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Da terra e da gente

Os fatos se repetem

Ao viver-se bem de perto duas situações dramáticas, uma atingindo com maior intensidade as cidades (a epidemia), a outra sentida mais nas áreas rurais (a seca), não há como não sublinhar acontecimentos semelhantes observados em leituras do passado. Ainda em relação ao livro referido na coluna anterior, o da trajetória centenária dos jesuítas em nosso meio (História das casas – Um resgate dos jesuítas no sul do Brasil – Paróquia São João Batista – Santa Cruz do Sul, do P. Inácio Spohr, SJ, 2019), alguns registros a respeito desses assuntos merecem nossa atenção.

09.03.1877: A terra suspira por chuva. Há muita seca nos campos e nas plantações. Por isso, o povo começou a fazer procissões, pedindo chuva.

05.01.1925: Tempo de muito calor, tendo o termômetro marcado 40ºC à sombra. Grande seca.

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04.04.1926: Páscoa. Após nove semanas sem chuva, a seca causou muitos estragos nas plantações. Finalmente veio uma boa chuva.

20.12.1942: Procissão na matriz para pedir chuva (repetida no domingo seguinte, vindo a tão desejada precipitação no dia 01.01.1943).

19.03.1957: Festa de São José com procissão pela chuva, que acabou ocorrendo no dia seguinte.

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Já quanto ao outro tema, onipresente nos dias atuais, registra-se ao final de outubro e no início de novembro de 1918 a liberação de seminaristas e o fechamento de escolas por causa da gripe espanhola, que então apavorava as autoridades e a população, como a do coronavírus hoje. E assim sabe-se que em vários momentos da história distante, e também da mais recente, as epidemias se apresentam, apesar do desenvolvimento atingido e dos concomitantes avanços tecnológicos e científicos conquistados.

O que se coloca diante de nós, e da repetição dos fatos, é que a natureza mostra forças que temos dificuldades em controlar, e que continuam a nos desafiar em meio ao progresso alcançado, onde se renovam os apelos por soluções da ciência e, por que não, as esperanças divinas. A verdade é que ninguém tem a verdade absoluta, mas o bom senso e o equilíbrio, que são sempre os melhores conselheiros, mandam avaliar as mais diversas ponderações, em especial as técnicas, e adotar as que se revelam como mais sensatas, ainda que não nos agradem.

Assim, agir de modo preventivo parece ser sempre o mais aconselhável, tanto em relação ao meio ambiente quanto à saúde. Reitera-se de um lado, por exemplo, a relevância da conservação das nascentes e margens dos cursos de água, entre outras atitudes preservacionistas, enquanto sobre a questão dos cuidados sanitários basta lembrar como a agora tão proclamada, simples e eficiente higiene das mãos ainda é tão desleixada em períodos normais. Se os fatos se repetem, precisamos estar cada vez mais, e sempre, conscientes, para evitar que os erros se repitam.

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