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AGRONEGÓCIO

Farsul amplia diálogo com cadeia produtiva do tabaco

Foto: Rodrigo Nascimento

A cadeia produtiva do tabaco ampliou, nessa quarta-feira, 26, a articulação com o agronegócio brasileiro. Em agenda na sede da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre, a Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) e entidades representativas do setor receberam o compromisso da federação de ampliar a participação nas pautas da atividade e encaminhar a criação de uma comissão permanente dedicada ao tabaco. A iniciativa dá continuidade à aproximação institucional construída nos últimos meses, especialmente a partir de agendas realizadas em Brasília, e busca ampliar a presença da cadeia nos espaços de discussão e defesa do agronegócio nacional.

O presidente da Amprotabaco, Gilson Becker, afirma que a aproximação com entidades de representatividade nacional pode ampliar o debate sobre oportunidades econômicas para o setor. Entre as possibilidades citadas estão a produção nacional de novos produtos e a extração de nicotina líquida para industrialização e exportação. “Há uma tendência de liberar o processo de extração da nicotina líquida para a industrialização, conforme os interlocutores do Governo Federal nos passam. A fabricação desses produtos abriria um novo nicho de mercado para toda a cadeia produtiva, com oportunidade para produtores e indústria, especialmente porque já existem mercados consolidados internacionalmente”, afirma. Segundo Becker, a produção regulamentada também permitiria maior controle sobre um mercado atualmente abastecido, em grande parte, por produtos provenientes do contrabando.

O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, confirmou o apoio da entidade à construção da agenda e defendeu que as discussões sejam baseadas em dados oficiais e análises econômicas dos mercados. Conforme Lopes, a estratégia pode começar pela produção destinada à exportação e, posteriormente, avançar para outros elos relacionados aos novos produtos e à regulamentação no país. “A Farsul quer apoiar e se engajar na causa do tabaco. Acredito que a estratégia inicial seja trabalhar a exportação em primeiro plano e, depois, avançar sobre os demais elos da cadeia”, afirmou. Ele também defendeu a criação de uma comissão permanente na federação, com participação indicada pelas entidades do setor, para sistematizar demandas e subsidiar os posicionamentos institucionais.

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O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, destacou que o setor ainda enfrenta dificuldades de compreensão sobre sua dimensão econômica e social. Para ele, a aproximação com entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Farsul amplia a representatividade da cadeia. A produção brasileira está concentrada principalmente nos três estados do Sul, além de Bahia e Alagoas, enquanto o mercado internacional passa por transformações. Thesing citou o crescimento dos produtos de tabaco aquecido em países como o Japão e defendeu que o Brasil tenha condições de participar desse mercado, tanto pela produção de novos produtos quanto pela extração de nicotina líquida. “Entendemos que a CNA e a Farsul têm uma força muito grande nos espaços de discussão. Essas entidades podem contribuir para que o Brasil tenha um posicionamento cada vez mais baseado em evidências científicas, econômicas e produtivas”, afirmou.

Também presente no encontro, o vice-presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Romeu Schneider, abordou o impacto do mercado ilegal e a necessidade de ampliar o debate sobre alternativas regulamentadas. Segundo ele, o contrabando chega a representar cerca de 40% do mercado em determinados períodos, enquanto novos produtos já são regulamentados em mais de uma centena de países. Schneider defendeu que a discussão considere aspectos de saúde, além dos impactos econômicos, produtivos e relacionados ao comércio ilegal.

Cadeia volta a se reunir na Expointer

A articulação é resultado de uma sequência de agendas conduzidas pela Amprotabaco e demais entidades representativas com o objetivo de ampliar a participação da cadeia produtiva do tabaco nos fóruns do agronegócio. Em Brasília, o setor já havia reunido municípios, produtores, trabalhadores, indústria e lideranças políticas para discutir temas como desenvolvimento econômico, renda no campo, mercado ilegal, desafios regulatórios e participação da cadeia na formulação de políticas nacionais.

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A aproximação com a CNA terá novo capítulo em 3 de setembro, durante a Expointer. Na ocasião, representantes da Amprotabaco, Farsul, CNA e demais entidades do setor estarão reunidos em uma audiência pública, com participação de parlamentares e lideranças governamentais. A agenda deverá abordar questões relacionadas a mercado, regulamentação, exportações e novas oportunidades econômicas para a cadeia produtiva do tabaco.

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