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MARCIO SOUZA

Viva o gauchismo vivo

Foto: Divulgação

“São gritos de bamo cavalo, toca toca, êra êra”, cantam Os Serranos em Pelos, referendando a relação do gaúcho com o forte animal. É quase que uma simbiose, pois é difícil olhar o perfil imaginado do homem e da mulher do Rio Grande do Sul sem pensar na parceria, seja em trabalho de campo, seja no lazer. E, assim como é enaltecida a aproximação com os equinos, muitos outros temas, equipamentos e adereços fazem parte do cotidiano de quem vive no extremo sul brasileiro.

A Berenice Azambuja e o Gaúcho da Fronteira conseguiram, em um refrão, apresentar um leque dessas marcas, que simbolizam as preferências e os costumes do Estado. “Churrasco, bom chimarrão, fandango, trago e mulher. É disso que o velho gosta, é isso que o velho quer”, eternizaram. Saber e concordar com as predileções do “velho” é a opção que cabe a cada um, mas o fato é que a manutenção dos costumes está garantida ao se observar a quantidade de crianças e jovens que participam das atividades dos Festejos Farroupilhas.

Em todo o Estado, e até fora do Brasil, são organizados eventos e comemorações relativas ao Dia do Gaúcho e à Revolução Farroupilha. Não se trata de reverenciar somente mais um povo, dentre os tantos que temos neste país diverso. A pessoa que nasce no Rio Grande do Sul já chega ao mundo de bota e bombacha ou com seu vestido rodado, aprende desde cedo a fazer o chimarrão e dar cheiro à manhã de domingo com o churrasco pingando gordura sobre a brasa; dança todos os anos, e durante o ano todo, as mesmas músicas típicas, mas ainda assim consegue emocionar-se ao ver o Pezinho indo para um lado, enquanto “quem não dança o Maçanico não arruma namorado”.

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E enquanto as famílias estiverem nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e as crianças derem sequência aos hábitos enraizados, certamente, setembro continuará dando orgulho para os gaúchos. Seguirá transformando o que é feito como forma de reacender a chama crioula no peito do vivente em demonstração cultural, em atrativo turístico e em amostra de que a globalização trazida pelas telas não afeta o galpão erguido no pampa.

A cada passo dado nas invernadas, a cada rodeio, a cada Enart, são construídas memórias, que fazem correr nas veias a certeza dos Fagundes, em Origens: “Eu sei que não vou morrer, porque de mim vai ficar, o mundo que eu construí, o meu Rio Grande, o meu lar”. E neste torrão é possível ver quero-quero colocar o intruso para correr, quando se aproxima do ninho, ainda se fica na manhã de domingo esperando o Gre-Nal e se tem a certeza de que vai chover daqui a três dias, quando chega o vento norte rebojando ao pé da serra.

E assim, sabendo que precisam estar mais entrosados os lenços vermelho e branco, vive-se com a certeza de que Ainda existe um lugar: “Pela manhã o Sol nascente vem sorrindo, e os passarinhos cantam hinos no pomar; o chimarrão tem um sabor de esperança e a criança traz um futuro no olhar”, como canta Wilson Paim.

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