Rádios ao vivo

Leia a Gazeta Digital

Publicidade

GILBERTO JASPER

Uma eleição com novos personagens

Domingo teremos mais uma eleição em nossas vidas. Nenhuma disputa é igual à outra. E no Brasil, então, a máxima é cada vez mais atual.

Temos um quadro em que os poderes Executivo e Legislativo não estão em destaque, o que seria normal. Afinal, vamos eleger integrantes desses dois poderes da república. Para a surpresa geral, no entanto, o que está em evidência – extremamente negativa, aliás – são integrantes do Poder Judiciário.

Trabalhei por muitos anos na política, sempre como assessor/consultor de imprensa/comunicação. Uma única campanha eleitoral me disse respeito de forma pessoal. Foi em 1968, quando meu pai concorreu (e se elegeu) vereador no município de Arroio do Meio, no Vale do Taquari.

Publicidade

Não há parâmetro de comparação das práticas adotadas à época, no século passado, com o que se vê hoje. Parte do interior nem possuía energia elétrica. Alguns comícios eram realizados em canchas de bocha ou de bolão, salões de bailes, armazéns ou bodegas, locais iluminados pelos famosos “liquinhos”. Eram pequenos botijões de gás, geralmente de dois ou cinco quilos. Em comparação com os dias atuais, não havia agressões, ofensas e acusações de baixo nível.

O mandato do meu pai, que não recebia salário para exercer a função de vereador, consistia, entre outras tarefas, em ajudar agricultores que vinham à cidade para obter o talão do produtor, resolver pendências legais ou resolver problemas de saúde da família.

O velho Giba buscava o pessoal na estação rodoviária, circulava pelas repartições públicas e ao meio-dia todos almoçavam na nossa casa. Sempre havia algum estranho conosco. Em seguida, todos eram levados de volta para embarcar de volta para a colônia.

Publicidade

Durante a campanha eleitoral, os folhetos eram os principais meios de comunicação. O material era distribuído manualmente. Naquela época, os Correios não tinham a capilaridade de hoje. De madrugada, uma legião de cabos eleitorais perambulava pelo interior, colocando panfletos sob os tarros de leite transportados por caminhões e caminhonetes.

Hoje, a tecnologia impera absoluta. A campanha eleitoral dura pouco mais de 30 dias – oficialmente – e o decoro e respeito são artigos que saíram há muito tempo de moda. É o vale-tudo, literalmente, para conquistar o eleitor que, assustado diante de tanta baixaria, foge da política. E dos políticos.

Assim, os vigaristas são cada vez mais presentes e tomam conta dos mandatos eletivos. Há uma generalização de que “em política, ninguém presta” que estimula maus concorrentes.

Publicidade

Para piorar, quem deveria julgar com isenção e servir de exemplo de retidão ética e moral é destaque em manchetes vergonhosas. Acabou a época em que magistrados “só falavam nos autos” (processos) e, às vezes constrangidos, davam-se por impedidos para julgar. Mudaram os tempos.

Quer receber notícias de Santa Cruz do Sul e região no seu celular? Entre no nosso novo canal do WhatsApp clicando aqui. Ainda não é assinante Gazeta? Clique aqui e faça agora!

Aviso de cookies

Nós utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdos de seu interesse. Para saber mais, consulte a nossa Política de Privacidade.