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Chaminé da antiga fábrica da Souza Cruz corre risco de demolição

Foto: Rafaelly Machado

Edificação foi erguida no início do século passado e tem cerca de 30 metros de altura

A possível demolição da chaminé da antiga fábrica da Souza Cruz, no Centro de Santa Cruz do Sul, tornou-se alvo de críticas. A construção histórica é considerada um marco do processo de industrialização do município. O assunto está sob análise do Centro de Pesquisa e Qualidade Urbana e Rural (Cipur), ligado à Secretaria Municipal de Planejamento. O órgão técnico não divulga informações sobre procedimentos em andamento, mas a Gazeta do Sul apurou que o pedido foi protocolado no dia 2 de setembro do ano passado pela proprietária do terreno onde fica a chaminé, que é uma empresa de investimentos com sede em Lajeado, no Vale do Taquari.

A alegação é de que a estrutura, que não é protegida pelo patrimônio cultural do Município, está sob risco de desabamento. Conforme prevê o rito para procedimentos dessa natureza, além de análise de documentação, uma vistoria no local foi realizada.

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Questionado, o vice-prefeito Elstor Desbessell (PL), que também responde pelo Planejamento, disse que a decisão final, que cabe a ele, dependerá do posicionamento do Cipur e de outros órgãos, como o Conselho Municipal de Planejamento Urbano (Compur) e a Defesa Civil. “A secretaria não vai emitir um laudo de demolição se não houver uma determinação por parte desses órgãos. Sabemos do valor histórico dessa construção, por isso estamos aguardando esses relatórios”, alegou.

O assunto foi levantado pelo vereador Bruno Faller (PDT) na sessão da Câmara desta semana. Em 2017, Faller chegou a apresentar um projeto para incluir a chaminé no inventário do patrimônio histórico, mas a proposta não chegou a ser votada. Em pronunciamento na tribuna, ele pediu ao Executivo que não autorize a demolição. “Não podemos perder mais um símbolo da nossa cidade. Alternativas para manutenção existem.” Faller citou ainda casos de chaminés históricas preservadas em outros municípios, como São Paulo.

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“Não há nada que não possa ser recuperado”, defende arquiteto

Localizada em uma área entre a Avenida Paul Harris e as ruas Capitão Fernando Tatsch e Belo Horizonte, a chaminé é uma construção remanescente do antigo complexo fabril da Companhia Brasileira de Fumo em Folha (CBFF), ligada à British American Tobacco (BAT) e que mais tarde se tornou Souza Cruz – atualmente, BAT Brasil. A empresa se instalou no município em 1917 e as edificações, incluindo a alta chaminé de tijolos à vista, utilizada para exaustão da fornalha, foram erguidas nos anos seguintes. Além da chaminé, que tem cerca de 30 metros e durante muito tempo foi o ponto mais alto da cidade, também resta no local um reservatório de água de ferro fundido, importado da Inglaterra.

Os equipamentos se tornaram um símbolo do início do processo industrial de Santa Cruz, que data dos primeiros anos do século 20, quando manufaturas voltadas ao processamento de tabaco para exportação começaram a ser instaladas na cidade. Conforme o arquiteto Ronaldo Wink, a simbologia da chaminé e da caixa d’água é tão significativa que os equipamentos foram retratados no Monumento ao Imigrante, um dos principais pontos turísticos do município, inaugurado em 1969.

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Para Wink, a demolição representaria a perda de uma memória. “Com a tecnologia existente, não há nada que não possa ser recuperado, muito menos uma simples chaminé”, criticou. Na avaliação dele, a manutenção da construção poderia ser viabilizada a partir de negociação entre a Prefeitura e o proprietário da área. “Poderia ser concedido um índice construtivo maior para a área em troca dessa preservação”, sugeriu.

Embora afirme que a secretaria deve seguir “estritamente a legislação estabelecida”, o arquiteto e urbanista da Secretaria de Planejamento Paulo Jorge Riss da Silva se diz “bastante frustrado” com a possibilidade de a edificação ser demolida. “Não com o pedido em si, que é direito do proprietário, mas com a falta de uma política pública mais preventiva e cuidadosa com o nosso patrimônio”, completou ele, que também faz parte do Conselho Municipal de Cultura e da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos (Seasc).

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