A Secretaria Municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul apresentou nessa segunda-feira, 28, na Câmara de Vereadores, o Relatório de Gestão Municipal da Saúde e o Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (2º RDQA), referentes ao período de maio a agosto de 2026.
O documento, apresentado pela secretária Denise Grutzmacher Graebner, reúne informações sobre a aplicação de recursos públicos, a cobertura dos serviços e o desempenho de indicadores da Atenção Primária, da Vigilância em Saúde e da Atenção Especializada.
Na área financeira, o relatório informa que os serviços médico-hospitalares, odontológicos e laboratoriais, além dos contratos de gestão, concentraram 58,94% das despesas da saúde no quadrimestre. As despesas com pessoal representaram 31,32%; materiais de consumo, distribuição e bens permanentes, 2,85%; o Cisvale, 2,26%; e outras despesas, 4,63%.
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Somadas, as despesas hospitalares, laboratoriais, de pessoal e os contratos de gestão corresponderam a 90,26% do total aplicado em Saúde. O Município destinou ainda 22,22% de recursos próprios às ações e aos serviços públicos de saúde.

Números foram apresentados pela secretária Denise Graebner | Foto: Jacson Stülp/Divulgação
Atenção Básica amplia cobertura
A cobertura populacional estimada pelas equipes de Atenção Básica alcançou 86,69% no segundo quadrimestre, acima da meta municipal de 79% para 2026. Conforme o relatório, os dados disponíveis no e-Gestor APS na data da apuração eram parciais e correspondiam aos meses de maio e junho.
Na saúde bucal, o sistema federal apontou cobertura média de 36,49%, diante de uma meta de 42%. Os registros atualizados do serviço municipal, contudo, indicaram cobertura de 41,83% no período. A secretaria atribui a diferença ao intervalo necessário para atualização, processamento e consolidação das informações nos sistemas oficiais. A cobertura registrada pelo serviço chegou a 42,67% em julho, após a inclusão de uma equipe com carga horária diferenciada.
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Gravidez na adolescência permanece abaixo da meta
A proporção de nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos ficou em 3,8% no segundo quadrimestre, abaixo da meta de 8,41% estabelecida para 2026. Segundo dados municipais do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), foram registrados 16 nascimentos de mães adolescentes entre 469 nascidos vivos, o equivalente a 3,41%. A maior concentração ocorreu entre adolescentes de 18 e 19 anos, que responderam por 12 dos 16 casos registrados pelo município.
O relatório ressalta que o indicador é acompanhado para orientar ações de saúde sexual e reprodutiva, inclusive por meio das unidades básicas, das escolas e do Programa Saúde na Escola.
Mortalidade infantil e materna
A taxa de mortalidade infantil foi de 8,44 no segundo quadrimestre, abaixo da meta de 9,75 e dentro do objetivo estadual de manter o indicador abaixo de dois dígitos. Foram registrados quatro óbitos infantis entre 474 nascidos vivos. A análise apresentada aponta que os casos estiveram relacionados principalmente à prematuridade, infecções graves, complicações clínicas e malformações congênitas, sem identificação de inadequações na assistência pré-natal.
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No período, não houve registro de óbito materno. O relatório destaca a importância da manutenção da qualidade do pré-natal e da articulação entre os diferentes pontos da Rede de Atenção Materno-Infantil.
Sífilis congênita exige atenção permanente
Foram registrados três casos novos de sífilis congênita em menores de um ano no quadrimestre, contra quatro casos no mesmo período de 2025. A meta municipal para 2026 é de até 13 casos. A secretaria informa que mantém ações permanentes de qualificação do pré-natal e de enfrentamento da transmissão vertical, com reuniões mensais do Comitê Municipal de Investigação de Transmissão Vertical de HIV e Sífilis.
Em relação ao HIV, não foram identificados casos de transmissão vertical no segundo quadrimestre. O município também não registrou transmissão vertical nos dois primeiros quadrimestres de 2026, mantendo o indicador em zero.
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Cobertura vacinal e vigilância contra arboviroses
A cobertura da primeira dose da vacina tríplice viral em crianças de um ano alcançou 85,32%, abaixo da meta de 95%. A Secretaria de Saúde observa que a implantação da UBS Dr. Paulo Juarez de Almeida impactou positivamente a cobertura, embora os dados de agosto ainda não estivessem totalmente refletidos na plataforma federal LocalizaSUS.
No monitoramento do mosquito Aedes aegypti, o município atingiu 100% da meta prevista para o indicador de ovitrampas. Foram mantidas 36 armadilhas nos bairros Senai, Schultz e Bom Jesus, com quatro ciclos de monitoramento entre maio e agosto. Em todos os ciclos, a contagem de ovos foi classificada como baixa, com menos de 200 ovos por ciclo. Para o próximo quadrimestre, está prevista a ampliação da área monitorada, com a instalação de armadilhas também nos bairros Santa Vitória, Faxinal/Menino Deus e Pedreira.
Excesso de peso e saúde mental entre os pontos de atenção
O relatório aponta que 74,8% da população adulta acompanhada apresentava excesso de peso, acima da meta de 69,75% para 2026. Em resposta, o Município desenvolve ações de qualificação dos registros antropométricos e de consumo alimentar, promoção da alimentação saudável e de práticas corporais, acompanhamento nutricional individualizado, prevenção da obesidade infantil nas escolas e encaminhamento de usuários elegíveis para cirurgia bariátrica.
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Na saúde mental, foram registradas 91 internações por transtornos mentais e comportamentais entre maio e julho, resultando em uma taxa de 65,82 internações por 100 mil habitantes. Do total, 49,5% tiveram encaminhamento pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), sendo 77,8% pelo Caps AD, 20% pelo Caps II e 2,2% pelo CAPSiA. A secretaria destaca a atuação da Rede de Atenção Psicossocial e a necessidade de continuidade do cuidado no território, com foco na prevenção de internações evitáveis.
O balanço apresentado na Câmara reforça a importância do acompanhamento sistemático dos indicadores e da integração entre os serviços municipais, estaduais e federais. Os dados também orientam o planejamento das ações de saúde para o restante de 2026, com atenção especial à ampliação da saúde bucal, ao aumento da cobertura vacinal, ao enfrentamento do excesso de peso e à prevenção da sífilis congênita.
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