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ELENOR SCHNEIDER

Trabalhar e ser feliz

Neste domingo, 1º, o mundo lembrou o Dia do Trabalho, portanto nos remeteu ao, talvez, mais importante exercício da vida. “O ser humano é um ser de necessidades, por isso precisa trabalhar para satisfazê-las”, escreveu Marise N. Ramos. Com o trabalho, transformamos a natureza, a grande fonte da vida, mas também é ele que nos transforma e nos ajuda a construir um sentido para a existência. Como crianças menos, como jovens mais, as pessoas olham para o futuro, pensando, às vezes sob intensa angústia, sobre o que vão fazer na vida, ou seja, em que vão trabalhar.

Ninguém deveria ser infeliz naquilo que faz. Embora, ao longo dos tempos, o trabalho tivesse sido para muitas pessoas instrumento de punição, ele é uma forma de dar sentido à vida. Cada novo dia não pode ser encarado como sofrimento antecipado no encontro com o trabalho. Se assim for, estamos no lugar errado, convivemos com a dor, o desencanto, a infelicidade. Não podemos reviver Sísifo em nossa jornada cotidiana.

Segundo a mitologia grega, Sísifo, rei de Corinto, tendo escapado astuciosamente a Tânatos, o deus da morte, enviado por Zeus para castigá-lo, foi levado por Hermes ao Inferno, onde o condenaram ao suplício de rolar uma rocha até o alto de um monte, donde toda vez ela despencava, devendo o condenado recomeçar incessantemente o trabalho. Tarefa, portanto, esgotante, inútil, sem sentido. Modernamente podemos dizer que enxugava gelo. Ou lembramos a rotina, palavra que vem do latim rota, roda que gira e volta sempre ao mesmo lugar.

Tudo é trabalho. Não há ação vã, desnecessária, maior ou menor. O músico no palco está trabalhando. O gaiteiro na rua está trabalhando. O ator, o pintor, o ferreiro, o motorista, o professor, o padre, o pastor, todos trabalham. Quantas vezes já se ouviu: “- Você trabalha? – Não, só estudo!” Como se estudar não constituísse tarefa exigente, árdua em busca do conhecimento, do crescimento pessoal em todas as dimensões. “Ficou o dia inteiro em casa e não fez nada!” Só quem cuida de uma casa, cuida dos filhos, cozinha, limpa, só essa pessoa sabe o quanto esse julgamento é cáustico, injusto, devastador. Quem é “do lar”, trabalha muito, muito mesmo.

Um lugar sempre generoso e aprazível para encontrar palavras, penetrar nelas, desvendar seus sentidos e viver seus encantos é o dicionário. Para trabalho, vamos encontrar faina, labor, tarefa, obrigação, ofício, profissão, serviço, lida, labuta, e muito mais. Vejamos o caso de labor, de onde deriva elaborar, elaboração. Elaborar significa preparar gradualmente, com trabalho e com esmero. Elaborar um prato de comida, por exemplo. “Vamos elaborar um projeto”, diz alguém. Então, pomos o intelecto a conjeturar, a pensar, a trabalhar, até chegarmos a uma ideia, a um conceito, a uma proposta. Extraímos de dentro de nós a solução que tencionávamos encontrar.

E, quando chega a aposentadoria, ainda não é tempo de parar. Penso que quando cessamos o trabalho, cessamos a razão de viver. O descanso, o repouso, o ócio e até a preguiça são necessários e fazem bem. Não podem, porém, ser o objetivo único de quem busca uma vida saudável e feliz. Pouco fruto é mais doce do que a satisfação por um trabalho bem realizado.

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