As incertezas do cenário internacional, o período eleitoral brasileiro e a implementação da reforma tributária devem manter 2027 como um ano desafiador para empresários e investidores. Apesar disso, o ambiente também pode abrir oportunidades para quem acompanhar as mudanças nas principais variáveis econômicas. A avaliação é do economista da Genial Investimentos, Roberto Motta, que participou do Alpha Private, jantar empresarial realizado na noite dessa quarta-feira, 19, no Country Club, em Santa Cruz do Sul.
Promovido pela Alpha Wave, o encontro reuniu empresários para discutir perspectivas para os negócios e investimentos. Durante a programação, Motta apresentou um panorama do cenário econômico, relacionando movimentos internacionais ao contexto brasileiro e às decisões que devem estar no radar dos investidores nos próximos meses.
Para Motta, o momento é marcado por acontecimentos pouco usuais na economia internacional e exige atenção ao comportamento das bolsas, juros e moedas. “Estamos em um ano totalmente atípico, vendo eventos que não aconteciam há mais de 30 anos”, avaliou. Segundo ele, o desafio está em compreender os movimentos globais e identificar seus reflexos sobre o Brasil, especialmente sobre juros e câmbio.
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No ambiente doméstico, o investidor apontou o calendário eleitoral e a reforma tributária entre os principais fatores de incerteza. “Ano eleitoral é sempre um ano difícil no Brasil. Também teremos a reforma tributária, que é bastante desafiadora. Ainda temos muita incerteza e muitas lacunas”, afirmou. Mesmo diante desse cenário, Motta considera que períodos de transformação também podem oferecer oportunidades. “São momentos desafiadores, mas são momentos riquíssimos”, acrescentou.
Potencial do interior gaúcho
Durante a passagem por Santa Cruz do Sul, Motta também avaliou o potencial para investimentos no interior do Rio Grande do Sul. Na visão do investidor, os três estados da Região Sul apresentam espaço para novos negócios, enquanto a tecnologia ampliou as possibilidades de desenvolvimento de atividades que não dependem exclusivamente dos setores tradicionalmente consolidados em cada município.
Em Santa Cruz, Motta destacou a força econômica ligada à cadeia produtiva do tabaco, mas apontou possibilidade de diversificação. “A Região Sul do Brasil vem se destacando. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul têm um potencial enorme. Aqui é uma área de fumo e tem muita coisa para desenvolver”, afirmou. Para ele, a expansão das atividades digitais também permite que empresas sejam desenvolvidas no interior sem as limitações geográficas existentes no passado.
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O impacto das enchentes de 2024, no entanto, ainda aparece entre os fatores considerados por investidores que observam o Rio Grande do Sul. Motta reconhece que o desastre deixou consequências para a percepção externa sobre o Estado. “A incerteza existe um pouco. Infelizmente, as enchentes foram um evento muito traumático e ainda existem cicatrizes. Muita coisa ainda não voltou ao que era normal”, ponderou.
Apesar disso, o investidor mantém uma perspectiva positiva sobre a capacidade econômica gaúcha. Segundo ele, ainda existem desafios para tornar o ambiente estadual mais atrativo ao capital externo, mas o potencial da região permanece relevante. Em uma primeira avaliação sobre Santa Cruz do Sul, Motta ressaltou principalmente o perfil empresarial encontrado no município. “O empreendedorismo é importantíssimo. Estou surpreso com a qualidade das pessoas, com o debate e bastante otimista”, concluiu.
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