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LANÇAMENTO

Chris Cidade Dias estreia na literatura adulta com romance de mistério

Foto: Divulgação

A escritora Cris Cidade Dias, patrona da Feira do Livro de Santa Cruz neste ano, faz sua estreia em romance adulto | Foto: Léo Salvador

Reconhecida por sua produção em literatura infantojuvenil, já com cerca de 50 obras publicadas nesse gênero, a escritora gaúcha Chris Cidade Dias faz sua estreia em literatura direcionada a público adulto. Seu primeiro romance, A mulher que ouvia os quadros, chegou às livrarias praticamente em simultâneo a seu anúncio como patrona da 36ª Feira do Livro e da 2ª Festa Literária Internacional de Santa Cruz do Sul, que ocorrerão entre os dias 7 e 15 de novembro, na Praça Getúlio Vargas. O evento, portanto, permitirá uma maior divulgação de sua primeira incursão em narrativa longa.

Lançado pela editora porto-alegrense Casa de Astérion, com 111 páginas (a R$ 66,00), o romance leva o leitor à cidade de Toledo, na região de Castela/La Mancha, na Espanha. É para lá que viaja a protagonista, Clarissa, motivada por um broche que tinha no centro um pequeno pássaro, em fios de ouro, objeto de família. Descobriu que se tratava de um damasquinado, arte típica daquela área.

O que Clarissa não poderia intuir é quanto essa imersão na realidade espanhola mudaria a sua vida para sempre. Já em Toledo, seus passos fluem para a impressionante Catedral local. Nela, capta mensagens em quadros, conhece uma enigmática mulher, de nome Dulcineia (por sua vez o nome da amada de Dom Quixote de la Mancha), e um igualmente enigmático senhor chamado Francisco (logo ela, fascinada pelo pintor Goya, que tem esse prenome).

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Quando Clarissa se defronta com um ostensório em ouro exposto na Catedral, sua presença em Toledo assume ares de suspense. Descobre, então, uma misteriosa rede de mulheres que se revelam guardiãs de um antigo segredo, associado às primeiras ações dos espanhóis na América, sob a liderança de Hernán Cortés, em 1519. O ouro com o qual se moldara a obra foi o primeiro enviado do novo mundo para a Espanha, após a ofensiva contra os astecas, e há um esforço coordenado para que ele seja devolvido ao ponto de origem.

Por sua sensibilidade diferenciada, Clarissa, uma brasileira de Porto Alegre, vê-se inserida num arrojado projeto para que, durante a procissão de Corpus Christi, quando o ostensório é mostrado nas ruas, uma manobra possa ser efetivada. Com algumas pitadas de realismo mágico e outras tantas de mistério e suspense, Chris Cidade Dias convida a refletir ainda sobre as cicatrizes deixadas pela colonização no continente americano (e, de resto, os efeitos do projeto colonial europeu).

Em alusão a sua ampla obra infantojuvenil, redações de escola de uma Clarissa adolescente intercalam no romance a linguagem mais descolada dos jovens.

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Muitas distinções

O primeiro romance direcionado a público adulto tende a ser uma das obras de ampla procura durante a Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, pelas características de sua proposta temática, salientando também a literatura produzida por mulheres em realidade gaúcha. Já em sua bibliografia no catálogo infantojuvenil, Chris recebeu em 2016 o Prêmio Açorianos, o principal no Estado, por seu livro Então quem é? Entre outras distinções, a autora foi agraciada com prêmios como Viva Leitura e Panvel e o reconhecimento Inovação Empreendedora PGQP. No conjunto, estima-se que as obras dela já venderam mais de meio milhão de exemplares.

Entendi que as obras de arte, guardadas em museus, são estruturas de poder materializadas. Marcas humanas de opressão, e não divinas, como se poderia supor. Cada museu é um banco de peças roubadas. Muita pretensão nossa pensar que seus verdadeiros donos não viriam buscá-las. Enxerguei o gesto da mão do artista construindo espaço para a aplicação das pedras e criando lacunas para que a luz ampliasse as feições do Cristo naquela peça de arte. Topázio, coral, ametista, jade, pedras retiradas da terra, agora presas no ouro como se tivessem nascido ali. Tudo harmonioso e tão perfeito que parecia ter vida própria, movimento, temperatura.

 

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Para ler:

A Mulher que ouvia os Quadros, de Chris Cidade Dias. Porto Alegre: Casa de Astérion, 2026. 111 p. R$ 66,00

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