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MARCIO SOUZA

Merecemos o hexa

“Eu vi um menino correndo. Eu vi o tempo” é Força Estranha, que ganhou notoriedade na voz da saudosa Gal Costa. A baiana com um agudo capaz de alcançar os mais altos tons é um exemplo de que o brasileiro tem lugar especial no mundo. A força estranha, mais do que isso, a força extraordinária, é o que teremos de confirmar nas quatro linhas do campo ao ver os nossos meninos da Seleção Brasileira de Futebol correndo. E, diferentemente da música, não há tempo a perder. A resposta deve ser imediata.

E não cabe a este espaço uma análise técnica ou tática do que foi apresentado no primeiro jogo, diante da equipe do Marrocos. Uma análise prática permite perceber que houve dois momentos durante a partida inicial do Brasil na Copa do Mundo realizada nos países norte-americanos. O primeiro foi um susto e consequente alerta sobre a necessidade de melhor entrosamento, mais garra e vontade de vencer; depois, na segunda etapa, uma equipe com mais bola no pé e melhores condições de fazer um resultado positivo que, no fim, não chegou a acontecer.

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O fato é que os brasileiros demoraram um pouco para sentirem o clima da competição, perceberem que, mais uma vez, estamos vivenciando a disputa em que temos experiência. Ou seja, não podemos abrir mão de estar entre os melhores. E não se trata de levar em consideração apenas o histórico, que nos é muito favorável. É o resgate do sentimento que nos trouxe alegrias em épocas em que os sorrisos eram mais raros.

O povo brasileiro sonha com o hexa. Não se trata do entendimento de que as outras 47 seleções não sejam merecedoras. Cada uma tem seu potencial e sua torcida, porém, torcer pelos títulos delas é responsabilidade de seus compatriotas. Não chega a ser um incremento no tenso momento de instabilidade na geopolítica mundial, mas que fique bem claro. Eles que lutem pelos deles, que torceremos pelos nossos.

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Enquanto os torcedores tomam conta do México, dos Estados Unidos e do Canadá, os brasileiros podem lembrar do Jorge Ben Jor comemorando o desempenho do Maravilha: “Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa; e que a galera agradecida assim cantava”. E não precisa ser algo humilhante como o péssimo hábito da seleção alemã em fazer 7 a 1. Pode até dar uma emoção exagerada, com aparente requinte de crueldade, como o Trio Esperança trouxe em Replay: “Faltavam só cinco minutos pra terminar o jogo. E o adversário fazia uma tremenda pressão”.

Esperança é o que não falta para esse povo brasileiro inzoneiro. Nem que seja para uma vitória como a descrita na letra de Pixinguinha: “numa jogada emocionante o nosso time venceu por um a zero”. Basta seguir, passar as fases e continuar na vanguarda da conquista de títulos. Somos os únicos pentas. Que sejamos os primeiros com hexa. Porque a gente sabe que neste período do ano, o “Brasil só é futebol. Nesses 90 minutos de emoção e alegria esqueço a casa e o trabalho. A vida fica lá fora”, cantou Wilson Simonal. Ainda temos eleição neste ano, então que venha a taça para, pelo menos agora, todos comemorarem.

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