Barros Cassal aguardam a homologação do decreto. A Defesa Civil calcula que o número de famílias desalojadas em razão da chuva chega a 899. Destas, 673 foram para a casa de parentes e outras 226 para abrigos públicos. A estimativa é de 4,8 mil pessoas afetadas.

A meteorologia aponta para uma interrupção na instabilidade hoje, quando uma massa de ar frio começa a atuar no Estado e provoca queda na temperatura. A chuva deve retornar no domingo. 

A cidade em que mais choveu em maio foi São Luiz Gonzaga, com 469 milímetros (222% acima da média). A maior preocupação das autoridades estaduais é com o Rio Uruguai, que chegou a registrar um aumento de 15 centímetros por hora no nível.

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Sinimbu entra em situação de emergência

Com prejuízos de aproximadamente R$ 800 mil em consequência da chuva, a administração municipal de Sinimbu decretou na terça-feira situação de emergência. A decisão foi tomada após a vistoria em estradas, pontilhões e bueiros no interior. Diversas localidades apresentam problemas, prejudicando inclusive o transporte escolar. O major Alexsandro Goi e o sargento Valdecir Ambrosio, da Coordenadoria Regional da Defesa Civil do Estado em Lajeado, estiveram ontem na cidade e deram orientações sobre os procedimentos necessários.


Estrada atingida pelo rio em Salto Rio Pardinho será reparada

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A equipe da administração municipal percorreu na segunda e na terça-feira diversas localidades do interior para avaliar os estragos ocasionados pela chuva no fim de semana. O vice-prefeito e também secretário de Obras, Claus Wagner, explica que o levantamento de dados relativos aos prejuízos continua, pois a chuva voltou e o nível dos rios aumentou novamente. “Comunicamos à Defesa Civil e, com o decreto de situação de emergência, esperamos conseguir algum recurso do governo”, afirma. 

A maior preocupação, conforme o secretário, relaciona-se aos pontilhões. “Em Alto Rio Pequeno tivemos dois passos muito danificados. Um deles teve a estrutura de concreto arrancada. O outro, toda a cabeceira”, explica. O secretário informa que, após a queda no nível da água, haverá a liberação de um acesso provisório. Durante as férias de inverno, a intenção é concretar a laje do primeiro passo e projetar mais um canal no segundo pontilhão. “Dessa forma vamos aumentar a vazão dele e solucionar essa questão da cabeceira, que sempre é um problema”, detalha.

Em razão dos problemas nos pontilhões em Alto Rio Pequeno, o transporte escolar foi suspenso por dois dias na localidade. Para evitar que os alunos percam aula, a Secretaria de Educação analisa realizar provisoriamente o transporte pelas localidades de Linha Evaristo e Linha Almeida à escola de Rio Pequeno, até que se restabeleça emergencialmente a passagem pelo pontilhão destruído.

Estradas

Em relação às estradas, Claus Wagner explica que a maioria foi prejudicada, principalmente em Rio Pequeno, Alto Rio Pequeno e Salto Rio Pardinho. “Vamos trabalhar intensamente na recuperação dos acessos e dos pontos afetados. Se necessário, vamos exceder horários e trabalhar nos fins de semana.” A prefeita Sandra Backes disse que o volume de chuva nos dias 26 e 27 foi maior que o esperado para essa época do ano. 

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