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IDEIAS E BATE-PAPO

Educar é para poucos

A tarefa mais difícil do mundo é criar filhos. Sou pai de um casal de jovens adultos. A proximidade das idades foi um sufoco quando eles eram pequenos. Para sair de casa, era preciso pôr em prática uma logística cansativa. Mesmo com toda atenção e um “check list”, sempre esquecíamos alguma coisa.

É redundante dizer que o mundo mudou demais. E com muita rapidez. O uso massivo da tecnologia, principalmente o celular, transformou a vida dos pais num inferno, especialmente aqueles que têm filhos adolescentes. Eu não teria estrutura física e emocional para educar uma criança na atual conjuntura.

Generalizar é sempre injusto, mas fico boquiaberto com a legião de jovens e crianças que desconhecem limites. São incapazes de conviver com frustrações ou negativas. Tornam-se revoltados já na mais tenra idade, impondo suas vontades, custe o que custar, vivendo em permanente conflito com quem os contraria.

O acesso irrestrito a todo tipo de conteúdo através da internet se agrava pelo comportamento omisso dos próprios adultos. Ligar a tevê é temerário com os “pitocos” por perto. Violência, sexo explícito às 3 horas da tarde e cenas com personagens que praticam crimes e se dão bem estão sempre na telinha.

Ensinar as crianças a dizer a verdade, a não mentir e não se apoderar de coisas alheias soa piegas, redundante. Parece tão ingênuo quanto tentar ensinar as chamadas “palavrinhas mágicas”, velhas conhecidas dos integrantes da “velha guarda”. Obrigado, desculpe, por favor, com licença eram expressões aprendidas nos primeiros anos de vida. Hoje, porém, são expressões pouco usuais.

A inversão de valores fez com que roubar/enganar e “se dar bem” seja sinal de esperteza e não de má conduta. A Operação Lava-Jato desvendou o maior escândalo de corrupção com nosso dinheiro em todo o mundo. Isso mesmo… do mundo! E o que assistimos há poucos dias? O cancelamento de todas as condenações, um perdão coletivo, inclusive daqueles condenados em três instâncias em processos que tramitaram por mais de cinco anos.

Sob a égide de que “notícia ruim vende mais”, parte significativa da mídia explora tragédias, escândalos e conteúdos depressivos maciçamente. Ironicamente chamam de “jornalismo cor-de-rosa” a reivindicação de divulgar experiências exitosas, personagens solidários e que são exemplos a serem seguidos por crianças jovens.

Educar filhos exige coerência, energia e servir, sempre, de exemplo. É preciso mostrar que os maus comportamentos devem ser condenados. É um desafio que dura a vida toda, mesmo quando eles estiverem na idade adulta. Apesar dos perigos e desafios, exercer o papel de pai/mãe é único. Uma tarefa gratificante, compensadora e indescritível.

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